Arquivado na categoria ‘Evento histórico’

MORREU A “PANTERA NEGRA”

segunda-feira, janeiro 6th, 2014

Eusébio
Causou grande consternação em Portugal, com forte repercussão também no Brasil, a notícia da morte de um dos maiores atletas do futebol mundial, Eusébio da Silva Ferreira, nascido em 1942 em Lourenço Marques, capital de Moçambique, à época uma colônia portuguesa.
Eusébio, entre outras façanhas, foi o artilheiro do campeonato mundial de futebol realizado em 1966 na Inglaterra, tendo sido ele o grande responsável pela extraordinária campanha de Portugal naquele mundial onde obteve a terceira colocação, a melhor alcançada até hoje. Eusébio marcou 9 gols na competição, um deles contra o Brasil:

O Brasil foi desclassificado do mundial de 1966 ainda na primeira fase, e justamente por Portugal para o qual perdeu por 3 a 1, com dois gols do artilheiro Eusébio. “Pantera Negra”, como era chamado pelos torcedores, Eusébio jogou 15 dos seus 22 anos, como profissional, pelo Sport Lisboa e pelo Benfica. Defendeu a seleção de Portugal em 64 jogos, um dos últimos no dia 7 de setembro de 1972, no Maracanã, contra a seleção brasileira, pela decisão do título da Taça Independência (mini-copa), jogo vencido pelo Brasil por 1 a 0. Antes de ser iniciada a partida o saudoso repórter da rádio bandeirantes Roberto “Olho Vivo” Silva, entrevistou Eusébio:

Com toda justiça Eusébio figura em todas as pesquisas como um dos 50 melhores jogadores de futebol de todo o mundo no século que passou

Jânio Quadros, o rei das renúncias

quarta-feira, setembro 25th, 2013
jANIO

jANIO

Notório bravateiro, renunciante contumaz, Jânio da Silva Quadros conseguia, porém, anular seus defeitos com um poder de comunicação ímpar entre os políticos brasileiros. Suas frases de efeito, suas roupas quase sempre em desacordo com a moda e suas expressões faciais que suscitavam análises psicanalíticas, de vitória em vitória, num espaço de apenas 10 anos, catapultaram sua carreira política levando-o de inexpressivo vereador paulistano ao cargo de presidente da República, não cumprindo um só de seus mandatos por inteiro. Sua primeira eleição foi para a vereança na Capital, e, pouco depois, em 1953, foi surpreendentemente eleito prefeito tomando posse em abril daquele ano:

Dois anos após a posse, Jânio renunciou à prefeitura o mesmo fazendo seu vice Porfírio da Paz, ambos candidatando-se ao governo e a vice governança do Estado respectativamente. Assumiu em caráter interino o presidente da Câmara Municipal, William Sallem até que novas eleições fossem realizadas o que ocorreu em março de 1955 e no mês de julho o vencedor, Juvenal Lino de Matos, tomou posse. Lino era senador e não renunciou ao senado porque não havia lei que o obrigasse. Ocorre que, sendo apadrinhado de Adhemar de Barros, portanto inimigo de Jânio, este orquestrou a elaboração de uma lei no Congresso impedindo que as pessoas pudessem acumular dois cargos eletivos o que motivou Lino de Matos a também renunciar à prefeitura assumindo , por fim, Wladimir de Toledo Pizza. Pobre São Paulo!

Vida de repórter: nos tempos de Pedro Collor, haja paciência!

domingo, novembro 20th, 2011

Pedro Affonso Collor de Mello

Vida de repórter não é fácil, pricipalmente quando se antepõem, entre ele e o entrevistado, os clássicos blindadores, figuras remuneradas, ou bajuladoras simplesmente, que fazem de tudo para preservar seus clientes, ou ídolos, de situações embaraçosas diante da imprensa. Nos arquivos do Centro de Documentação e Memória da rádio Bandeirantes – CEDOM – existem centenas de flagrantes que atestam as dificuldades que os repórteres enfrentam, e não é de hoje, para exercer o seu trabalho.
No dia 26 de junho de 1992 a repórter Vera Fiordoliva conseguiu a duras penas se aproximar de Pedro Collor que havia feito pesadas acusações contra o presidente da República, que era seu irmão, Fernando Collor de Melo e também contra o seu tesoureiro de campanha Paulo César Farias, mais conhecido por PC Farias. Tudo teria transcorrido às mil maravilhas não fôsse a obstinada intromissão do advogado de Pedro, Paulo José da Costa Júnior que protagonizou, naquele dia, uma das cenas mais patéticas de todo o episódio que culminou com a queda de Fernando Collor, ouçam:

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República: agradeça a Deodoro pelos 4 dias de folga

sexta-feira, novembro 11th, 2011

Feriadão de 15 de novembro. A maioria sabe quantos dias vai folgar, porém, poucos conseguem explicar a razão do feriado e a importância do fato que se deu nesse dia no ano de 1889.  Para quem se interessa por história do Brasil, o programa Memória do próximo dia 19 (Bandeirantes AM, sábados 23hs00 reprise aos domingos 05hs00) vai contar como é que se deu a Proclamação da República e os fatos que marcaram cada período de governo desde então, incluindo o de Getúlio Vargas que deixou a presidência do Estado do Rio Grande do Sul, em 1930, para assumir a chefia do governo provisório da Nação que havia derrubado o presidente Washington Luiz. O que era para ser provisório durou 15 anos:

