O primeiro grande contrato

Modelo Monique Manuel com vestido de Kira Sams, inspirado na raposa orelhuda Maquiagem por Duglas Cressman e cabelo por Sandra Cross

 

No dia 5 de setembro, aconteceu em Calgary o Zoogala, evento beneficente que arrecada fundos para o zoológico da cidade. A edição desse ano foi especial: ano passado o evento não ocorreu porque o zoológico se recuperava da maior enchente da história, que destruiu grande parte de Calgary, inclusive o zoo.

Pois bem, recebi um e-mail dos organizadores do evento pedindo orçamento para fotografar o que seria a novidade do ano, um concurso de estilistas nos moldes do programa de tv Project Runway.

Cinco estilistas deveriam criar vestidos inspirados em uma das três espécies canadenses em perigo, a rã leopardo (leopardo frog), o grou americano (whooping crane) e a raposa orelhuda (swift fox).

O trabalho fotográfico consistia em registrar as modelos trajando os vestidos, usando as instalações do zoo como locação. As imagens deveriam ser verticais pois seriam impressas em tamanho real e ficariam expostas durante o evento. Também deveria fazer a mesma foto sem a modelo, apenas com o background, pois durante o evento, as modelos posariam em frente a essas imagens.

O resultado final pode ser visto aqui.

O vestido vencedor da disputa foi o da estilista Maria Orduz Pinto, que representou a raposa orelhuda.

Conseguir esse trabalho foi muito importante para a minha carreira aqui. Venci a disputa contra fotógrafos mais conhecidos na cidade sem baixar muito meu preço. O logo do Ateliê Coquille foi impresso no folder e as imagens, devidamente licenciadas, farão parte da publicidade do zoológico. Além disso, as personalidades do mundo fashion da cidade estavam presentes no evento,e pude conhece-las pessoalmente.

A estratégia que tenho usado para conseguir trabalhos é bastante simples, uma forte presença nas redes sociais (twitter, instagram, fan page, tumblr, google+, pinterest) e pesquisa pra saber quem é quem na cidade. Uma vez descobertas as principais personalidades locais, interagir com elas da maneira que achar mais oportuna, nesse caso, via twitter.

Todo esse processo leva bastante tempo e é bem trabalhoso (faz 5 meses que estou aqui e esse foi o primeiro grande contrato), porém conforme a sua marca fica mais conhecida, o processo tende a acelerar e a ficar mais fácil (assim espero).

O plano para as próximas semanas é realizar ensaios autorais para gerar assunto nas redes sociais e mostrar mais do que sou capaz. As pessoas estão acostumadas a trabalhar sempre com os mesmos fotógrafos, entrar nesse meio requer que se chame a atenção. Muita gente, especialmente em cidades “pequenas” como Calgary, encara trabalhar com alguém novo um risco grande, porém outras pessoas veem nisso uma vantagem. Colocar trabalhos na rua ajuda a aumentar a confiança dos que te veem como uma incógnita e a incentivar aqueles que estão interessados em você como “novidade” a agirem antes que se perca esse status.

A vantagem de viver em uma cidade menor é a facilidade de entrar em contato com as personalidades locais, diferente de São Paulo, onde seria quase impossível tomar com café com o dono de uma grande agência de modelos, aqui isso acontece de forma natural. A desvantagem é a escassez de grandes marcas locais. Dificilmente vou fazer uma campanha nacional com uma marca daqui, mas nada impede que faça daqui, uma campanha para uma grande marca internacional.

 

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Vivendo de fotografia no Canada

Espelho da página publicada no Metro sobre João Ricardo Vieira no Calgary Stampede

 

Já faz 4 meses que nos mudamos para Calgary, nesse tempo, não paramos um segundo sequer. Correria atrás de documentos, plano de saúde, conta em banco, coisas para a casa, procurar trabalho, escola de inglês, passe de ônibus, aprender a cozinhar, limpar a casa e tudo mais o que se possa imaginar. Começar uma vida não é fácil, começar uma vida em outro país bem mais complicado.

