Arquiva no mês fevereiro, 2015

VIROU NA RUA AUGUSTA A 120 POR HORA

quinta-feira, fevereiro 26th, 2015

Hervê

E depois de virar na rua Augusta em tamanha velocidade, ainda fez curvas em duas rodas num carro sem breque, sem farol e sem buzina e com três pneus carecas. Virou sucesso nacional tanto o pai quanto o filho não pela proeza porque essa estória só existiu na ficção musical. Rua Augusta, composta pelo pianista, maestro e compositor Hervê Cordovil foi gravada por seu filho primogênito Ronnie Cord em 1963 e ganhou as paradas musicais do Brasil inteiro.
Hervê, mineiro de Viçosa onde nasceu em 1914, menino ainda mudou-se com a família para o Rio de Janeiro onde completou os primeiros estudos e a seguir cursou Direito em Niterói. Advogou durante certo tempo em Manhuaçu (MG) e lá casou-se com Daicy Portugal com quem teve 4 filhos, um deles já falecido, Ronnie, que se tornaria figura importante do movimento pop brasileiro que se estruturou em torno da jovem guarda a partir de 1965.
Eu conheci o maestro Hervê por volta de 1962 quando dava os primeiros passos no rádio, no departamento esportivo da rádio Record comandado pelo querido Geraldo José de Almeida. Num grande estúdio da emissora onde era apresentado aos domingos, ao vivo, o rádio teatro Manoel Durães havia um piano de cauda onde eu me aventurava sempre, às escondidas, a executar umas valsinhas aprendidas no acordeon nos tempos de adolescência. Volta e meia me ajudava na tarefa, corrigindo os erros de compasso, o sanfoneiro Nininho, integrante do trio Torres, Florêncio e Nininho que tinha programa tres vezes por semana após o nosso que era irradiado das 18,00 às 18,30. Volta e meia, passando pelos corredores e ouvindo alguém no piano, o maestro Hervê abria a porta do estúdio sorrateiramente e lá vinha bronca: “desafinando o piano de novo?” Dia sim dia não, levava um “pito” ora do maestro Hervê, ora do maestro Ciro Pereira. Mas, seguida da bronca vinha a aula de ambos, sempre bem humorados e gentís. Gravei muitas vezes nossas conversas e principalmente as aulas, que era o que me interessava para poder decorar as notas musicais com mais facilidade. Hoje são documentos preciosos que guardo com muito carinho. Um amigo inseparável do maestro Hervê Cordovil nessa época era o produtor Osvaldo Molles, dono de um texto poético maravilhoso retratando o cotidiano e o linguajar das pessoas que viviam nos cortiços e malocas da cidade:


O maestro Hervê Cordovil morreu em julho de 1979. Deixou uma grande lembrança e uma vasta lista de composições, entre elas Pé de Manacá, A Vida de Viajante, Sabiá la na Gaiola, Cabeça Inchada, Me Leva, a já citada Rua Augusta e muitas outras

MENINO DA PORTEIRA

sábado, fevereiro 14th, 2015

Sergio Reis

A primeira vez que Sérgio Reis se apresentou no rádio foi na Bandeirantes, em 1958, no programa Enzo de Almeida Passos.  Ainda era Sérgio Basini e cantava boleros e baladas tendo adotado até um pseudônimo estrangeirado para ver se emplacava, Johnny Johnson, mas não conseguia sair do anonimato. O próprio Enzo levou Sérgio, certo dia, ao produtor Palmeira que de cara tratou de mudar o nome Sérgio Basini para Sérgio Reis, sacando o sobrenome paterno e acrescentando o materno. O primeiro disco, em 1961, foi um fracasso.  Levado pelo produtor Tony Campelo para a Odeon, lá gravou um compacto com 4 músicas de sua autoria, uma delas Coração de Papel que foi um estouro nacional.  Alguns anos depois, já em 1972, voltou a fazer relativo sucesso com uma versão, O Menino da Gaita e no ano seguinte consagrou-se no gênero sertanejo ao gravar O Menino da Porteira, de Teddy Vieira e Luizinho.  Em 1976 estava no auge ao participar do filme O Menino da Porteira que bateu recordes de bilheteria.  Em meados de 1977 o então diretor artístico da Bandeirantes convidou Sérgio para comandar um programa diário as 5 horas da manhã.  Sérgio aceitou e teve, antes de mais nada, de gravar um piloto do referido programa:

Para surpresa geral, principalmente de Sérgio, Hélio Ribeiro, autor do projeto  do programa e do convite a Sérgio para comanda-lo, não gostou e mandou engavetar tudo até uma nova oportunidade.  A nova oportunidade nunca ocorreu e o que restou do projeto foi o piloto do programa que permanece guardado com carinho no Centro de Documentação e Memória da rádio Bandeirantes – CEDOM

 

 

PEÇA O SEU GOL

sexta-feira, fevereiro 6th, 2015

 

Darcy Reis, narrador esportivo que dirigiu o departamento de esportes da Bandeirantes durante muitos anos, também teve um “piloto”  de programa  engavetado  por não ter sido aprovado pela direção artística da rádio Bandeirantes, que tinha total poder de decisão sobre a programação geral da emissora.  Foi no finalzinho de 1977 que Darcy gravou esse “piloto” denominado “Peça o seu gol”:

 

 

 

Darcy Reis, apesar  do alto cargo que ocupava como chefe do Scratch do Rádio, por seu gênio tranquilo, de boa índole, não se abateu e muito menos guardou mágoa por ter tido  uma idéia  vetada  por um companheiro de trabalho.  Seguiu sua rotina de trabalho e ainda deu muita contribuição à Bandeirantes.   “Peça o seu gol”, que nunca foi ao ar, permanece guardado com muito carinho no Centro de Documentação e Memória da Rádio Bandeirantes.  Darcy Reys faleceu no dia 29 de abril de 1989.