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Embora fosse um político de formação tradicional, ao assumir o poder Getúlio Vargas se diferenciou dos políticos da República velha ao buscar o apoio das massas trabalhadoras, antes mantidas à margem da vida política,  dando, assim, início ao chamado POPULISMO no Brasil

Quem se lembra do que fazia no dia Onze de Setembro de 2001?

quinta-feira, setembro 8th, 2011

Essa é uma data inesquecível para milhões de pessoas em todo o mundo.  Você, o que fazia no exato momento em que fanáticos seguidores de Osama Bin Laden jogaram os dois Boeings que pilotavam, contra as torres gêmeas do World Trade Center?  Cento e cinquenta e sete passageiros saíram da vida para entrar na história. As gigantescas torres pouco mais de uma hora após os choques vieram abaixo arrastando consigo cerca de 3 mil vidas.

Faça uma digressão e procure recordar onde é que você estava naquele momento trágico?

Eu, de minha parte,  estava… bem eu estava onde tenho estado nos últimos 50 anos, no torvelinho dos acontecimentos, ora no palco, ora nos bastidores mas sempre em contato com a notícia e essa era mais uma, porém, com contornos muito mais trágicos que tudo aquilo que já havia visto.

Apesar das intensas imagens televisivas, vale destacar que o rádio se fez presente na cobertura do 11 de setembro de 2001 de maneira intensa.  A  Bandeirantes, também, claro, e para variar, irrepreensível na cobertura como é de sua tradição.

Meu programa, Ciranda da Cidade,  ia ao ar das duas às cinco da tarde e me recordo bem, com a ajuda da memória de minha esposa  Débora Raposo, produtora do meu  e  de outros programas da emissora, que naquele dia ela já estava debruçada sobre outra tarefa, também grave  mas de alcance restrito,  que era a morte do prefeito de Campinas, Toninho do PT. Dois repórteres tinham sido destacados para cobrir aquele assassinato,  André Luiz Costa e Agostinho Teixeira.  Apesar de incumbidos de permanecerem o dia todo em Campinas,  a eles coube tão somente  breves registros  dos fatos no Primeira Hora e no começo do Jornal Gente porque, também eles, foram atropelados,  por volta das 9 horas,  com os surpreendentes atentados que ocorriam nos EUA.

Com as dramáticas  imagens transmitidas pela CNN a redação da  rádio Bandeirantes, por assim dizer, entrou em ebulição.  Toda a produção se movimentando  em busca de detalhes e  à “caça” de   quem pudesse repercutir os fatos. Os dois repórteres, lá de  Campinas, cumprindo o que lhes havia sido determinado, queriam entrar com detalhes das investigações para apurar a morte do prefeito e eis que aconteceu, então, o primeiro daqueles chamados “cacos de bastidores”, que nem sempre chegam ao conhecimento do ouvinte.  Na coordenação de  estúdio estava Fátima Morais,  doce figurinha  muito querida de todos pela forma  carinhosa como trata as pessoas usando quase sempre os diminutivos. Na primeira vez  explicou a eles que era impossível  interromper a programação naquele momento: “Fofo,  não dá para você entrar no ar neste momento porque um aviãozinho bateu no alto de um prédio em Nova York”.

Naquela época a rádio Bandeirantes  contava com um repórter permanentemente em Washington, Eduardo Castro,  jornalista já bem experiente,  e, me lembro claramente, foi ele quem nos deu a dimensão de que o atentado era muito mais sério do que as imagens de televisão mostravam. Aos apresentadores do  jornal Gente, José Paulo de Andrade e  Salomão Esper, Castro descreveu a fumaça que estava enxergando do alto do prédio onde se encontrava, incrível a ousadia dos criminosos:

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Também não me sai da memória que, durante a passagem do programa  Jornal Gente  para o Manhã Bandeirantes, a produtora Adriana Muniz  conseguiu contatar o advogado Cláudio Maurício Fredo que estava a tão somente quatro quadras do World Trade Center e no momento em que ele descrevia, pelo celular para os ouvintes da Bandeirantes  as cenas que estava presenciando, por causa do primeiro avião que havia se chocado com uma das torres gêmeas, eis que o segundo foi jogado contra a outra torre e o forte ruído inclusive foi captado durant e a sua transmissão chegando até nós :

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Impossível esquecer!   Uma emoção que só o rádio consegue passar, registrando com precisão a surpresa, o medo e o nervosismo vivido pelas pessoas no exato momento dos fatos.

E foi naquele instante, quando o outro  avião se chocou com a segunda torre, que  a Fátima Morais,  para nós simplesmente Fafi , protagonizou mais um capítulo engraçado no meio de tanto estresse, ao explicar aos repórteres que novamente chamavam de Campinas para informar sobre o assassinato do prefeito:  “Fofinhos, não dá para entrar no ar, um outro aviãozinho bateu na outra torre!”.

Compartilho com vocês, internautas, estes  registros da Bandeirantes  que comprovam a importância do  rádio em momentos decisivos de nossas vidas.   Aliás esta é, também,  uma oportunidade para destacar a importância do CEDOM – Centro de Documentação e Memória da rádio Bandeirantes onde, estou certo, está armazenado o maior arquivo sonoro do rádio brasileiro e eu quero aproveitar o meu blog para divulgar documentos sonoros impressionantes contidos nesse acervo, cuja recuperação  eu tenho o orgulho de coordenar.