Nesse tempo a fotografia foi ficando de lado, não muito, mas em segundo plano. O blog então, nem se fala. No começo, entrei em contato com todas as agências de modelo da cidade, todos os jornais e não obtive resposta. A maioria dos jornais por aqui, como o Metro Calgary, não possui fotógrafos em suas equipes, ou as imagens vem via assessoria de imprensa, ou o próprio jornalista fotografa a pauta. É claro que a qualidade das imagens não é grande coisa. Também conversei com os principais fotógrafos locais, me encontrei com alguns e me ofereci para trabalhar de assistente, até os ajudei de graça pra mostrar que eu sabia o que estava fazendo e ninguém me contratou pra nada. Desencanei.

Fui trabalhar com o que dava, cortei grama, fiz trabalhos como jardineiro e pedreiro. Como não tenho nem experiência nem conhecimento nessas áreas, as tarefas eram as mais simples possíveis e pesadas. Era contratado para arrancar mato de gramado, derrubar parede, jogar entulho na caçamba e etc.

Assim foi, por um pouco mais de um mês. O dinheiro começou a entrar, pudemos parar de usar o que juntamos no Brasil para pagar o aluguel. Porém, sem perspectiva de melhorar de vida. Viver no exterior é difícil, por melhor que seja o lugar, não é o seu lugar. No Brasil eu dei palestras para universidades, aqui, estava derrubando parede com uma marreta. Sua auto estima vai lá embaixo e da vontade de voltar.

Até que um dia as coisas começaram a mudar. Recebi um e-mail de uma das agências de modelo que havia entrado em contato há quase dois meses atrás. Eles queriam marcar uma reunião.  Chegando lá, aquele papo de sempre, “vamos fazer uma parceria, vai ser bom para o seu portfólio”, não me entusiasmei, mas também não fechei a porta, fiquei de pensar. Eu precisava de dinheiro, fotografar de graça significaria perder um dia de trabalho remunerado.

Dois dias depois recebi um e-mail da mesma agência perguntando se eu não queria fotografar as new faces deles. Eu receberia um valor por modelo e deveria entregar de 10 a 15 fotos tratadas. A grana é uma mixaria, menos do que eu ganharia trabalhando de jardineiro/pedreiro (o que paga relativamente bem, se tiver forças para trabalhar durante 8 horas ao dia), mas pelo menos era fotografia.

Aceitei sem pensar duas vezes, afinal, ainda poderia trabalhar no jardim nos dias de semana e tratar fotos a noite.

A agência gostou do material produzido e agora fotografo pelo menos uma vez ao mês pra eles.

Aproveitando o bom momento, resolvi pegar umas “férias” dos trabalhos de jardim para acompanhar os cowboys brasileiros que participaram do Calgary Stampede, maior rodeio do mundo.  Foi uma semana de muito trabalho, sem ser pago, fotografando o cowboy João Ricardo Vieira, que não decepcionou, chegou até a final e ficou entre os quatro melhores. O problema é que quarto lugar não era o suficiente para atrair a atenção dos jornais no Brasil. Ainda assim, a reportagem saiu publicada no Metro ABC. Esses cowboys são verdadeiras celebridades por aqui, ganham milhões de dólares por ano e no Brasil sequer ouvimos falar seus nomes.

Devagarinho, estamos começando a receber pedidos de orçamentos, ainda não conseguimos fechar nada, mas ao menos estamos chamando a atenção.

Tudo isso nos mostrou que é possível viver de fotografia por aqui, não é fácil, mas é possível. Os trabalhos de jardim andam escassos com o fim do verão e a situação vai piorar no inverno, portanto, o negócio é investir na carreira.

