Arquiva no mês agosto, 2013

SÓ PRÁ VER A BANDA PASSAR

sexta-feira, agosto 30th, 2013
Parada Militar

Parada Militar

No passado a população inteira das grandes e das pequenas cidades ia para as ruas para assistir a parada militar de 7 de Setembro. Mais do que uma demonstração cívica, era glamoroso se postar junto ao meio fio, junto com toda a família, para ver o espetáculo dos colegiais marchando com garbo marcial, ao som da fanfarra ensaiada o ano inteiro para aquela hora e meia de apresentação pelas ruas e praças das cidades interioranas sendo que o fecho do desfile cabia sempre ao Tiro de Guerra local. Claro, também tinha o grupamento de escoteiros e, não podiam faltar, os discursos do prefeito , de algum vereador adesista e do orador oficial do col égio mais representativo da localidade. Verborrágicos à exaustão!

Na Capital, os desfiles, até meados da década de 70, eram espetáculos de enorme beleza dele participando a Força Pública, a Guarda Civil, Marinha, Exército e Aeronáutica, esta última, inclusive, proporcionando exibições maravilhosas dos aviões da FAB. Jipes, tanques de guerra, canhões, cavalaria, carros leves de combate davam às pessoas a ideia de que o Brasil era o País mais bem armado do mundo.

O tempo passou, os costumes mudaram, aulas de civismo não existem mais e, por medida de economia, só alguns aviões e uns poucos carros de combate são levados para os desfiles. Cada vez mais, menos gente tem ido aos desfiles de 7 de Setembro.

A parada militar de 7 de Setembro de 1980, em São Paulo, foi realizada na avenida Tiradentes que recebeu um grande público se comparado com os dias atuais. Quando as solenidades se encerraram o repórter da rádio Bandeirantes, já falecido, Berto Ferreira entrevistou várias das autoridades presentes, entre elas o general Túlio Chagas Nogueira que comandava a 2ª. Região Militar e o governador Paulo Maluf, cujo assunto preferido à época, era seu faraônico projeto de transferência da Capital do Estado:

Hoje as bandas e fanfarras são raras porque os prefeitos não as subsidiam mais. Preferem gastar em obras discutíveis porque o retorno eleitoreiro é mais consistente. Uma pena porque sem elas, as praças perderam muito de seu charme e também da alegria.

AVENTURAS DO GENERAL “NINI”

sexta-feira, agosto 23rd, 2013
General Newton Cruz

General Newton Cruz

No dia 17 de dezembro de 1983 o comandante Militar do Planalto, general Newton Cruz, convocou uma coletiva para falar sobre as medidas de emergência em vigor desde 19 de outubro daquele ano que tinham sido baixadas, em tese, para preservar a ordem pública. Em verdade visavam inibir as manifestações populares que exigiam o restabelecimento das eleições diretas. O repórter Honório Dantas, da rádio Planalto, pagou um alto preço por sua elogiável conduta diante do destemperado militar:

Episódios como esse protagonizado pelo general Newton Cruz, chamado por seus pares de NINI, existem muitos nos arquivos do CEDOM – Centro de Documentação e Memória da rádio Bandeirantes, como também de outras autoridades não menos toscas incluindo alguns presidentes da República, civis e fardados, e, também, prefeitos, deputados, senadores e governadores. Em momentos oportunos publicaremos neste blog outros acessos de estrelismo dos quais costumam ser atacados aqueles que sobem degraus acima da própria estatura.

SONHO QUE VIROU PESADELO

sexta-feira, agosto 16th, 2013

OSMAR ZAGUEIRO
Era um clássico do futebol paulista sem a mínima importância aquele Corinthians vs. São Paulo disputado no Pacaembú no dia 19 de agosto de 1973, até porque já estavam definidos os finalistas do campeonato paulista, naquele ano o Santos e a Portuguesa de Desportos. O técnico do São Paulo, José Poy, aproveitou o fato de que era apenas um cumprimento de tabela para lançar alguns estreantes, um deles o garoto Osmar, lateral revelado no C.A. Juventus:

O momento tão aguardado pelo jovem atleta, depois de amargar muitas “peneiras” e muitos sacrifícios para conciliar treinos com dispensas do trabalho, finalmente chegara, e, logo vestindo uma camisa gloriosa como a do São Paulo, de quebra jogando contra o Corinthians. Sua família também estava na arquibancada, razão dupla para tanta alegria. Osmar não podia imaginar que o destino àquela altura já havia traçado um atalho para frustrar o seu sonho:

