Arquiva no mês maio, 2016

POVO DECRETA O FIM DA DITADURA

terça-feira, maio 31st, 2016

João Batista

O processo de redemocratização do País, que vinha sendo governado por militares desde a deposição de João Goulart em 1964, começou timidamente com o quarto presidente revolucionário, general Ernesto Geisel. Porém quem concluiu o processo foi seu sucessor, general João Baptista de Figueiredo, último presidente do período ditatorial militar. Foi ele quem promoveu a anistia aos punidos pelo Ato Institucional n° 5 que havia sido baixado pelo 2° presidente militar, marechal Arthur da Costa e Silva. João Baptista também extinguiu o bipartidarismo permitindo a criação de novos partidos – até então só existiam o PSD, antiga ARENA que era o partido do governo, e MDB partido de oposição. O movimento determinante para a restauração plena da democracia ocorreu a partir de 31 de março de 1983 na cidade pernambucana de Abreu de Lima, um comício com a presença de apenas 100 pessoas reivindicando eleições diretas para a presidência da República. A sementinha germinou e dezenas de outros comícios foram realizados por todo o Brasil culminando com o encontro pelas Diretas Já, no Vale do Anhangabaú, no dia 16 de abril de 1984 com a presença de 1 milhão e meio de pessoas. O governo militar não tinha mais como resistir ao clamor das ruas e no mesmo dia desse último comício, o presidente João Baptista de Figueiredo deu a resposta que a nação aguardava:

Esse foi o capítulo final de uma longa história. O reinício do período democrático deu-se a partir da eleição de Tancredo Neves que foi eleito em 1985, de forma indireta, pelo Colégio Eleitoral de acordo com a Constituição, ainda, a de 1967. Tancredo adoeceu na véspera de sua posse e acabou falecendo algumas semanas mais tarde. Quem assumiu foi o vice, José Sarney, que durante todo o período da ditadura militar pertenceu aos quadros da Arena e posteriormente PSD, ou seja, era alinhado com os militares do Poder e acabou se beneficiando da conquista daqueles lutaram contra a ditadura. Mas essa já é uma outra história.

COMO SABER SE A PESSOA ESTÁ MORTA

terça-feira, maio 24th, 2016

ZERBINI

No dia 26 de maio de 1968, a equipe do Dr. Euryclides de Jesus Zerbini realizou o primeiro transplante de coração da América Latina colocando o País entre os principais centros de transplantes cardíacos do planeta. Constatada a morte do doador a transferência do coração para o receptor precisa ser feita com a máxima urgência e esse fato despertou uma discussão apaixonada pelo Brasil afora: Como é que o médico tem certeza de que a pessoa está morta e sua parada cardíaca não pode ser revertida? A esse respeito o repórter da rádio Bandeirantes, Pedro Luis Ronco, conversou com o professor Euryclides Zerbini:

Em 58 anos de carreira, o professor Zerbini realizou, junto com sua equipe, mais de 40 mil cirurgias cardíacas e recebeu por seus trabalhos pioneiros, 125 títulos honoríficos e inúmeras homenagens de governos de todo o mundo. . Costumava dizer que morreria operando – e quase cumpriu o vaticínio. Faleceu de câncer em outubro de 1993, aos 81 anos, no próprio hospital que criou, inaugurou e dirigiu – o Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

GOL QUE CUNHOU UMA FRASE

terça-feira, maio 17th, 2016

placa do gol

“Gol de placa” se diz quando o gol é extremamente bonito e de difícil feitura. A origem da frase foi por causa de um gol do eterno rei Pelé marcado no Maracanã na partida em que o Fluminense foi derrotado pelo Santos por 3 a 1 em jogo válido pelo Torneio Rio São Paulo no dia 05 de março de 1961. O gol ocorreu aos 40 minutos do primeiro tempo e foi o segundo de Pelé naquela disputa e o primeiro gol no Brasil a ser homenageado com uma placa. A rádio Bandeirantes eternizou aquele momento narrado por Pedro Luis e o mantém em seu Centro de Documentação e Memória – Cedom:

Pelé tinha 20 anos de idade quando fez esse gol que lhe rendeu a placa que se encontra no saguão de entrada do Maracanã. Os 130 mil torcedores que vaiavam o “rei” cada vez que ele pegava na bola, passaram a aplaudi-lo em pé. O jornalista Joelmir Beting, a quem é atribuída a autoria da expressão “gol de prata”, dizia sempre que ele era o autor da placa do gol e Pelé autor do gol da placa, quanto a expressão gol de placa, ela não tem dono, surgiu da criatividade dos próprios torcedores.

