Arquiva no mês junho, 2013

Tragédia em Orly

segunda-feira, junho 24th, 2013

VARIG

No dia 12 de julho de 1973 um Boeing 707, da Varig, transformou-se numa verdadeira tocha voadora quando se preparava para pousar no aeroporto parisiense de Orly completando uma longa jornada iniciada no Rio de Janeiro. Algum desavisado jogou uma bituca de cigarro acesa na papeleira do toilette de bordo desencadeando o incêndio que se propagou rapidamente, obrigando o comandante Gilberto Araújo da Silva a tomar uma decisão desesperadora. Para não atingir a região densamente povoada mais próxima de Orly, sabendo que não havia possibilidade de chegar até o aeroporto, o comandante Gilberto pousou o avião com 134 pessoas a bordo, em uma plantação de repolhos. O pouso foi um sucesso, porém, o avião já estava quase todo consumido pelo fogo e infelizmente 123 morreram, entre eles o cantor Agostinho dos Santos e o senador Filinto Müller. Muito ferido, o comandante Gilberto ficou vários dias internado em um hospital de Paris e ao retornar ao Brasil, consegui conversar com ele, ainda à bordo de um Avro da própria Varig que o havia transportado do Rio para São Paulo uma vez que os grandes jatos internacionais não operavam em Congonhas:

Algum tempo depois o piloto Gilberto Araújo voltou às escalas normais de vôo da Varig, e, artimanhas do destino, 6 anos mais tarde no comando de outro Boeing 707, um cargueiro, na rota Japão-Brasil, com escala nos EUA, o avião desapareceu quando sobrevoava o Pacífico com toda a sua carga e tripulantes e até hoje nem um vestígio foi encontrado daquele avião e seus ocupantes, sendo este um dos maiores mistérios da aviação comercial do mundo todo.

BRASIL-JAPÃO, UMA RELAÇÃO CENTENÁRIA

sexta-feira, junho 14th, 2013

FOTO RYOICHI KODAMA

È um mero acaso, mas não deixa de ser uma feliz coincidência, a abertura da Copa das Nações com a seleção do Brasil enfrentando a seleção do Japão. É que o jogo acontece 3 dias antes de um evento marcante na história dos dois países. Onze horas e dezessete minutos do dia 18 de junho de 1908, atraca no armazém 14 do porto de Santos o vapor de bandeira japonesa Kasato Maru. À bordo estava a primeira leva de imigrantes japoneses, 781 ao todo, contratados para ajudar na colheita de café em fazendas paulistas. Ocorre que esse detalhe não lhes havia sido devidamente esclarecido resultando o sonho de aqui fazer fortuna, em um pesadelo terrível, afinal não conheciam nem a bebida quanto mais a planta que dá o café. A barreira do idioma, os costumes, os alimentos tudo se constituiu num martírio para aqueles imigrantes, entre eles um menino de 13 anos chamado Ryoichi Kodama. Em 1988 conheci o sr. Ryoichi e de tal forma me empolguei com sua história e sua lucidez, que gravei cerca de uma hora e meia de nossa conversa que ocorreu em sua casa na cidade de Presidente Prudente. Tinha, então, 9 3 anos de idade e na sua memória permanecia gravada a viagem de trem que eles fizeram da Hospedaria dos Imigrantes, no bairro do Brás, até as fazendas no interior paulista. Deram à eles, para comer, um pão redondo e muito duro, tipo italiano, que não conheciam e ficaram receosos de mastiga-lo. Pior, porém, foi a linguiça:

Muitos acabaram desistindo e voltaram ao Japão, porém, a maioria resistiu e aqui permaneceu constituindo famílias cujos descendentes, hoje, já mal conservam os traços característicos dos nipônicos que são os olhos puxados. Mais alguns grupos vieram para o Brasil até a década de 20, mas o menino Ryoichi permanece como figura emblemática, tendo sido, entre outros pioneirismos, o primeiro japonês a receber habilitação para dirigir no Brasil. Foi duramente injustiçado, como todos os demais, quando o governo ditatorial de Getúlio Vargas impôs severas restrições aos japoneses, alemães e italianos por ocasião da segunda guerra mundial. Sob a es túpida desconfiança de que pudesse ser um espião, confiscaram o caminhão com qual ganhava a vida. Mal sabiam que em campos da Itália, seu filho mais velho, Raul, como integrante da FEB – Força Expedicionária Brasileira – lutava contra as forças do eixo, das quais fazia parte o Japão. A contribuição que os japoneses deram para o desenvolvimento do Brasil é fantástica. No programa Memória, sábado as 23hs00 com reprise as 05hs00 do domingo PELA RÁDIO Bandeirantes AM, ouça a fantástica aventura da imigração dos primeiros japoneses que vieram para o Brasil em 1908.

