Arquiva no mês fevereiro, 2012

Vicente Celestino: a voz orgulho do Brasil

segunda-feira, fevereiro 27th, 2012


Era uma noite quente de domingo em São Paulo, 23 de agosto de 1964. A TV Bandeirantes ainda não havia sido inaugurada e no prédio do Morumbi somente a rádio Bandeirantes AM é que operava. As ruas e avenidas no entorno normalmente ficavam quase desertas no período da noite, até porque a sede do governo ainda estava sendo transferida para o atual palácio dos Bandeirantes, por sinal, adquirido naquele mesmo ano ao grupo Matarazzo que pretendia instalar no local a Universidade Comercial Conde Francisco Matarazzo.

Estava no ar um dos programas de maior audiência da Bandeirantes em toda a sua estória e que levava o nome do apresentador, Moraes Sarmento, e era inteiramente dedicado a música popular brasileira tradicional. Passado um pouco das 21 horas irrompem estúdio a dentro dois dos maiores intépretes de MPB que o Brasil já conheceu, Vicente Celestino e Orlando Silva, e, de quebra, a esposa do primeiro, também intérprete, Gilda Abreu. Nada havia sido combinado e Moraes Sarmento nem mesmo sabia que os artistas estavam em São Paulo, se tivesse sido programado, provavelmente, a repercussão não teria sido tão grande. Neste registro destacamos a participação de Vicente Celestino e na próxima semana destacaremos Celestino e Orlando Silva. Para quem não sabe, Vicente foi redescoberto graças à novela O Rei do Gado quando uma canção por ele gravada em 1946 – Mia Gioconda – foi incluida como trilha.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

E foi rigorosamente 4 anos mais tarde, 23 de agosto de 1968, que, novamente estando de passagem por São Paulo, Vicente Celestino tornou-se notícia nacional. Aos 73 anos de idade enquanto aguardava um carro que o apanharia no hotel Normandie, onde estava hospedado, para leva-lo a uma apresentação ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil, sofreu um enfarto fulminante calando, então, uma das vozes mais famosas e mais queridas da MPB.

O clarim do coronel

sábado, fevereiro 18th, 2012

Das minhas reminiscências, uma das entrevistas que guardo na memória com o maior carinho foi feita, em 1998, para o programa Balanço Geral, da rádio Bandeirantes AM, com o então coronel de Exército Klécius Pennafort Caldas, uma figura extremamente simpática e bem humorada, fato pouco comum nas casernas. Ocorre que ele tinha um pé no militarismo, porém, outro na música popular brasileira, convivendo com pessoas de comportamento opostos o que lhe permitiu estabelecer um ponto de equilíbrio no trato com todos. Compositor dos bons, teve suas músicas, muitas delas em parceria, gravadas por artistas importantes como Luis Gonzaga, Dircinha Batista, Angela Maria, Linda Batista, Blecaute e outros mais. Sua especialidade era o carnaval e nas letras o lirismo e o bom humor é que predominavam. Abominava o non sense e jamais abusava de palavrões ou versos de máu gosto. É dele uma das mais bonitas marchas-rancho do carnaval brasileiro de todos os tempos. Você sabe qual é? Tente descobrir e ouça abaixo para saber se acertou. De quebra você também ouvirá outra marchinha do Klécius Caldas gravada pelo saudoso palhaço Carequinha.

http://

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Infelizmente, compositores da qualidade refinada de Klécius Caldas estão rareando. Ele nos deixou às vésperas do Natal de 2002, aos 83 anos de idade, quando ainda ostentava uma jovialidade invejável. Na lápide de sua sepultura consta a promoção, tendo se despedido deste mundo não mais como coronel e, sim, no posto de general de brigada. Galardão maior ostentou em vida, um verdadeiro marechal da MPB.

