Cansado de ser você mesmo?

Em algum momento, já pensou que, talvez, a vida que leva não é pra você? Já teve a impressão de estar em um emprego que não te satisfaz? De morar num lugar que não te diz nada? De que nem sua família te entende?

Conheço muitos designers, engenheiros, arquitetos, que resolveram mudar de profissão, mudar de vida. Sei que existem outros tantos profissionais, de diversas áreas, que sonham encarar um caminho diferente do que estão trilhando.

Certamente, esse era o sentimento do fotógrafo Mike Disfarmer (1884-1959). Nascido na pequena cidade de Heber Springs, no interior do Arkansas. Vindo de uma família de trabalhadores rurais e batizado com o nome de Mike Meyer, o fotógrafo sentia que a vida de trabalhador rural não era pra ele. Decidido a não ser fazendeiro, o artista resolveu romper com tudo o que lembrava suas raízes caipiras. Se sentia tão fora daquela realidade que chegou até a dizer que, quando pequeno, um tornado o levou de sua verdadeira casa, para o lar de seus pais. Aliás, meier, em alemão, significa trabalhador rural. O fotógrafo não queria ser um meier, nem um Meyer, dessa forma, mudou seu nome para Mike Disfarmer (dis farmer, algo como “não fazendeiro”).

Em 1926 (alguns lugares diz 1930, a história toda é cheia de mistérios), Disfarmer, aos 42 anos, abriu um estúdio na rua principal de Heber Springs e passou a fazer retratos dos habitantes da cidade. Por ter tido uma vida muito reservada (diz a lenda que não possuia amigos), pouco se sabia sobre ele, esse mistério acabou fazendo com que o fotógrafo ficasse ainda mais conhecido. A maior atração da cidade era ser fotografado pelo misterioso artista.

Seus trabalhos ficaram famosos pelo perfeccionismo e o cuidado com a luz. Para cada retrato, os modelos costumavam ficar até uma hora sentados, imóveis e mudos até que a foto fosse feita.

Muito mais do que retratar pessoas, Disfarmer revelou como era a sociedade rural americana durante a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, quando os filhos dos fazendeiros deixavam suas casas para ingressar no exército.

As imagens também revelam uma outra faceta do artista, apesar de se sentir “fora”da sociedade, a intimidade com que retratava seus modelos mostrava que, de uma certa forma, Disfarmer pertencia àquele mundo. Ele não se vestia como seus vizinhos, não ouvia o mesmo tipo de música, não se interessava pelas mesmas coisas, ainda assim, não saiu de sua cidade natal e não fotografou nada na vida além dos habitantes de Heber Springs e arredores.

Disfarmer não é muito famoso, apesar disso, seu trabalho é frequentemente comparado com as obras de Diane Arbus e August Sander. Suas fotos serviram como referência para ninguem menos do que Richard Avedon.

A história desse artista nos mostra que é possível mudar o próprio destino. Se você não faz o que ama, não vive onde, ou, da forma que deseja, não deixe para amanhã. Estabeleça um plano, estipule metas e vá avançando devagarinho até que seja possível realizar seu sonho.

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9 Responses to Cansado de ser você mesmo?

  1. Sou mais um felizardo dessa estatística! Passei 10 anos atrás de uma mesa de escritório e entrei para a fotografia.

    Mas aviso aos navegantes: não se deixem levar pelo entusiasmo. Tenha tudo planejado na hora de mudar de profissão, principalmente um dinheiro extra pq, a bem da verdade, todo começo de carreira é muito difícil!

  2. avatar Gerson Paes says:

    Pois é… mais de 11 anos trabalhando com Criação e Produção de sites, planejamento para produtoras e agência de publicidade, até que… cansei.
    Já estava cansado desde 2006 mas só consegui parar com tudo e me dedicar apenas a fotografia em 2009. É duro… precisa aprender muito, as responsabilidades são grandes, não é só uma questão de técnica, tem que ter também o “saber ver”. Os equipamentos aqui no nosso país cheio de impostos são absurdamente caros e ficamos com raiva quando tentamos comprar e lembramos dos políticos safados que vão roubar esse dinheiro desse imposto. Mas, estou feliz e curtindo muito.

  3. avatar GarotaSonho says:

    ah! sim. Estou em um emprego que parece que não é o meu lugar. Sinto-me sozinha, humilhada pelo chefe… Estou traçando metas, vou me aperfeiçoar, conquistar um emprego melhor. Quero ser psicologa, penso que esta é minha verdadeira vocação. Às vezes pensou que é tarde demais. Porém lá no fundo mantenho uma esperança de que vou conseguir. Cora Coralina se não me falhe a memoria conseguiu publicar seus escritos aos 75 anos de idade. (alguem me corrija se eu estiver errada). É necessario determinação, sorte, vontade. Boa sorte a todos nós que estamos em busca da felicidade. É preciso coragem vou me lembrar disso.

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