E se é possível aqui, cidade basicamente de origem rural, com um pouco mais de um milhão de habitantes, é possível em qualquer lugar. Ainda mais no Brasil onde o mercado e a demanda é infinitamente maior. Portanto, a dica pra quem está começando é investir em um portfólio de qualidade. Seu trabalho é o seu único diferencial competitivo, já que cobrar barato todo mundo cobra (você vai competir até com quem não cobra nada).

Aliás, essa é uma questão importante, quando deixar de cobrar barato? Quando não cobrar? Às vezes aparecem trabalhos maiores e que queremos muito fazer, devemos cobrar o preço que achamos que valemos ou cobrar o preço que achamos que irá nos garantir o trabalho? Será que cobrar pouco, nesses casos, causa uma má impressão? Esse assunto rende um post e prometo que, assim que descobrir a melhor prática, discuti-lo aqui.

Por hora a dica é: valorize o seu trabalho, não digo isso em relação ao preço que se coloca nele, mas a forma como é apresentado. Selecione muito bem as imagens que virão a público. Tenho muitos ensaios, tanto com modelos como de fotojornalismo, que nunca viram e nem verão a luz do dia.

A melhor coisa que se pode fazer pela sua fotografia é ser o seu maior crítico. Com isso, restará a certeza que seu portfólio representa o que você tem de melhor. Confie nisso e não desista. Às vezes as coisas acontecem de forma rápida, às vezes demora mais do que gostaríamos. O importante é se manter no rumo.

Por hora, meus trabalhos com moda podem ser vistos no site e na fan page do Ateliê Coquille, também é possível nos seguir no twitter e no instagram 

 

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E a vida mudou.

Esse blog não foi abandonado, muito pelo contrário. Evitei de atualizá-lo por não ter tempo e cabeça para manter a mesma qualidade das postagens.
Pois bem, aqui estou de volta. Casado, desempregado e vivendo em Calgary, Canada.
Isso mesmo, larguei o emprego no Metro e me mudei com a minha esposa para o Canada de mala e cuia, a cara e a coragem. Embarcamos nessa aventura com a intenção de respirar novos ares, buscar uma qualidade de vida melhor e novas oportunidades como fotógrafo. Como o dinheiro é curto, precisamos encontrar meios de gerar renda, sejam eles quais forem.

Cheguei há 4 dias e já consegui meu primeiro “bico”, que nada tem a ver com fotografia. Trabalhei como ajudante de aplicador de Drywall. Drywall é uma placa de gesso e madeira que serve como reboco para as casas daqui, que são todas feitas de madeira. É trabalho braçal, algo como um pedreiro ou peão de obra. O ponto positivo é que paga bem. Trabalhei das 8h às 17h e recebi $100,00 de salário de aprendiz. Ao fim do mês (se eu chegar até lá sem ser demitido ou sem deslocar as costas), terei ganhado $2.000,00,o que é um excelente salário para os padrões daqui.

É claro que o objetivo é trabalhar com fotografia, mas por hora, esse “bico” está quebrando um bom galho.
Quanto ao blog, as postagens serão mais voltadas sobre como começar a trabalhar como fotógrafo saindo do zero. Aqui só tenho a câmera, um computador e pouco tempo, por hora, terei de me virar com isso.

Enquanto estou trabalhando, a Laila fica batalhando um local pra gente morar, o lugar que estamos é caro. Aqui as pessoas alugam os porões das casas, que são totalmente equipados com cama, cozinha e banheiro. Os aluguéis desses basements são bem mais em conta do que das casas ou apartamentos. O problema é que ano passado houve uma grande enchente aqui, ocasionada pelo derretimento das geleiras das montanhas rochosas, por isso, muitas famílias foram desabrigadas e estão morando de aluguel nos basements. Por isso, poucos porões estão vagos.

Em meio a toda essa bagunça, preciso encontrar um meio de viabilizar a fotografia. Ainda não faço ideia como, mas vou documentando todos os meus passos aqui.

