Arquiva no mês julho, 2013

MULHERES VOTARAM PELA PRIMEIRA VEZ EM 1945

segunda-feira, julho 29th, 2013
MARECHAL EURICO GASPAR DUTRA

MARECHAL EURICO GASPAR DUTRA

Getúlio Vargas foi deposto em outubro de 1945, após 15 anos de governo ditatorial. A deposição foi tramada por seus próprios ministros da área militar. A dissimulação é apenas uma das componentes da complicada alquimia para o sucesso nas empreitadas eleitorais. Nem o severo ministro da Guerra, Marechal Dutra, escapou à regra bastando atentar para o banquete que, em nome do Exército, ofereceu a Getúlio Vargas no dia 10 de novembro de 1944 em comemoração ao 7° ano de criação do Estado Novo, nome pomposo para aquilo que foi tão somente a oficia lização da ditadura no Brasil. O próprio Marechal Dutra saudou Getúlio naquele regabofe:

Enquanto rasgava elogios públicos ao presidente Getúlio Vargas, seu chefe, ao mesmo tempo tinha pleno conhecimento, e até apoiava, uma conspiração que estava em andamento para depô-lo, o que efetivamente aconteceu no dia 29 de outubro de 1945. Realizaram-se eleições no mesmo ano e, sem surpresa alguma, o presidente eleito acabou sendo o próprio Marechal Dutra e, acreditem, com o apoio do deposto Getúlio Vargas. Coisas da política! Em 1945 as mulheres brasileiras, pela primeira vez, puderam votar para presidente

O PAPA FRANCISCO NO BRASIL

quinta-feira, julho 18th, 2013
Papa Francisco

Papa Francisco

O Papa Francisco estará no Brasil até o dia 28 deste mês, presidindo a Jornada Mundial da Juventude. Dom Jorge Mário Bergóglio foi Arcebispo, mais tarde Cardeal Arcebispo de Buenos Ayres, desde 1998 até o dia 13 de março, do corrente ano, quando foi eleito Papa. Sempre demonstrou prazer em estar ao lado das pessoas humildes e dos jovens, com as quais teve a vida toda um diálogo muito aberto, franco e cordial. Durante todo o tempo em que esteve à frente da arquidiocese de Buenos Ayres visitou com frequência os bairros periféricos e nunca se furtou a conversar com as pessoas nas ruas assim como nunca se recusou a dar entrevistas, po r menos expressivo que fosse o veículo de comunicação. Jamais deixou de responder a qualquer tipo de perguntas, até aquelas de cunho eminentemente pessoal como se pode constatar no trecho abaixo, de uma longa gravação, pouco antes de ser eleito Papa, para uma pequena emissora de Buenos Ayres, FM 96, A Voz de Caacupé:

O Cardeal Bergóglio, no dia imediato em que foi eleito Papa, confirmou que honraria o compromisso de seu antecessor Bento XVI e viria ao Brasil para presidir a Jornada Mundial da Juventude, e, realmente, ele aqui está numa clara demonstração de apreço ao Brasil e aos brasileiros.

TÉCNICO VALENTÃO ENCARA A “FIEL”

segunda-feira, julho 15th, 2013
TÉCNICO YUSTRICH

TÉCNICO YUSTRICH

Dorival Knipel foi goleiro entre 1935 e 1950 jogando pelo Flamengo, Vasco e América, todos do RJ. Por sua semelhança física com o também goleiro, do Boca Juniors, Juan Elias Yustrich passou a ser chamado de Yustrich a vida inteira. A partir de 1952 tornou-se técnico de futebol e colecionou um bocado de registros de clubes em sua carteira de trabalho, assim como confusões, brigas, agressões morais e físicas e por ai afora. Arrogante, explosivo, notabilizou-se por suas estapafúrdias exigências e por suas idiossincrasias. Não permitia que seus atletas fumassem nem deixassem a barba por fazer e não tolerava que m deixasse os cabelos compridos. Em 1958 trocou socos no vestiário com Hernani Silva, atleta do Futebol Clube do Porto, que deixou de obedecer uma ordem que lhe havia passado no fim do jogo. Cincunegui, uruguaio que jogava no Atlético mineiro, furioso pelo fato de Yustrich ter retardado suas férias em uma semana obrigando-o a ficar treinando para manter a forma, chegou a sacar de um revólver para ele. O zagueiro campeão de 70, Brito, ao ser tirado de campo pela enésima vez, tudo porque havia se recusado a deixar do cigarro, jogou sua camisa suada no rosto de Yustrich e precisou que o banco inteiro de reservas entrasse no meio para evitar o previsível show de pancadarias. Também esteve no Corinthians, entre 1973 e 1974, e só obteve maus resultados porque o time realmente estava ruím das pernas. Um dos revezes aconteceu no Pacaembú contra o Juventus e a torcida não poupou o técnico que foi vaiado durante todo o jogo e no final se juntou no alambrado, próxi mo a saída para os vestiários, para chama-lo de “burro”. Yustrich não se abalou, e, contrariamente ao que faz a maioria, foi para o alambrado que galgou aos trancos e barrancos, dificuldade natural imposta por seu metro e noventa, além da barriga proeminente, e se pôs a berrar também. De um lado os torcedores irados e do outro o inconformado técnico e junto a ele, também encarapitado, o repórter da rádio Bandeirantes, J. Hawilla:

