Arquiva no mês setembro, 2017

ATÉ NA PROPAGANDA A POLÍTICA JÁ FOI MELHOR

terça-feira, setembro 26th, 2017

LUCAS NOGUEIRA GARCEZ

Há certas coisas da política de antigamente que deixaram muita saudade. Não está em discussão a honestidade, a dedicação, a competência, a qualidade moral dos políticos. Em maior ou menor escala, o que aí está, sempre aqui esteve. O que deixou saudade para muita gente foi o modelo de campanha eleitoral, principalmente os comícios que mobilizavam os bairros da Capital e cidades inteiras do Interior. Algumas chegavam a decretar feriado quando o comício era de candidato muito popular como Getúlio Vargas, Jânio Quadros, Adhemar de Barros, Juscelino Kubitschek etc. A propaganda no rádio era resultado de produções do melhor bom gosto. Verdadeiras novelas seriadas, com capítulos diários de 5 minutos irradiados geralmente três vezes ao dia e aguardados com ansiedade. Ouçam trecho da propaganda de um dos candidatos ao governo de São Paulo em 1950. O texto é do genial Osvaldo Moles, narração Randal Juliano, uma das vozes mais bonitas do rádio daqueles tempos, interpretação musical do Trio Madrigal que veio do Rio de Janeiro especialmente para essa gravação:

Em compensação, um quarto de século mais tarde, graças as novas regras impostas pelo regime militar para a propaganda eleitoral, ficamos assim:

Durante meia hora os candidatos da Arena e depois mais meia hora com a turma do MDB. Imagine uma hora escutando isso! Lembrando que a Arena e o MDB foram criados em 1966 acabando com o multipartidarismo no Brasil. A Arena era o partido do governo e o MDB agrupava a oposição. Em 1979 o bipartidarismo foi revogado e a Arena foi rebatizada de PDS e o MDB virou PMDB e para fazer-lhes companhia foram criadas dezenas de novas agremiações, algumas com o único objetivo de alugar seus espaços no rádio e na tv a quem pagar mais, não importando a que corrente ideológica pertença.

DIVIDIR O PODER? POIS SIM!

terça-feira, setembro 19th, 2017

PARLAMENTARISMO

No dia 11 de setembro de 1961, o programa da Rádio Bandeirantes A Marcha dos Acontecimentos, em edição especial, focalizou os tumultuados acontecimentos daquela semana culminando com a eleição do primeiro ministro do regime de governo que acabara de ser criado no Brasil:

Durou pouco o regime parlamentarista aprovado pelo Congresso no dia 02 de setembro de 1961, isto é, apenas 17 meses durante os quais o Brasil teve três primeiros-ministros: Tancredo Neves, Brochado da Rocha e Hermes Lima. Já se vê, as disputas por espaços políticos no Brasil independem do regime de governo. Anteriormente o País já vivera a experiência do Parlamentarismo, a partir de 1847, durante o reinado de Dom Pedro II. Ocorre que o imperador detinha o direito de dissolver a Câmara dos Deputados quando bem lhe conviesse, especialmente em derrotas nas eleições, além disso o Conselho de Ministros era subordinado à escolha de Dom Pedro II. Isso significa que aquele foi um parlamentarismo às avessas que o Brasil adotou e que terminou com a Proclamação da República em 1889. E teve uma terceira tentativa de se restabelecer o Parlamentarismo no Brasil por intermédio de um plebiscito realizado no dia 21 de abril de 1963, rejeitado pela população que optou pelo regime republicano e pelo sistema presidencialista, ainda vigentes.

PAI DA GOTINHA QUE SALVA

terça-feira, setembro 12th, 2017

Dr Albert Sabin 1969

Albert Bruce Sabin, nascido em agosto de 1906 numa cidade do interior da Rússia, hoje pertencente à Polônia, formou-se em medicina pela Universidade de Nova York e dedicou toda sua vida na área de pesquisas, especialmente de doenças infecciosas. Foi o primeiro a isolar o vírus da dengue, mas, notabilizou-se pela descoberta de um outro vírus que possibilitou a fabricação da vacina que livrou o mundo da poliomielite, a paralisia infantil que, em verdade, também vitimava os adultos. Poderia ter ficado milionário, porém, renunciou aos direitos de patente da vacina que criou, possibilitando que crianças do mundo inteiro pudessem recebe-la de modo a se livrar da terrível doença. Ele veio muitas vezes ao Brasil e acabou se casando, em 1972, com uma brasileira, Heloisa Dunshee de Abranches. A Rádio Bandeirantes sempre manteve um posto avançado nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos cercando as figuras importantes que por eles transitavam, e o dr. Albert Sabin foi um que não escapou a vigilância do repórter Amorim Filho. Ocorreu no dia 26 de agosto de 1991 e observem que o extraordinário cientista até arriscou umas palavras em português:

Em 1993, dois anos depois dessa entrevista, o dr. Albert Sabin morreu de ataque cardíaco, aos 86 anos, em sua casa em Washington. No mesmo ano foi fundado naquela cidade o Instituto Sabin de Vacinas visando dar prosseguimento às pesquisas sobre vacinas e, ao mesmo tempo, perpetuar o legado construído por ele.

IMBATÍVEL NO ROMANCE FICCIONAL

terça-feira, setembro 5th, 2017

JORGE AMADO

O escritor Jorge Amado, um dos mais importantes da literatura brasileira, esteve muitas vezes em São Paulo, uma delas no dia 02 de setembro de 1988, para lançar um livro que tinha nada menos que quatro títulos: O sumiço da Santa, Berlinda de Fanáticos e Puritanos, Visitação de Inhansã a Cidade da Bahia e A Guerra dos Santos. A repórter da Rádio Bandeirantes Vera Lúcia Fiordoliva achou um exagero tantos títulos para um só livro:

Jorge Amado, nascido em Itabuna, Bahia, em 1912, morreu em Salvador em agosto de 2001. É um dos escritores brasileiros mais traduzidos pelo mundo afora. Integrou os quadros da intelectualidade comunista brasileira desde muito jovem e sua ideologia está presente em várias de suas obras. Retrato fiel de sua tendência está no relato dos moradores do trapiche baiano em sua obra Capitães de Areia, lançada em 1937, que lhe deu muita dor de cabeça durante a ditadura Vargas. Também deve ser dito que é o autor mais adaptado do cinema, do teatro e da televisão bastando lembrar Dona Flor e Seus Dois Maridos, Tieta do Agreste, Gabriela Cravo e Canela, Tenda dos Milagres e Tereza Batista Cansada de Guerra. Quarenta e nove livros editados, só superado em vendagem por Paulo Coelho. Porém, em seu estilo, que é o romance ficcional, Jorge Amado não tem paralelo no Brasil.