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O palhaço Chumbrega, entrando em ação

Athos Paulo, 70 anos, repete, há 20 anos, a mesma rotina todos os dias, como se batesse um cartão de ponto.
No fim da tarde se barbeia, a senha para entrar na pele de seu alter ego, o palhaço Chumbrega. A barba precisa, sim, estar sempre muito bem feita, pois as crianças percebem as imperfeições. A maquiagem, simplória, é feita ali mesmo, no trailer. Com o auxílio de um retrovisor de automóvel, Athos aplica a tinta branca nas bochechas para depois salpicá-la com uma pitada de vermelho, para dar uma cor.

Durante o dia, Athos cumpre os afazeres de casa. Gosta de cozinhar e mantém sua moradia em ordem. O trailer em que mora tem o tamanho de um ônibus, um pouco mais, um pouco menos. São três cômodos completos: um quarto, um banheiro e a sala/cozinha, que é onde Athos passa a maior parte do tempo. A televisão fica no para-brisa, posicionada em cima do micro-ondas, de forma a ser vista de qualquer parte do trailer. A energia elétrica é ligada na rua e quem paga a conta é o dono do circo; a água é compartilhada entre todos.

Cavaletes ajeitados do lado de fora do trailer são usados para secar as roupas lavadas na máquina de lavar. O circo tem cozinha comunitária, mas ele também gosta de preparar suas refeições. Athos gosta de morar no trailer, sempre na estrada. Mesmo depois de se aposentar, ele não vai largar a vida de circo Se for viver sozinho vai viver triste, por isso prefere ficar e viajar com o pessoal do circo. Ele gosta muito desse ambiente.

O hábito de passar a vida na estrada é herança de família. Os avós vieram da Áustria para fugir da Primeira Guerra Mundial. Sempre foram circenses, assim como seus pais e, agora, seus três filhos, dois homens e uma mulher. Observou muito o pai no circo e aquilo o fascinou. Entrou no picadeiro com seis anos, fez trapézio, acrobacia, teatro e, de 20 anos pra cá, virou palhaço. E passou a paixão para a família.

Só um dos filhos trabalha direto com ele. Os outros dois – a filha e o rapaz do meio – estão cada um em um canto com o circo pelo país. O bisneto, recém-nascido, irá pelo mesmo caminho. Ele tem certeza disso.

Depois de maquiado, Chumbrega vai para os fundos do circo, onde construiu uma pequena cabana. Lá, escolhe as roupas que irá usar e se prepara para a apresentação. Pronto, Chumbrega junta seus fantasminhas – marionetes de R$ 10 que ele mesmo faz e vende – e vai para a entrada principal complementar a renda.

Chumbrega e Athos não existem ao mesmo tempo. Quando um entra em cena, o outro precisa desaparecer. Quando as luzes acendem, a vida fica para trás da cortina. No picadeiro não tem problemas, não deve para ninguém, não há dor de cabeça, mau humor, nem nada. Chumbrega tem de estar sempre feliz e brincalhão, com a arquibancada lotada ou com uma só pessoa assistindo.

Não importa o que aconteça, o show sempre tem que continuar.


Para ver todas as imagens, clique aqui

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O enigmático mundo de Alessandra Sanguinetti

Alessandra Sanguinetti 

Nascida nos EUA, em 1968, Sanguinetti passou 33 anos na Argentina. A latinidade dos pampas argentinos está bem presente em seu trabalho. A artista começou a fotografar em 1996, hoje é membro da agência Magnum. Têm bolsas como as das Fundações Guggenheim e Hasselblad e fotos em coleções de museus como MOMA, em NY.

Em seu trabalho mais importante, ““Las aventuras de Guille y Belinda y el enigmático significado de sus sueños”, a fotógrafa acompanhou as primas Guille e Belinda em suas brincadeiras durante o dia a dia da fazenda onde viviam.