Yustrich encerrou sua carreira em 1982 ao ser despedido – sempre era demitido – do Cruzeiro de Belo Horizonte. Retirou-se para o mais completo anonimato e só voltou a ser notícia, e assim mesmo com pouco destaque, em 1990, quando morreu.

SÃO PAULO PEGA EM ARMAS

sexta-feira, julho 5th, 2013
Bandeira de São Paulo

Bandeira de São Paulo

Muita gente morreu em 1932 ao defender São Paulo, na sua revolta contra a ditadura Vargas, durante a chamada Revolução Constitucionalista de 32. Inferiorizado no número de homens e armas, lutando praticamente sozinho contra todos os demais Estados que aderiram ao getulismo, São Paulo perdeu a guerra mas impôs o seu ideal que era o de ser editada uma Constituição à qual o chefe de governo deveria ser obediente, fato que se daria em 1934. A participação entusiástica dos paulistas, homens e mulheres de todas as idades, foi tão significativa que até hoje o 9 de Julho, data de início da revolução, continua sendo comemorado. No início sempre havia uma parada militar com a participação dos veteranos daquele movimento. Hoje pouquíssimos estão vivos e as festividades, como é natural, estão se reduzindo. Em 1948 as comemorações foram nas escadarias do teatro municipal de São Paulo e lá estiveram, entre outros ex combatentes, o governador Adhemar de Barros e um dos comandantes militares de 32, General Euclides Figueiredo, cujo filho, João Batista, 30 anos mais tarde seria eleito pelo colégio eleitoral presidente da República, o último do regime militar de 64, mostrando o quanto o destino é imprevisível. A rádio Bandeirantes, à exemplo de quase todas as 80 comemorações do 9 de Julho, também estava no teatro municipal em 1948:

A revolução Constitucionalista de 32 foi a primeira grande revolta contra o governo de Getúlio Vargas e o último conflito armado de vulto no Brasil. No total, foram 87 dias de combates, de 9 de julho a 4 de outubro de 1932, com um saldo oficial de 934 mortos embora estimativas, não oficiais, reportem até 2.200 mortos. Numerosas cidades do Interior paulista sofreram também fortes danos devido aos combates e aos bombardeios aéreos.

PRIMEIRA “IMORTAL” BRASILEIRA

segunda-feira, julho 1st, 2013

Raquel de Queiroz

Raquel de Queiroz, cearense de Fortaleza onde nasceu em 1910, foi uma escritora tão notável que os imortais da Academia Brasileira de Letras não tiveram como impedir sua eleição para integrar aquela casa, até então privilégio dos homens. Raquel foi a primeira mulher eleita para a ABL, em 1978. Havia muito preconceito contra as mulheres, um fato inexplicável já que se trata da casa que reúne as grandes inteligências do mundo das letras. E mais surpreendente é o fato de que somente 20 anos depois de se tornar imortal da ABL, Raquel foi eleita para a Academia Cearense de Letras, que por sinal é mais antiga que a própria Academia Brasileira. Raquel não poderia ser eleita para a Academia Cearense porque um dispositivo interno impedia a eleição de autores que não residiss em no próprio Estado. Foi necessária uma pequena alteração no regimento da instituição para que a grande escritora cearense pudesse ser eleita para a academia de letras de sua própria terra, percebam o primitivismo cultural deste País apesar das aparências em contrário. No artigo que vedava a eleição de quem não residisse no Estado foi adicionado o seguinte: “o disposto no presente artigo não se aplica aos membros da Academia Brasileira de Letras”. Assim Raquel de Queiroz, que foi a primeira mulher eleita na ABL, também pode ser eleita para a Academia de Letras do Ceará.
No ano 2000, quando completava 90 anos de idade, eu conversei longamente com Raquel de Queiroz, abordando inclusive os preconceitos contra as mulheres existentes na Academia Brasileira de Letras tendo sido ela a desbravadora e na sequência, Dinah Silveira de Queiroz, que era sua parente.

Raquel de Queiroz tem suas obras traduzidas em vários países. Entre as principais podem ser citadas O Quinze, romance que narra a luta do povo nordestino contra a seca e a miséria, Três Marias, João Miguel, Caminhos de Pedras e o Galo de Ouro.Ela faleceu no Rio de Janeiro, em novembro de 2003.