Demônios que alegram

segunda-feira, junho 10th, 2013

Demônios da Garôa
Foi no programa de calouros “Hora da Bomba”, da rádio Bandeirantes, apresentado por Vicente Leporace, que o conjunto vocal e instrumental “Grupo do Luar” recebeu em 1943 o nome que até hoje perdura, Demônios da Garôa. Dia desses postei neste blog um pouquinho das origens dos fantásticos Titulares do Rítmo e, hoje, vou recordar um momento emblemático dos não menos fantásticos Demônios da Garôa. Esse momento ocorreu em 1954 quando o grupo gravou de Adoniran Barbosa, Saudosa Maloca e o Samba do Arnesto. Em 1996, um sábado de abril, durante 6 horas conversei longamente, ouvindo estórias e seus grandes sucessos, com os integrantes da época dos Demônios da Garôa: Arnaldo e Toninho, já falecidos, Sérginho Rosa ainda atuando e Ventura Ramires, Simbá e Oswaldinho da Cuíca, os três últimos já não integram mais o conjunto. Dos muitos episódios que me contaram, marcante para mim foi a forma como Saudosa Maloca, u m dos maiores sucessos desse grupo musical, com mais de 70 anos de atividades, chegou até eles. Ouçam o relato dos saudosos Arnaldo e Toninho:

Até hoje os Demônios da Garôa já venderam mais de 10 milhões de cópias de músicas distribuidas em 69 compactos simples, 6 compactos duplos, 34 LPs, 13 CDs sem falar nos 78 rotações. Atualmente o grupo tem os seguintes integrantes em franca atuação:
Sérginho Rosa, Roberto Barbosa (Canhotinho), Sidney, Izael e Ricardinho que é neto de um dos fundadores, Arnaldo Rosa.

Titulares para sempre

terça-feira, junho 4th, 2013

Titulares do Ritmo
Os mais antigos aqui da rádio Bandeirantes, com emoção, costumam dizer que o som daqueles seis músicos extraordinários que integravam o conjunto Titulares do Rítmo ainda se espalha pelos corredores da emissôra. Jamais teve no Brasil uma harmonia de vozes tão perfeita segundo os saudosos Arnaldo e Antoninho, fundadores e integrantes dos Demônios da Garôa, portanto um aval que merece fé. Os seis, Chico, Geraldo, Domingos, Brito, Sóter e Joaquim eram cegos porém Deus lhes deu o caminho da luz por intermédio da música. Artistas e seres humanos de alma pura extremamente queridos de todos os seus colegas. Eles foram contratados da Bandeirantes entre 1948 e 1957, período da sua arrancada rumo aos maiores índices de audiência do rádio paulista. Para o programa Memória eu reuni os quatro resmanescentes do grupo em 1996: Chico, que era o líder e a voz solo, Geraldo, Domingos e Brito. Há 13 anos estavam totalmente fora de atuação e raramente um ou outro se encontrava. Não cantavam mais. Na ocasião me disseram que chegaram a participar, na década de 50, de catorze programas semanais na Bandeirantes, todos ao vivo, vários deles com músicas compostas exclusivamente para cada audição que tinham de ser aprendidas, ensaiadas e decoradas a tarde para apresentação a noite. Porém o que marcou para sempre a relação dos Titulares do Rítmo com a rádio Bandeirantes, foram as vinhetas de identificação da emissôra que eles gravaram, assim como os prefixos de abertura e encerramento dos noticiosos. Não por mero acaso, os repórteres, comentaristas, editores e redatores da Bandeirantes eram conhecidos como Titulares da Notícia:

Daqueles quatro remanescentes dos Titulares do Rítmo mais dois nos deixaram e agora restam Domingos e Brito. A morte da maioria deles não será capaz de apagar seus nomes da história da MPB e, muito menos, baixar o volume de suas vozes que ecoam permanentemente pelos corredores do CEDOM – Centro de Documentação e Memória da rádio Bandeirantes.