
A obra “Ballad of Sexual Dependency” da fotógrafa americana Nan Goldin está na Bienal de SP. Goldin é natural de Boston, Massachussets e começou a fotografar aos 15 anos. Tornou-se conhecida por adotar o estilo gonzo na fotografia (é caracterizado pela participação do fotógrafo na cena, ele experimenta fisicamente da imagem). A artista se notabilizou por fotografar o cotidiano de sexo e drogas da cena new wave, pós punk americana.
Em “Ballad of Sexual Dependency” ela registra suas próprias experiências pessoais, o seu dia a dia e de seus amigos, sempre regados a drogas, bebidas, violência e sexo. As imagens são cruas, revelam a realidade da maneira mais simples possível, sem produção, sem firula. É como se a câmera fotográfica fosse uma extensão do corpo da artista, isso se prova pela coerência entre seu trabalho artístico e os meandros de sua vida pessoal.
Goldin costuma afirmar que suas fotos não retratam o underground nova-iorquinho, nem as prostitutas e travestis (personagens constantes em seu trabalho), mas sim imagens sobre o relacionamento entre homens e mulheres tal como é. Em uma das fotos, Goldin aparece ao lado de seu namorado Brian, logo após o sexo. Em outra imagem, ela aparece com o olho roxo, com um hematoma em forma de coração nas pernas.”Amor vem acompanhado de violência e dor”, afirma. “É sempre um embate entre a autonomia e a dependência”, disse em uma entrevista à Folha de São Paulo.
Dor é o sentimento mais presente na vida da artista. Ela mora há dez anos em Paris, disse que mudou de Nova Iorque porque todas as pessoas que ela amava e lá viviam, morreram. A fotógrafa raramente sai de casa e sequer sabe falar francês. Todos os seus amigos, retratados em sua obra, já morreram, a maioria deles de AIDS. O que acentua ainda mais a força de suas imagens como experiência pessoal, ela é uma sobrevivente.
A estética de seu trabalho lembra a das câmeras snapshots (famosas xeretas), isso só aumenta o clima de voyerismo e precariedade de suas fotos. É quase como se estivéssemos vendo um álbum de fotos pessoal, íntimo. Com este estilo, Goldin fez escola e inspirou fotógrafos como Terry Richardson e Juergen Teller.
A exposição está em cartaz na bienal, no parque do Ibirapuera, que ocorre até o dia 12 de setembro. A entrada é franca.
Ps: A fotógrafa argentina Alessandra Sanguinetti também fará parte da bienal. Em breve um post sobre ela.

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