Arquiva no mês dezembro, 2014

SIMONAL, O INSUPERÁVEL REI DA PILANTRAGEM

sexta-feira, dezembro 26th, 2014

SIMONAL

A década de 60 revelou uma quantidade imensa de bons compositores e intérpretes de MPB. Da imensa constelação, destaque para aquele que se auto intitulava “rei da pilantragem”, Wilson Simonal. Seu prestígio era tão grande que ganhou dois programas exclusivos na TV Record, Show em Si…Monal e Vamos S,imbora apresentados entre 1966 e 1969, e, em 1970 na TV Tupy, Spot Light. Para dar dimensão de sua importância, basta dizer que Simonal assinou na ocasião o maior contrato de publicidade de um artista brasileiro fechado com a anglo holandesa Shell.

No programa Spot Light, que comandava em 1970, no auge da fama, Wilson Simonal recebeu a mega estrela norte americana Sarah Vaughan com quem fez dueto e uma divertidíssima entrevista:

Em 1971 um ex empresário de Simonal, com o qual o cantor estava em litígio judicial, foi agredido por agentes do DOPS, órgão da polícia civil de São Paulo à serviço da ditadura militar e logo surgiu a versão de que Simonal estaria por detrás daquela agressão. A partir de então o artista sofreu a mais brutal e cruel das perseguições orquestrada pelos militantes de esquerda infiltrados na imprensa e nos meios culturais. Simonal, falecido no ano de 2000, sempre protestou inocência jurando jamais ter colaborado com o regime golpista de 64 como quiseram lhe imputar. Acabou, depois de alguns anos, redimido pela verdade dos fatos e dos documentos, porém já era tarde demais. Seus algozes já haviam conseguido destruir a sua carreira. A última entrevista de Wilson Simonal foi concedida à produtora do programa Memória da rádio Bandeirantes AM/SP, Débora Raposo

Wilson Simonal de Castro, carioca, nascido no dia 26 de janeiro de 1939 morreu em São Paulo no dia 25 de junho de 2000. Ele foi uma das grandes expressões artísticas de meados da década de 60 até início dos anos 70, período curto mas extremamente fértil, o suficiente para ter seu nome definitivamente inscrito na constelação de astros da MPB

INCOMPREENSÍVEL TAMANHA INGRATIDÃO

segunda-feira, dezembro 15th, 2014
Filpo Nuñes e o Palmeiras vestido de seleção brasileira

Filpo Nuñes e o Palmeiras vestido de seleção brasileira. Divulgação/Palmeiras


O Palmeiras de hoje não é uma pálida lembrança do grande Palmeiras de 1965 cujo futebol era tão exuberante que coube à ele representar o Brasil em dois amistosos internacionais, vencendo a ambos, Paraguai por 5 a 2 e Uruguai por 3 a 0. O jogo contra a seleção uruguaia foi no dia 7 de setembro de 1965 em Belo Horizonte, inaugurando o estádio Magalhães Pinto, o Mineirão. O “periquito” vestiu-se de “canarinho” e todo seu elenco, incluindo massagista e técnico, representou com grande dignidade o futebol brasileiro naqueles dois jogos:

O Palmeiras era chamado de Academia de Futebol. Seu técnico, o argentino Nelson Ernesto Filpo Nuñes havia implantado um estilo de jogo avassalador que impunha goleadas implacáveis aos seus adversários, com um estilo que Filpo ora denominava de carrossel, e, quando variava, chamava de “pim-pam-pum” para melhor compreensão de seus jogadores. Esse técnico que deu tantas glórias ao Palmeiras, incluindo a suprema honra de representar o Brasil por causa de seu futebol primoroso, um dia foi dispensado, destino alías, de todos os técnicos. Só que Filpo era diferenciado, gostava do Palmeiras, acabou não dando mais certo em clube algum e acabou relegado a um segundo plano, perdendo o pouco que tinha e, por fim, morando de favor na casa de um projeto social existente na comunidade de Heliópolis. Nada disso, porém, o importunava tanto quanto a ingratidão do esquecimento. Até sua foto foi retirada da sala de troféus da S.E.Palmeiras, muitos dos quais conquistados graças à sua direta participação. Isso feriu muito a sua sensibilidade como contou a mim e ao repórter Alex Müller que o convenceu a participar de um programa noturno da rádio Bandeirantes, Balanço Geral, em janeiro de 1999, algumas semanas antes de seu falecimento:

Filpo Nuñes é hoje um retalho de imensa saudade daquele Palmeiras, que, treinado por ele, foi o melhor numa época em que o Santos de Gilmar, Pelé, Coutinho e Pepe e o Botafogo carioca de Manga, Nilton Santos, Didi, Garrinha eram considerados invencíveis. Em seus últimos tempos de vida treinava os meninos e meninas pobres da comunidade onde ele estava morando. Após sua morte, em março de 1999, em reconhecimento à sua dedicação e generosidade deram o nome de Filpo Nuñes ao Centro Esportivo de Heliópolis.

ALTHÉA BRILHOU NA INAUGURAÇÃO DA BANDEIRANTES

quarta-feira, dezembro 3rd, 2014

violino s

 

 

 

A edição de O Estado de São Paulo de 06 de maio de 1937, uma quinta feira, traz o anúncio de ¼ de página detalhando a programação de inauguração da rádio Bandeirantes que se daria naquela noite. Entre muitas outras atrações, estava programada a apresentação de uma jovem violinista, Althéa Alimonda, que tinha um grande número de admiradores na cidade, afinal, a música clássica estava enraizada no gosto da população, eram outros tempos, outra cultura:

 


 

Althéa Alimonda, nascida em 1919 em Araraquara, aos 9 anos de idade pegava o trem em sua cidade, saltava na estação da Luz, caminhava até a praça Clóvis Bevilacqua e lá apanhava um bonde para a zona leste onde ia tomar aulas de violino. Sua obstinação levou-a a conquistar uma bolsa de estudos aos 20 anos de idade, tendo sido a primeira brasileira a frequentar a Julliard School de Nova York. Ao retornar ao Brasil casou-se, em 1953, com o joalheiro Emílio Sayegh com quem teve 3 filhos. Althéa trabalhou muito para popularizar a música clássica com o evento Segundas Musicais. Nos anos 90 integrou a orquestra que acompanhava Roberto Carlos em seus shows e gravações. Ela morreu em maio de 2012, aos 92 anos de idade.