Decorridos 40 minutos do momento da gravíssima contusão e o narrador Joseval Peixoto foi, mais uma vez, interrompido pelo jornalismo Bandeirantes, reconhecidamente o mais ágil do Brasil, e os torcedores do São Paulo nas arquibancadas com os radinhos colados nos ouvidos, choraram de emoção:

Nas estantes climatizadas do CEDOM – Centro de Documentação e Memória da rádio Bandeirantes – reportagens comoventes como essa existem às dezenas e são apresentadas frequentemente neste blog e nos programas Memória aos sábados às 23hs00, reprisados aos domingos às 05hs00 e Domingo Esportivo, com Milton Neves, a partir das 9 da manhã, ambos pela rádio Bandeirantes AM. À propósito de Osmar, ele voltaria a jogar novamente na zaga do São Paulo 2 anos mais tarde, em 1975.

QUERIDO SÍMBOLO DA TERRA

terça-feira, agosto 13th, 2013

               FOTO MAESTRO ANTONIO FRANCISCO BRAGA

Infelizmente no Brasil de hoje, de cujas escolas foram banidos os ensinamentos cívicos, ninguém sabe quem foi Antônio Francisco Braga, um carioca nascido no Rio de Janeiro em abril de 1868 que dedicou sua vida à música compondo, regendo e ensinando. Em 1890 o maestro Francisco Braga participou do concurso oficial para a escolha do Hino Nacional brasileiro tendo se classificado entre os quatro primeiros. Porém, foi em 1905 que ele compôs sua música mais fam osa sobre versos de Olavo Bilac e que as antigas gerações de escolares cantavam todos os dias antes ou no encerramento das aulas, o Hino à B andeira. Nos arquivos do Centro de Documentação e Memória da Rádio Bandeirantes – o CEDOM – tem uma entrevista do maestro Francisco Braga onde ele fala de sua emoção renovada, cada vez que ouvia um côro de crianças cantando o Hino à Bandeira que nasceu de sua parceria com Olavo Bilac:

O maestro Antônio Francisco Braga é autor, ainda, de várias obras clássicas como também algumas populares, e, entre estas, o conhecidíssimo dobrado Barão do Rio Branco que todas as corporações musicais, especialmente as militares, executam durante as solenidades oficiais e nos desfiles. Ele morreu em março de 1945 na mesma cidade onde havia nascido, Rio de Janeiro, e lá está sepultado.

GOVERNAR É ABRIR ESTRADAS

terça-feira, agosto 6th, 2013

 WASHINGTON LUIS

Washington Luís Pereira de Souza, fluminense de Macaé, nascido em 1869 e falecido em 1957, foi o último presidente da chamada República Velha. Ele foi deposto em 1930, alguns dias antes do término de seu mandato, por um golpe tramado por seus próprios ministros militares que, na sequência, nomearam Getúlio Vargas, candidato derrotado à sucessão do próprio Washington Luís, para assumir o governo transitoriamente até a realização de uma nova eleição. O “provisório” durou 15 anos, período em que o deposto Washington Luís ficou fora do Brasil exilado em Portugal e nos Estados Unidos. Ele só retornou em 1947, quando Getúlio já havia sido deposto, e ficou surpreso com a multidão que o recebeu com carinho no porto do Rio de Janeiro:

Washington Luís era formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco tendo montado uma banca advocatícia em Batatais pouco tempo depois de bacharelar-se. Foi lá que iniciou-se na política elegendo-se vereador, e, também, prefeito da cidade. Passo seguinte foi a eleição para deputado estadual, nomeação para a pasta da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, elegeu-se, na sequência, prefeito da Capital, a seguir assum iu a presidência do Estado, equivalente ao cargo atual de governador. Ao deixar o governo paulista elegeu-se senador, e, logo após, presidente da República. “Governar é abrir estradas”, era o lema do seu governo que ele seguiu à risca tendo construído milhares de quilômetros de novas rodovias incluindo a Rio/Petrópolis e a Rio/Belo Horizonte, atual BR-040, inaugurada em 1928, sendo esta a primeira rodovia asfaltada no Brasil…