Joel de Almeida, o “magrinho elétrico”

segunda-feira, fevereiro 13th, 2012

 
 O carnaval é uma excelente oportunidade para se reverenciar a memória de um compositor/intérprete que dedicou quase que sua vida inteira a maior festa popular do Brasil, o carioca Joel de Almeida.
  Nascido em Vila Isabel, no Rio, ele foi seminarista na juventude mas acabou deixando de lado a vida religiosa para se entregar à uma vocação absolutamente oposta, a folia carnavalesca, tendo contribuido enormemente com o seu enriquecimento, no campo musical, durante meio século.
  Um dos primeiros sucessos carnavalescos que Joel de Almeida gravou no tempo em que formava dupla com Gaúcho (Joel e Gaúcho), foi o o clássico Pierrot Apaixonado, de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres, para o carnaval de 1935. Na esteira vieram algumas outras marchinhas e sambas, porém em 1941 ele emplacou, ainda em dupla com Gaúcho, outro clássico de carnaval, a marchinha Aurora, de Mário Lago e Roberto Roberti.
  Assim foi durante uma trajetória de mais de 40 carnavais, compondo ou somente gravando, mas sempre animando a grande festa.  Raro foi o ano em que Joel de Almeida não se sagrou campeão de carnaval com alguma marchinha ou samba. 
  Joel, que se autodenominava de “magrinho elétrico”  por ser quase raquítico e extremamente irrequieto, participou algumas vezes de meu programa Memória.  Em uma dessas ocasiões, cerca de um ano antes de sua morte, ele recordou estórias do Café Nice, da Galeria Cruzeiro, Dancing Avenida, dos cabarés da Lapa e, claro, suas músicas de sucesso em especial as marchinhas de carnaval.  Sem dúvida, a mais expressiva das suas composições de carnaval, em parceria com Carvalhinho, foi Quem Sabe, Sabe, de 1956, calcada no estribilho de um comercial da Toddy que havia caido no gosto popular do brasileiro:

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

  Joel de Almeida faleceu em abril de 1993, aos 79 anos de idade.  Com ele se foi boa parte da alegria do carnaval.

O carnaval sem Emilinha Borba perdeu a graça

segunda-feira, fevereiro 6th, 2012

Emilinha Borba

 Emília Savana da Silva Borba, ou simplesmente Emilinha, carioca da gema nascida em agosto de 1922 e falecida lá mesmo no Rio de Janeiro em outubro de 2005, começou sua vida artística num momento de grande ebulição do carnaval brasileiro.

Era o tempo das marchinhas e dos bailes de salão e Emilinha Borba acabou sendo  uma das cantoras que mais gravou carnaval no Brasil e só músicas de bom gosto que cairam de imediato no agrado popular, tanto que elas são conhecidas até dos mais jovens que nunca frequentaram bailes carnavalescos.
   Em 1999, Emilinha Borba participou do programa Balanço Geral que eu apresentava diariamente, a partir das 8 da noite, na rádio Bandeirantes AM.  

   Inesquecível aquele momento não apenas pelas estórias que ela nos contou como, e, principalmente, pelas marchinhas que ela relembrou:

http://

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

  Emilinha Borba assinou contrato com a Nacional do Rio em 1943 e lá permaneceu durante 27 anos sendo, sem a menor dúvida, o nome de maior popularidade numa constelação só de astros e estrelas. Mesmo com contrato exclusivo com a Nacional era comum sua presença aqui na Bandeirantes, até pelos laços de amizade entre os diretores das duas emissôras.  

 Em  janeiro de 1951, por exemplo, foi no auditório da rádio Bandeirantes de São Paulo, na rua Paula Souza, que Emilinha Borba lançou seu sucesso de carnaval para aquele ano, um dos maiores entre todas as marchinhas já gravadas no Brasil.

http://

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

  Neste mês de fevereiro, dos arquivos do CEDOM, Centro de Documentação e Memória da Rádio Bandeirantes, vamos postar muitos arquivos com entrevistas de saudosos artistas que abrilhantaram o carnaval do Brasil nos últimos 80 anos.