Arquiva no mês agosto, 2012

O injustiçado João Saldanha

segunda-feira, agosto 27th, 2012

João Saldanha

Todos falam da seleção brasileira de 70 como a melhor de todos os tempos, porém, poucos se lembram do jornalista João Saldanha que foi o técnico que montou a base daquele time que conquistou o tricampeonato mundial de futebol disputado no México. Extremamente severo e disciplinador, abusando das gírias e do palavreado dos boleiros, João Saldanha ganhou a confiança dos seus comandados, até porque, nenhum deles lhe foi imposto, todos foram convocados por méritos. E quem ia aos estádios para avaliar, era o próprio Saldanha, ele não mandava “olheiros”. No dia 24 de maio de 1969, o São Paulo perdeu por 3 a 1 para o América de Rio Preto, e João Saldanha lá estava para observar futuros convocados. A Bandeirantes, por intermédio do repórter J.Hawilla, ouviu o treinador da seleção:

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Dizem que foram as posições políticas de João Saldanha, comunista confesso, que foram determinantes para sua queda às vésperas do mundial. Em seu lugar assumiu Mário Jorge Lobo Zagallo que manteve praticamente os mesmos jogadores da base montada pelo antecessor. A conquista do tricampeonato mundial, portanto, também deve ser creditada ao saudoso, como também genioso, João Saldanha.

Astúcia de Adhemar de Barros

segunda-feira, agosto 20th, 2012

Adhemar de Barros


O governador Adhemar de Barros era extremamente avesso a longos discursos e sentia-se muito incomodado quando era obrigado a ouvi-los nas solenidades das quais tinha obrigação de estar presente. Quando se tratava de autoridades, com as quais tinha certa aproximação, não se pejava em tomar-lhes o discurso das mãos alegando que o leria em casa com mais atenção. Não tendo familiaridade com a pessoa que discursava, ele inventou uma tática para abreviar o falatório fazendo com que seus assessores infiltrassem no meio da plateia, dez, quinze ou mais correligionários, pagos evidentemente, que nos momentos apropriados se punham a gritar o nome de Adhemar. O efeito multiplicador era imediato porque bajuladores é que não faltam nessas ocasiões. Depois de três ou quatro Hip! Hip! Hurra! Hurra! nem Demóstenes conseguiria sustentar uma oração. Em setembro de 1949, ao inaugurar as instalações da Faculdade de Ciências Econômicas da USP (embrião da atual FEA) na rua Maria Antônia, o diretor da escola Breno de Arruda, passou por essa provação quando, empolgado, resolveu alongar seu discurso:

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Documentos sonoros como esse, existem às centenas no Centro de Documentação e Memória da rádio Bandeirantes – CEDOM. É um acervo riquíssimo, utilizado em vários programas da rádio Bandeirantes, especialmente o MEMÓRIA, transmitido aos sábados as 23 horas e aos domingos as 05 da manhã.

Argentinos, menos Maradona, adoram Pelé

quarta-feira, agosto 15th, 2012

Juan Manuel Fangio

Um dos primeiros jogos de Pelé, após a marcação de seu milésimo gol, em 1969,foi contra o Racing, da Argentina numa noite gelada em Mar del Plata. O frio não incomodava tanto aquele esquadrão fenomenal do Santos FC, quanto as homenagens que continuavam sendo prestadas a Pelé, retardando o início do jogo.
No centro do gramado, encolhidos e tremendo com a baixa temperatura, os jogadores assistiram de perto a entrega de uma medalha ao “rei” pela marca recém obtida. A homenagem foi prestada em nome do povo argentino por um grande ídolo daquele país, Juan Manuel Fangio, um dos maiores nomes do automobilismo mundial de todos os tempos. Empunhando o microfone Bandeirantes o repórter J.Hawilla registrou tudo:

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Juan Manuel Fangio disputou 51 grandes prêmios obtendo 24 vitórias, 29 pole e nada menos que 5 títulos mundiais. O único da F1 que foi campeão em 4 escuderias.

Um exemplo de mulher: Esther Figueiredo Ferraz

quarta-feira, agosto 1st, 2012

Esther Figueiredo Ferraz

Formada em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, a professora Esther de Figueiredo Ferraz enfrentou muitas dificuldades para ingressar no ensino superior, impostas pelos preconceitos da época que condenavam as mulheres nas universidades. Era o comecinho da década de 40 e ela não apenas graduou-se, como também fez o mestrado e o doutorado e, para maior desapontamento dos retrógrados de ocasião, tornou-se a primeira mulher a dar aulas naquela escola.
Na área acadêmica outra primazia da professora Esther foi sua eleição para reitora da Universidade Mackenzie, sendo a primeira mulher a ocupar tal cargo em toda a América Latina.
Coroando sua vida de pioneirismos, em 1982, foi nomeada ministra da Educação no governo João Batista Figueiredo sendo que, até então, nenhuma mulher havia sido ministra de pastas do Executivo no Brasil. No dia em que foi divulgada a sua nomeação, os microfones da Bandeirantes também estavam na entrevista coletiva que ela deu em sua casa, em São Paulo, e puderam registrar a sua emoção:

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A professora Esther de Figueiredo Ferraz, que também foi secretária estadual da educação, faleceu no dia 23 de setembro de 2008, aos 93 anos de idade.