
Era uma noite quente de domingo em São Paulo, 23 de agosto de 1964. A TV Bandeirantes ainda não havia sido inaugurada e no prédio do Morumbi somente a rádio Bandeirantes AM é que operava. As ruas e avenidas no entorno normalmente ficavam quase desertas no período da noite, até porque a sede do governo ainda estava sendo transferida para o atual palácio dos Bandeirantes, por sinal, adquirido naquele mesmo ano ao grupo Matarazzo que pretendia instalar no local a Universidade Comercial Conde Francisco Matarazzo.
Estava no ar um dos programas de maior audiência da Bandeirantes em toda a sua estória e que levava o nome do apresentador, Moraes Sarmento, e era inteiramente dedicado a música popular brasileira tradicional. Passado um pouco das 21 horas irrompem estúdio a dentro dois dos maiores intépretes de MPB que o Brasil já conheceu, Vicente Celestino e Orlando Silva, e, de quebra, a esposa do primeiro, também intérprete, Gilda Abreu. Nada havia sido combinado e Moraes Sarmento nem mesmo sabia que os artistas estavam em São Paulo, se tivesse sido programado, provavelmente, a repercussão não teria sido tão grande. Neste registro destacamos a participação de Vicente Celestino e na próxima semana destacaremos Celestino e Orlando Silva. Para quem não sabe, Vicente foi redescoberto graças à novela O Rei do Gado quando uma canção por ele gravada em 1946 – Mia Gioconda – foi incluida como trilha.
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E foi rigorosamente 4 anos mais tarde, 23 de agosto de 1968, que, novamente estando de passagem por São Paulo, Vicente Celestino tornou-se notícia nacional. Aos 73 anos de idade enquanto aguardava um carro que o apanharia no hotel Normandie, onde estava hospedado, para leva-lo a uma apresentação ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil, sofreu um enfarto fulminante calando, então, uma das vozes mais famosas e mais queridas da MPB.


