Arquiva no mês junho, 2016

CASSAÇÃO INEXPLICÁVEL

quarta-feira, junho 29th, 2016

tarqui

Popularmente conhecida como Ponte do Mar Pequeno, fazendo a ligação dos municípios de São Vicente e Praia Grande, o nome oficial daquela ponte é Esmeraldo Tarquínio, que foi prefeito de Santos eleito em 1968 com cerca de 40% dos votos válidos. Ocorre que, por não estar alinhado com as diretrizes do governo militar de 64, ele teve o mandato cassado em março de 69, antes mesmo de assumir o cargo.
Tarquínio integrava o MDB, partido de oposição, lembrando que no Brasil vigia o bipartidarismo e a ARENA era o partido que apoiava o governo. Em agosto de 1979 o presidente João Batista Figueiredo decretou a anistia ampla, geral e irrestrita libertando os presos políticos, revogando as cassações e permitindo a volta dos exilados. Diante da nova situação o MDB realizou uma importante convenção na cidade de Santos, justo no dia em que o alvinegro tinha importante compromisso em seu estádio. Tarquínio, fanático torcedor do Santos, deu um jeitinho para participar dos dois eventos:

FALHA IMPERDOÁVEL

terça-feira, junho 21st, 2016

antiga viatura policial

Um dos maiores vexames protagonizado pela cúpula policial de São Paulo ocorreu no dia 13 de junho de 1950 quando foram entregues a cidade 40 novas viaturas de rádio patrulha, metade para a Guarda Civil e metade para a Força Pública. A grande novidade era um equipamento ultra moderno de rádio comunicação que permitiria contato rápido e perfeitamente audível entre as viaturas e a central de policiamento. O açodamento, comum nas carreiras onde a meritocracia não é levada em conta para efeito de promoções, fez o delegado Laudelino de Abreu, chefe do Serviço de Rádio Patrulha, apressar a entrega dos carros sem os devidos testes e para sensibilizar o governador Adhemar de Barros, sabendo da sua devoção católica, escolheu uma data santificada para a cerimônia, 13 de junho, dia de Santo Antonio. Com toda a imprensa de São Paulo presente, mais um batalhão de autoridades e de curiosos, na hora mais aguardada deu-se a falha que em hipótese alguma poderia ocorrer:

Contrariado, mas sem perder o bom humor, o governador Adhemar de Barros disse ao secretário Adroaldo Maia: “Vocês escolheram a data errada meu filho. Hoje é dia de Santo Antonio que somente se ocupa com casamentos. Esse negócio aqui exige mão de obra especializada. A data certa é 28 de outubro. São Judas é que cuida das causas impossíveis”.

ELA NÃO LEVAVA DESAFORO PRÁ CASA

terça-feira, junho 14th, 2016

conceicaoalesp

Quem imagina que essa rotineira troca de ofensas e palavrões que tem ocorrido entre parlamentares na Câmara Federal e no Senado é coisa recente está inteiramente equivocado. Desde os tempos do Império o destempero já foi o registro mais significativo em milhares de sessões tanto na Câmara quanto no Senado, assim como nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais. A título de ilustração, entre centenas de casos arquivados no Centro de Documentação e Memória da Rádio Bandeirantes, o CEDOM, destacamos um tumulto no plenário da Assembleia Legislativa paulista no dia 10 de agosto de 1950 protagonizado pelos deputados Juvenal Sayão, Derville Allegretti e Conce ição Santamaria por causa de fraudes e evasão de impostos que, segundo Sayão, Derville estaria praticando sob proteção de seu mandato parlamentar. Conceição tomou as dores do acusado e o tempo fechou no palácio 9 de Julho:

Conceição Santamaria, que ao separar-se do marido retomou o nome de solteira, Conceição da Costa Neves, além de intransigente era muito agressiva o que levou-a a protagonizar vários tumultos no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo como também em programas de rádio e televisão como aconteceu em julho de 1967 nos estúdios da TV Paulista. Debatendo com o coronel Américo Fontenelle, que havia realizado um trabalho polêmico no trânsito da Capital, ela foi tão dura e tão áspera que acabou enfartando o interlocutor que morreu antes de ser socorrido. Conceição da Costa Neves morreu no dia 15 de julho de 1989

O TRISTE APAGAR DAS LUZES

terça-feira, junho 7th, 2016

baltazar

Um dos finais de carreira mais melancólicos do futebol brasileiro ocorreu com o ídolo do Corinthians e da seleção brasileira, Oswaldo Silva, o Baltazar “Cabecinha de Ouro”. Em 1955, já consagrado, Baltazar era um dos motivos de estádio cheio em dias de jogos do alvinegro do parque São Jorge. Pelo torneio Charles Miller, no dia 06 de julho de 1955, o América do Rio foi derrotado pelo Corinthians no Pacaembú por 3 a 1. Baltazar deixou o seu, confira na narração de Fiori Gigliotti:

Baltazar jogou no Corinthians durante 12 anos, até 1957 e, em final de carreira, atuou pelo Juventus, Jabaquara e pendurou as chuteiras no União Paulista em 1959. Seis anos mais tarde foi convidado a voltar ao Corinthians como auxiliar técnico sendo efetivado como titular em 1970. Foi Baltazar quem dirigiu o Corinthians no clássico em que derrotou o São Paulo por 1 a 0 no dia 06 de junho de 1971 pelo campeonato paulista considerado até hoje um dos jogos mais emocionantes entre as duas equipes em toda a historia desse emblemático confronto. Fiori Gigliotti com sua narração inconfundível deu mais emoção ao espetáculo:

Mas no futebol, como nas gangorras, um dia o time está em cima, no outro lá embaixo. E quando a gangorra desceu, Baltazar caiu em desgraça, foi demitido, tentou a carreira de técnico em equipes menores, tudo sem sucesso. Fora dos gramados, passando por dificuldades, se defendeu como pôde vendendo livros, fazendo biscates até que conseguiu uma vaga de carcereiro no extinto presídio do Carandirú. Pobre, triste e esquecido, Baltazar, que já tinha sido tão aplaudido nos estádios, morreu no dia 25 de março de 1971.