BRASIL DECLARA GUERRA

terça-feira, maio 10th, 2016

Símbolo FEB

1942, o mundo entrava no terceiro ano de uma guerra que se espalhara por todos os continentes. Apesar do Brasil ter se mantido neutro, até então, navios mercantes foram torpedeados em nosso próprio mar territorial fortalecendo a necessidade de uma tomada de posição do presidente Getúlio Vargas. Movimentos estudantis em favor da causa aliada pressionando o governo, e, uma reunião dos chanceleres de todos os países das três Américas realizada no Rio de Janeiro foram decisivas para que Getúlio deixasse a omissão de lado. Ao término do encontro de chanceleres, o representante do México, Antonio Padilha, falou em nome de seus pares:

A clássica burocracia brasileira e a necessidade do treinamento de nossos soldados nos Estados Unidos, atrasaram muito o embarque do 1° escalão com um total de 5 mil homens com destino à Itália o que se deu na noite de 30 de junho de 1944. No mês seguinte mais dois escalões foram embarcados e até o começo de 1945 outros dois num total de cinco. Além do Exército a Aeronáutica também participou com cerca de 400 homens. O total da Força Expedicionária Brasileira – FEB – combatendo na Itália durante a segunda guerra foi de 25 mil homens dos quais 454 foram mortos em combate.

A CRIATIVIDADE DA PROPAGANDA ELEITORAL

quarta-feira, maio 4th, 2016

URNA

Dia 02 de outubro será realizado o primeiro turno das eleições municipais em todo o  Brasil.  Essa data tem variado muito desde a eleição do primeiro prefeito da Capital,  Antonio da Silva Prado, no dia 14 de dezembro de 1907.   Em 1953, por exemplo,  o pleito foi no dia 22 de março e naquela ocasião concorreram ao cargo de prefeito de São Paulo,  Ortiz Monteiro, André Nunes Júnior, o médico  Francisco Cardoso que era apoiado pelo governador Lucas Nogueira Garcez e pelo ex-governador Ademar de Barros e por último um vereador pouco conhecido chamado Jânio Quadros.  A propaganda de Francisco Cardoso invadiu o rádio e permanece até hoje preservada nos arquivos do CEDOM – Centro de Documentação e Memória da Bandeirantes –  o mais rico acervo do rádio brasileiro:

Mesmo com o peso do apoio das grandes lideranças políticas da ocasião, Jânio surpreendentemente derrotou a todos e mais surpreendente, ainda,  foi sua decisão de abandonar o cargo na metade do mandato para se candidatar a governador,  provocando um verdadeiro imbróglio na administração da cidade uma vez que o vice de Jânio, general Porfírio da Paz,  recusou-se a assumir a prefeitura   decidindo  ser o vice de  Jânio na campanha para o governo do Estado.  Nessas condições virou prefeito interino o presidente da Câmara William Salem. Realizada nova eleição, para um mandato complementar ao de Jânio, foi eleito Juvenal Lino de Matos que assumiu por somente uma semana.  Ele era senador e só depois de eleito prefeito é que se deu conta de  que o mandato no senado lhe seria mais vantajoso.  Com sua renúncia assumiu o vice eleito com ele, Waldemar Toledo Piza.

A propaganda eleitoral que hoje é gratuita para os candidatos e a cessão do espaço é obrigatória recaindo o ônus sobre as emissoras de rádio e televisão, no passado era paga.  Os candidatos se esmeravam nas mensagens, algumas de muito bom gosto, outras nem tanto.  Detalhe, que variava de acordo com as finanças do partido,  era o tamanho da propaganda que ia do texto de 15 segundos até verdadeiras novelas como a do dr. Adhemar de Barros candidato a prefeito nas eleições de março de 1957:

Em 1957 os candidatos mais fortes a prefeitura de São Paulo foram  Francisco Prestes Maia, Pedroso Horta e Adhemar de Barros. Este último foi o vitorioso assumindo o cargo em abril daquele ano nele permanecendo até 07 de março de 1961. Logo após elegeu-se governador do Estado pela segunda vez.