As imagens possuem uma clima poético, como se tivessem saído de um conto de fadas. O contraste entre as duas figuras, uma alta e esguia e a outra baixa e robusta, garantem um caráter de estranheza às fotos.

O tom é de um conto dos irmãos Grimm, mágico, surreal às vezes sombrio e misterioso. A estética é composta pela utilização de luz natural, suave, é possível perceber o uso muito criterioso de rebatedores e espelhos.

O enquadramento é igualmente pensado e trabalhado. É possível notar referências vitorianas, românticas e ao mesmo tempo o tradicionalismo latino.

Sanguinetti diz que quase não houve direção das “modelos”. Ela apenas propunha brincadeiras e as meninas topavam ou não. “As imagens são resultado de um jogo entre a três. Eu propunha ideias e elas adaptavam a suas vidas, cristalizando assim seus mundos imaginários. Um pouco como a improvisação em um teatro, mas com a diferença de que elas atuavam suas verdadeiras vidas, não a dos outros”, afirmou ao site do Paraty em Foco (a fotógrafa participou do festival em 2009).

A amizade entre as meninas e a fotógrafa se consolidou o que rendeu o trabalho “A life that came” sobre as personagens depois de crescidas.

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A água de Mitteldorf no Museu de Arte Brasileira

 

Neste sábado fui conferir a exposição “ Work”, de Klaus Mitteldorf, no Museu de Arte Brasileira. A mostra traz os principais trabalhos dos 30 anos de carreira do artista.

Montada de maneira luxuosa, a exposição divide cronologicamente o trabalho de Mitteldorf, em cada sala, uma fração de sua carreira. Dessa forma, podemos ver bem o quanto o contexto histórico influencia cada foto. Por ser um fotógrafo de moda, as roupas de suas modelos são só mais um indício de que época cada imagem foi concebida.

Abusando das formas geométricas e cores, suas fotos principais, as que datam dos anos 80 e 90, lembram muito o pop art de David Lachapelle, as imagens também acompanham o estilo futurista característico da época.

São nítidas as referências surrealistas, evidenciadas na clássica imagem de Ana Paula Arósio com a borboleta cobrindo os olhos, que faz muito bem o estilo Man Ray. Lartigue e Francis Bacon podem ser lembrados, também, por quem visitar a exposição. O segundo, por exemplo, pode ser identificado na série “O último grito” .

Apesar de ter um trabalho com fotografia de moda muito prestigiado, o que encanta mesmo são as obras autorais de Mitteldorf, sempre com a água como elemento ou inspiração. O fotógrafo utiliza piscinas, praias, mares e até deformações na lente, no melhor estilo Kertész, para que o visualizador entenda e compartilhe de seu interesse pelo líquido. Não é pra menos, o artista realizou seu primeiro trabalho documentando surfistas nos litorais paulista e carioca, portanto, a água sempre esteve presente em sua carreira.

Obras de sua última exposição, a São Paulo Blues, com imagens feitas com celular, também estão expostas, nessas, o artista se afasta das modelos e busca na geometria da cidade e na alteração das cores o objeto de sua estética.

Visitar a exposição é obrigatório para todos os que querem ser chamados de fotógrafo. Klaus Mitteldorf é um dos mais prestigiados fotógrafos da história do país e a montagem dos espaços fazem jus a esse status.

O museu de Arte Brasileira, que fica na rua Alagoas, 903, é lindo, vale a visita por si só. A mostra fica disponível para visitação até o dia 20 de outubro e o horário de visitação é de terça a sexta feira das 10h até as 20h e aos sábados, domingos e feriados, das 13h, até as 17h

 

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2 Semana de Fotografia da UNG

Programação da II Semana da Fotografia da UNG

Programação da II Semana da Fotografia da UNG

 

Na próxima sexta feira, dia 6 de setembro, ás 20:00, irei participar da II Semana de Fotografia da UNG (Universidade de Guarulhos). O evento está ocorrendo desde segunda feira e grandes profissionais da fotografia, como Iatã Cannabrava, estarão presente.

