Arquiva no mês dezembro, 2011

Roberto Carlos: início de carreira

segunda-feira, dezembro 26th, 2011

Muita gente já escreveu sobre o início de carreira de Roberto Carlos, e, ele mesmo deu entrevistas sobre o assunto confundindo um pouco mais a cabeça daqueles que levam esses detalhes muito a sério. Quando se mata a cobra e se exibe o páu, as dúvidas tendem a desaparecer. Ouçam Roberto Carlos por volta de 1958 na TV Rio, buscando seu lugar ao sol cantando bossa nova acompanhado pelo guitarrista Gato ao violão:

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O apresentador era Ronaldo Bôscoli, mais tarde marido de Elis Regina. Roberto Carlos foi levado até ele por Carlos Imperial que jurava para os amigos que RC seria ainda o príncipe da Bossa Nova. Nesse programa, que era transmitido no meio da tarde, apresentavam-se cantores de pouca expressão, ou novatos, que não conseguiam espaço nos chamados horários nobres . Dos arquivos do programa Memória vou destacar neste blog proximamente, uma insólita apresentação de RC para o herdeiro do trono japonês, príncipe Akihito – hoje ele é o imperador – em 1968 nas comemorações dos 60 anos da imigração japonesa, numa apresentação que Roberto fez para o casal real no cine Nippon. Para variar o show foi espetacular, porém, cantando uma música folclórica daquele país e no idioma deles, o “rei” escorregou na pronúncia e na afinação o que é muito raro.

Sophia Loren, um encontro inesquecível

segunda-feira, dezembro 19th, 2011


Das milhares de entrevistas, coberturas jornalísticas diversas, aquelas das quais me recordo com mais carinho foram feitas em 1970 e 1972, respectivamente, e ambas em Roma, na Itália.

Às vezes me pilho em reflexões, como foi possível ter interrompido uma filmagem no estúdio Dino DeLaurenti, tendo como protagonistas principais Peter O’Toole e Sophia Loren e o que é mais trágico, sem falar uma única palavra no idioma de ambos? E não terminam aí as dificuldades, pelo contrário, essas que enumerei foram secundárias porque a pior de todas foi o deslumbramento de me ver frente a frente, em seu camarim, semi despida porque os seus trajes eram frangalhos de um vestido. Quem assistiu- vez por outra a televisão reprisa – O Homem da Mancha, deve estar lembrado dos trajes de Sophia Loren. Diante de meu ídolo, lindíssima, provocante, inconscientemente, naqueles trajes, sem falar seu idioma e pouco entendendo do que ela me dizi a, porém tendo conseguido uma proeza gigantesca, basta dizer que ela jamais deu uma entrevista para o rádio do Brasil, não tinha como recuar. Ela havia prometido 10 minutos, num dos intervalos das filmagens, e acabou me dispensando mais de meia hora de sua atenção. Que simpatia de mulher aquela lindíssima atriz italiana:

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No final, por causa da demora em voltar ao set de filmagem, Peter O’Toole teve um ataque, literalmente, de estrelismo ao que Sophia respondeu, “dane-se, espere ou volte amanhã”. Não é fantástico? Num dos próximos registros vou destacar trechos da entrevista com Gina Lollobrígida, da qual também nunca esqueci.

Dailza, corajosa nadadora esquecida

quarta-feira, dezembro 14th, 2011

Em 1988 a nadadora santista Renata Agondi perdeu a vida ao tentar atravessar a nado o canal da Mancha. Não foram poucos os que morreram tentando a mesma proeza, como, também, foram muitos os que conseguiram êxito na empreitada. O primeiro brasileiro que atravessou a Mancha a nado, foi Abílio Couto em 1958 e novamente no ano seguinte. Porém uma extraordinária vitória foi a da paranaense Daiza Dames Ribeiro que atravessou a nado o canal da Mancha partindo de Dover, na Inglaterra e chegando em Calais, na França, em 19 horas e 16 minutos tendo iniciado a prova na noite de 18 de setembro de 1992 e terminando no dia 19, também a noite. O destaque da vitória de Dailza é que ela, casada, com dois filhos, tinha 34 anos no dia da prova e tinha apr endido a nadar apenas 6 anos antes, isto é, aos 28 anos, tendo sido a primeira brasileira a conseguir o feito. Ao desembarcar no aeroporto em Guarulhos, recebida com euforia, ela contou ao reporter da rádio Bandeirantes, Amorim Filho, as terríveis dificuldades que essa travessia impõe:

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Dailza repetiria a travessia algum tempo depois e também atravessaria o lago Titicaca que é outra imensidão de água que assusta os nadadores. Vencer desafios era de sua índole só não conseguiu vencer um tumor na hipófise. Quando se recuperava da cirurgia que o retirou, ela acabou sofrendo três paradas cardíacas e veio a falecer, aos 51 anos, no dia 6 de novembro de 2008. Além de Dailza e Abílio Couto, que foi o primeiro, outros onze brasileiros já atravessaram a nado o canal da Mancha, entre eles 4 mulheres.

O Bandido da Luz Vermelha

quarta-feira, dezembro 7th, 2011

O crime da mala, Chico Picadinho, O monstro da Vila Maria, Motoboy assassino, Assalto dos 500 milhões, Quadrilha dos crioulos doidos, Meneghetti, Sete Dedos, Quinzinho o rei da Boca, Boca de Traíra, etc. A crônica policial paulistana é riquíssima em estórias e personagens que, em momentos diversos, dominaram o noticiário. Nenhum, porém, se compara a João Acácio Pereira da Costa, o Bandido da luz vermelha que até filme virou, de péssima qualidade, diga-se. Sua forma de agir era quase sempre a mesma, invadindo mansões e apartamentos, cortando a energia elétrica. Onde havia mulheres que lhe chamassem a atenção, costumava violenta-las. Nas suas sortidas usava uma lanterna com lente protegida por papel transparente vermelho para diminuir o foco de luz e não chamar demasiadamente a atenção.

Depois de meses de investigações e perseguição policial, João Acácio foi preso e acusado de 4 homicídios, 7 tentativas e 77 assaltos e, por esses crimes, foi condenado em 1967 a mais de 300 anos de prisão. Quando já cumpria o vigésimo quinto ano de sua condenação, João deu uma entrevista ao repórter da rádio Bandeirantes, Renato Lombardi, ficando muito claro que além de carregar uma absurda vaidade ele continuava mentalmente mais doente, o que suscita a dúvida levantada na ocasião em que foi assassinado, em Joinvile, em janeiro de 1998: como é que a Justiça permitiu que se colocasse em liberdade uma pessoa em total estado de desequilíbrio? Depois de ouvir um trecho da entrevista, se quiser, pode opinar.

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