Arquiva no mês novembro, 2013

MINEIRO DA CAMPANHA

sexta-feira, novembro 22nd, 2013
Vital Brazil

Vital Brazil

Vital Brazil Mineiro da Campanha, nome estranho, ainda mais se sabendo que ele era mineiro nascido na cidade de Campanha. Explica-se a esquisitice pelo fato de que seu pai costumava homenagear as cidades colocando seus nomes nos filhos que nelas nasciam. Hoje as exigências cartoriais certamente impediriam esses registros, até para salvaguardar que no futuro as pessoas sejam vítimas de chacota por culpa do exagero cívico de seus pais. Na família de Vital Brazil nenhum dos irmãos escapou, sendo sua primeira irmã mulher registrada com o nome de Maria Gabriela do Vale do Sapucai, por ter ela nascida no Vale do Sapucai. Outra que nasceu no mesmo local chamou-se Iracema Ema do Vale do Sapucai porque além de homenagear a região seu pai também resolveu reverenciar as aves nativas de lá. Pior sobrou para a quarta filha, Judith Parasita de Caldas, nascida em Poços de Caldas como também a seguinte, Acácia Sensitiva Indígena de Ca ldas. De todos os irmãos o que se tornou mais popular, e não por causa do nome, foi Vital Brazil Mineiro da Campanha. Aliás, tornou-se uma das figuras mais respeitadas da ciência médica brasileira, reconhecido internacionalmente. No início de carreira dedicou-se como médico sanitarista ao combate a febre amarela e a peste bubônica que ceifavam milhares de vidas. Integrando as brigadas de combate à essas doenças percorreu muitas cidades do interior paulista e, numa delas, Botucatú, foi um dia chamado para socorrer uma jovem adolescente que tinha sido picada por cobra. Por falta de um antídoto adequado a jovem morreu e isso deixou-o muito abatido fazendo com que ele tomasse a decisão de se entregar às pesquisas para descobrir um soro de combate à peçonha das serpentes. Foi depois de muita entrega, de muitos sacrifícios, que finalmente ele sintetizou o soro antiofídico até hoje muito utilizado e extremamente eficaz, salvando da morte milhares de pessoas no Brasil e fora daqui.
Em 1949, estando acamado por enfermidade, ele não pôde comparecer a um programa na rádio Nacional carioca produzido em sua homenagem, porém, acompanhou tudo com muita atenção e ao final, por telefone, desejou agradecer. É o único registro gravado da voz do dr. Vital Brazil que eu conheço:


No dia 8 de maio de 1950, aos 85 anos de idade, o eminente cientista Vital Brazil viria a falecer no Rio de Janeiro. O Instituto Butantã, criado por ele, até hoje cumpre fielmente o papel para o qual foi fundado, fabricando vacinas para vários tipos de doenças transmissíveis, assim como antídotos contra veneno de cobras, aranhas e escorpiões também sintetizados por ele. É um nome que precisa ser reverenciado sempre

O AGOSTO MAIS TRÁGICO DO BRASIL

terça-feira, novembro 12th, 2013
Café Filho

Café Filho

João Café Filho, na qualidade de vice de Getúlio Vargas, assumiu a presidência da República em agosto de 1954 para completar o mandato do titular que havia se suicidado na manhã de 24 daquele mês. Após uma longa e tensa reunião extraordinária do ministério que varou a noite de 23, veio o desfecho inesperado na manhã de 24 justamente quando uma solução para a crise política do governo Getúlio parecia ter sido encontrada e consistia na sua licença por 90 dias da presidência da República. A crise motivada por denúncias continuadas de corrupção no governo, capitaneadas pelo jornalista Carlos Lacerda culminou com o atentado da rua Toneleros onde Lacerda resultou ferido e seu acompanhante, major da aeronáutica, Rubens Florentino Vaz foi morto. Atribuiu-se o atentado a elementos da guarda pessoal de Getúlio Vargas, cujo chefe era Gregório Fortunato. Encerrada aquela reunião ministerial, já alta madrugada, o potiguar João Café Filho, foi declarado presidente pelo período correspondente à licença de Getúlio e, com isso, acreditava-se que a crise estaria contornada. Puro engano! Nem 3 horas haviam decorrido:

Nunca no Brasil, em toda sua história, houve um impacto tão grande. Pelas ruas, nas cidades grandes e pequenas, a população manifestou a sua dor e a sua revolta. Nas capitais, especialmente o Rio de Janeiro e Porto Alegre, houve muitas depredações, confrontos com a polícia, tudo como forma de externar respeito ao presidente morto e repúdio aos que o sitiaram impiedosamente com toda sorte de acusações, entre eles o jornalista Carlos Lacerda que teve o edifício de seu jornal A Tribuna de Imprensa apedrejado pela população. Ao tomar conhecimento do suicídio de Vargas, o já empossado presidente João Café Filho dirigiu-se à nação por intermédio de uma cadeia de emissoras de rádio:

Com a morte de Getúlio, Café Filho foi confirmado no cargo de presidente da República pelo período correspondente ao restante do mandato de Vargas, porém, não o completou tendo se afastado do mesmo em novembro de 1955 por motivo de doença assumindo então a chefia de governo o terceiro na linha sucessória, o presidente da Câmara dos Deputados que, à época, era exercida por Carlos Luz.

BATEU, LEVOU

quarta-feira, novembro 6th, 2013

Orestes Quércia

Orestes Quércia


Jornal Gente, dia 16 de janeiro de 1991: à exemplo do que está acontecendo hoje com o IPTU paulistano, havia uma revolta geral pelo aumento exagerado que o governador Orestes Quércia havia determinado ao IPVA. Sendo muito criticado por aquela decisão pelos jornalistas Salomão Ésper e José Paulo de Andrade, Orestes Quércia resolveu comparecer pessoalmente ao jornal Gente, da rádio Bandeirantes, na certeza de que sua presença intimidaria os apresentadores, e, com isso, as críticas seriam minimizadas. Enganou-se.

Conhecido por seu destempero, Orestes Quércia protagonizou muitas discussões de baixíssimo nível não apenas na sua relação com os jornalistas, como também em reuniões partidárias onde rotineiramente, ao ter um ponto de vista contrariado, levantava a voz e de dedo em riste impunha suas idéias na base da valentia. Com Salomão Ésper e José Paulo de Andrade ele deu-se muito mal.