Arquiva no mês março, 2016

ROUND FINAL

terça-feira, março 29th, 2016

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Para os entendidos, o maior pugilista brasileiro na categoria dos pesos pesados continua sendo Luis Faustino Pires, um simpático grandalhão mineiro que veio muito jovem para São Paulo onde ingressou na Polícia Militar e se aposentou como sargento. Ao longo de sua carreira enfrentou muitos famosos, entre eles George Foreman que estava no auge da carreira. Pouco depois da luta com Faustino, Foreman conquistou o cinturão mundial demolindo Joe Frazier. Luis Faustino chegou a ser apontado como favorito nessa luta mas logo no primeiro assalto teve o braço esquerdo fraturado por Foreman e mesmo assim prosseguiu até o quarto assalto quando o árbitro resolveu interromper. Outros duros adversários que Faustino teve pela frente foram o argentino Oscar Ringo Bonavena, o norte americano Ernie Terrel, Ron Lyle e o uruguaio Domingos Silveira, este último no dia 30 de junho de 1973 defendendo seu título sulamericano. A Bandeirantes transmitiu com Alexandre Santos, Luis Augusto Maltoni e Chico de Assis:

Luis Faustino Pires tinha uns métodos esquisitos de preparação física. Um deles consistia em rachar lenha de madeira dura, geralmente dormentes de peroba ou aroeira desativados pelas estradas de ferro, usando machado sem corte para exigir o máximo de sua força muscular. Começou como amador em 1960 e em 1970 profissionalizou-se e nesse mesmo ano conquistou o título sulamericano cinturão que manteve até 1982. Luis Faustino morreu no dia 12 de outubro de 2006, pobre e absolutamente esquecido.

CAVALEIRO DA ESPERANÇA

terça-feira, março 22nd, 2016

PRESTES

Há 91 anos a Coluna Prestes entrava no Estado de Mato Grosso depois de atravessar o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Aquele foi um movimento que contou com lideranças das mais diversas correntes políticas, a maior parte composta por capitães e tenentes do Exército, que deslocou-se pelo interior do país pregando reformas políticas e sociais e combatendo o governo do então presidente Arthur Bernardes e posteriormente o do seu sucessor Washington Luiz. O líder da Coluna era Luis Carlos Prestes e segundo muitos historiadores ela percorreu 30 mil quilômetros a pé, abrindo picadas pelo interior do Brasil. Luis Carlos Prestes, modesto, corrigiu esses números numa longa entrevista para o repórter Bahia Filho da rádio Bandeirantes:


Os integrantes da Coluna Prestes denunciavam a pobreza da população e a sua exploração pelas lideranças políticas da época. Também exigia o voto secreto, como é hoje, defendia o ensino público e a obrigatoriedade do primário para toda a população. Sua marcha durou dois anos, de 1925 a 1927.
Luis Carlos Prestes faleceu no Rio de Janeiro no dia 07 de março de 1990 com 92 anos de idade.

RENÚNCIA MAL EXPLICADA

terça-feira, março 15th, 2016

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Há exatamente 54 anos, no dia 15 de março de 1962, foi formada, sem ser obrigatória, uma das maiores redes de rádio e TV que se tem notícia aqui no Brasil. Surpreendeu o fato de que entraram em cadeia todos os canais de televisão de São Paulo, cinco à época, além de quase todas as emissoras de rádio da Capital. Tudo para ouvir as explicações de Jânio Quadros sobre os fatos que o levaram a renunciar à presidência da República. Foi a primeira declaração pública de Jânio sobre sua renúncia e ele já começou dizendo que para se manter no cargo, sem sucumbir ao assédio impiedoso de deputados e senadores em busca de favorecimentos pessoais, é preciso se aliar a forças celestiais. Só existem três saídas depois que se é empossado, segundo o que disse Jânio naquela noite:

“Adesão aos acordos, renúncia ou suicídio. Como não compactuo com bandidos e como tenho medo da morte, preferi a renúncia”. Em resumo foi o que disse Jânio naquela noite, versão que sustentou a vida inteira. Verdade, mentira ou meia verdade? Só ele sabia as razões da sua surpreendente decisão e ele as levou consigo.

A MUSA DA BOSSA NOVA

terça-feira, março 8th, 2016

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Há 04 décadas dois jovens talentos, ele com 23 e ela com 24 anos, se consagravam ao obter o primeiro lugar no Festival de Música Popular Brasileira empatando com Disparada de Geraldo Vandré defendida por Jair Rodrigues. Esse casal era Nara Leão e Chico Buarque de Holanda e a consagração foi com a música do Chico, A Banda, que o Brasil inteiro cantou.
Nara não tinha uma voz potente e nem mesmo era das mais afinadas, mas lhe sobrava bossa, por isso mesmo se dedicava a cantar em roda de amigos, apenas isso…

Nara Leão, capixaba de Vitória, nascida em 1942 morreu em junho de 1989 aos 47 anos de idade e ainda hoje seus discos tem boa procura.

A PRIMEIRA ESCOLINHA DO RÁDIO

terça-feira, março 1st, 2016

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Vital Fernandes da Silva, o Nhô Totico, foi um dos nomes mais populares do rádio de São Paulo, mesmo sendo amador e fazendo programas numa rádio pirata que tinha alcance muito reduzido. Um estúdio improvisado foi montado na garagem da casa do sr. Olavo Fontoura por um de seus filhos, e de lá eram transmitidas músicas e programinhas sem compromisso, como também não havia compromisso de horário nem para os programas e nem mesmo para a rádio entrar e sair do ar. Ficava numa rua do Jardim Paulista e certo dia os acadêmicos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco indicaram Nhô Totico, conhecido deles mas não estudante, e por brincadeira ele começou a fazer um programa chamado Escola da Dona Olinda onde interpretava todos os personagens, professora e alunos, e tudo de improviso. Esse programa foi o precursor de tudo quanto foi escolinha como pano de fundo, nos programas de rádio e TV que vieram depois. Virou a coqueluche da cidade e assim foi por uns 10 anos até que, considerado idoso pelos “jovens” que se sucedem em hordas avassaladoras neste País, foi descartado e ficou esquecido completamente. Em 1977, por sugestão de um ouvinte manifestada numa carta, procurei Nhô Totico em sua confortável casa, térrea e cercada de imenso jardim e muitas frutas, em pleno bairro do Campo Belo, contrastando com a imensidão dos prédios que já tinham tomado conta da região. Ele me reviveu naquela manhã os personagens que interpretava na DKI – “A voz do Juquerí”, a rádio clandestina lá de 1931:

A tal DKI, rádio pirata, por causa do Nhô Totico ficou tão famosa e tão ouvida que os irmãos Fontoura – os mesmos do laboratório de medicamentos famoso – tiveram de regulariza-la dando origem à atual rádio Cultura. Vital Fernandes da Silva, o Nhô Totico, nascido em 1903 em Descalvado – SP, morreu em 1996 na Capital.