Durante a palestra, vou falar sobre o meu dia a dia, a prática e, principalmente, a teoria da fotografia. Vou contar como comecei no mercado e como divido meu tempo entre o Metro, o trasdaobjetiva e o Ateliê Coquille. Também vou tratar da importância, ou não, de se ter aparatos super tecnológicos para fazer boas fotos.

Além disso, pretendo explicar como é o meu processo criativo e o valor de uma edição criteriosa do material. Sobre a importância de escolher boas referências e como utilizá-las durante a criação de um ensaio fotográfico.

O evento é gratuito e aberto ao público, acontece no anfiteatro F da UNG. A faculdade fica na Praça Cap. Alberto Mendes Júnior, 88, Centro, Guarulhos.

Nos vemos lá

 

 

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Caixa de sapato

Uma das várias caixas de sapato dos meus pais

Uma das várias caixas de sapato dos meus pais

Não há dúvidas que a fotografia digital mudou a forma como interagimos com as imagens, antigamente, antes de viajar, comprávamos rolos de filmes e escolhíamos com cuidado o que era digno de “gastar” uma das 36 poses. Depois disso, tínhamos que mandar revelar as imagens, isso era custoso e trabalhoso.

Hoje, uma câmera digital dispara quinhentas, mil vezes sem custo algum. Nunca se tirou tanta foto quanto agora. Nossos momentos importantes, viagens e festas são minuciosamente documentados.

Tenho certeza que todos os pais tem guardado em uma caixa de sapato, ou algo parecido, muitas fotos de nossa infância, nossos avós, possuem fotos antigas de nossos pais e assim por diante.

A primeira vista, podemos achar que teremos muito mais imagens dos nossos filhos do que a geração que nos antecedeu.  Porém, com a fotografia digital, talvez essas fotos se percam e simplesmente desapareçam.

Daqui há 20 anos, teremos pouquíssimas fotos de hoje. Se você tem um filho recém nascido e adora fotografá-lo, comece a se preocupar. Pode ser que, quando ele for adolescente, essas imagens não existam mais.

Sei que a primeira vista isso parece loucura, temos dezenas de cds, dvds e hds abarrotados de imagens, todos guardados na mesma caixa de sapato em que guardaríamos as fotografias. Mas se pararmos para pensar um pouco, alguns modelos de computadores nem possuem mais leitores de cd. Os hds também possuem uma vida útil, é comum ver fotógrafos desesperados quando um hd simplesmente para de funcionar. Se ainda não acredita, pense em quantas fotos você tem de dez anos atrás.

Esse é o grande desafio da fotografia digital, voltar a ser permanente.

Uma solução talvez seja armazenar as imagens em nuvens, ou websites. Por exemplo, se você tem facebook há 4 anos, provavelmente tenha fotos dessa época armazenadas no site. O problema é que nuvens, redes sociais e até sites para fotógrafos são empresas e, eventualmente, elas quebram ou mudam o rumo de suas ações à nossa revelia. O que aconteceu com as fotos que estavam nos seus álbuns do Orkut?

Para os profissionais, o problema pode ser ainda mais dramático, os arquivos em RAW são lidos apenas por alguns tipos de programas, como o photoshop, o lightroom e afins. Pode ser que daqui a 20 anos, as extensões CR2 ou NEF (extensões para o RAW da Canon e Nikon, respectivamente), estejam ultrapassadas e não exista mais programas que consigam abrir esses arquivos. A tecnologia das câmeras avança dia a dia, talvez o RAW como conhecemos se torne obsoleto. Claro, isso pode acontecer com o JPEG também, mas é menos provável, uma vez que o formato é usado em muito maior escala e existem muito mais programas que leem esses arquivos.

Por incrível que pareça, apesar de passarmos a década fotografando, teremos um futuro sem imagens.

A não ser que as revelemos e as guardemos em caixas de sapato.

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Eli Reed, a fotografia em prol dos direitos civis

Boxeador de Eli Reed

Documentarista por excelência Eli Reed começou a fotografar em 1970. Doze anos depois, ingressou na aclamada agência Magnum.

Desde pequeno, Reed desenhava e pintava. Seu sonho era ser fuzileiro naval, mas sua vista não era boa o suficiente. Um crítico de arte viu um de seus desenhos e sugeriu que ele devesse apostar na carreira artística. Foi aí que o fotógrafo resolver cursar ilustração na Universidade de Newark.

Engajado na luta contra o preconceito racial, Reed contou, em uma entrevista para o também fotógrafo Dennis Stock, que Martin Luther King e Malcom X exerceram uma grande influência em seus trabalhos e na sua decisão de se tornar um fotógrafo. Olhando suas as imagens, essa influência se torna clara. Suas fotos sempre exaltam as características raciais. O marco de seu estilo se deu no livro “Black in America”, de 1997. A publicação é um retrato do dia a dia dos negros nos EUA, as fotos são uma compilação de imagens ao longo de sua carreira e incluem registros da “Million Man March”, onde, supostamente, um milhão de negros marcharam em Washington para assegurar os seus direitos. No livro há o contraste entre eventos do dia a dia, como momentos íntimos entre pais e filhos e um casamento, com episódios tensos como o funeral de um dos militantes do direito dos negros e as revoltas em Los Angeles.

Sempre engajado nas lutas pelos direitos, Reed passou quase cinco anos documentando a vida em Beirut, com o trabalho “Beirut, City of Regrets”. Depois viajou para o Haiti, para testemunhar a queda do ditador Baby Doc Duvalier.

O fotógrafo também realizou trabalhos cinematográficos, seu documentário “Getting Out” foi exibido no festival de cinema de Nova York. Aliás, o fotógrafo conta, no site da Magnum, que começou a fotografar depois de assistir os filmes Lawrence da Arábia e Z.

Reed participou de diversos filmes, fazendo fotos durante as filmagens. Seu trabalho pode ser visto em películas como “8 Mile”, “2Fast 2Furious” e “Uma mente brilhante”.

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A crueza de Ian Berry

Uganda, de Ian Berry

Ian Berry é um fotógrafo inglês que se tornou famoso depois de um período de estudos na África do Sul. Seu tutor, Roger Madden, tinha sido, nada menos, do que assistente de Ansel Adams. Após realizar alguns trabalhos como fotógrafo social e de casamentos (isso mesmo), Berry acabou se tornando fotojornalista. Teve sua grande chance em 1960, quando foi o único fotógrafo a registrar cenas do massacre de Sharpeville, suas imagens foram usadas no julgamento e provaram a inocência e culpa dos envolvidos.

Henri Carier Bresson convidou Berry para se juntar à Magnum em 1962. Realizou coberturas ao redor do mundo, entre elas, a invasão da Tchecoslováquia pela Rússia, conflitos na Irlanda, Israel, Vietnam e Congo.

Gosto da crueza de suas imagens, são quase orgânicas. O que parece, é que Berry faz parte da paisagem, ninguém se incomoda com sua presença, ninguém posa para as fotos. As atitudes são naturais, espontâneas. Os personagens nunca são dirigidos pelo fotógrafo, isso fica claro nas imagens, o que só acentua o caráter de realidade que possuem.

Ao mesmo tempo, a humanidade com a qual o fotógrafo olha para seus motivos transparece na foto. Ele não registra, apenas, o momento, mas aproxima seus personagens de quem aprecia as fotografias.

O fotógrafo acredita na importância do ensaio na fotografia documental, para ele “Uma única foto excelente, nos satisfaz muito bem emocionalmente. Mas um grande ensaio jornalístico é o que é ser profissional”, afirma.

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