Arquiva no mês novembro, 2011

Teixeirinha: nem Freud explica

quarta-feira, novembro 30th, 2011

Lembram-se do Fuscão Preto que foi composta e gravada por Almir Rogério? Alguém é capaz de explicar porque uma música de versos e linha melódica absolutamente pobres, além de uma abordagem totalmente inverossímil, conseguiu cair no gosto geral a ponto de ter ultrapassado barreiras sócio-econômicas e culturais? Fenômenos como aquele ocorrem esparsamente e os mais antigos certamente se recordam de O Ébrio, de Vicente Celestino, que na década de 30 arrancou lágrimas de um Brasil muito menor, mas tão sugestionável e emotivo quanto o atual. Porém, o maior e mais inexplicável de todos esses estouros no campo da música, aconteceu em 1960, transformando o gaúcho Vitor Mateus Teixeira, falecido de câncer em dezembro de 1985, em um dos artistas de maior popularidade do Brasil e conhecid o até mesmo no exterior. A canção que o revelou para o estrelato permaneceu um ano como a mais vendida e executada entre nós e o mesmo se deu em Portugal onde também virou ídolo, afinal, ela continha todos os ingredientes do fado, que são a dolência e a melancolia, tão de nosso agrado, herdeiros que somos do gosto lusitano.
Em dezembro de 1981, Vitor Mateus Teixeira, ou simplesmente Teixeirinha, esteve na rádio Bandeirantes e entrevistado por Antonio Celso revelou que continuava magoado pelo estigma que continuava carregando, 21 anos depois do lançamento de Coração de Luto.

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Trabuco da Bandeirantes

quinta-feira, novembro 24th, 2011

É muito dificil passar uma semana entre maio e outubro em que eu não seja procurado por alunos de faculdades envolvidos com seus trabalhos de conclusão de curso, TCC, que desejam falar sobre os mais variados temas que envolvem o veículo rádio. Um dos mais comuns é o que trata da censura no rádio nos períodos de ditadura, no caso do Brasil a de Vargas e a militar de março de 64.
Em relação aos jornais, costumo dizer, os textos eram censurados antes da publicação resultando em grandes espaços vazios que eram preenchidos, a título de deboche, com receitas culinárias, poesias setecentistas e até trechos da carta de Pero Vaz de Caminha e da obra Os Luzíadas como muitas vezes ocorreu nas páginas de O Estado de São Paulo e do JB.
Já no rádio quando os censores se davam conta, a notícia ou o comentário já tinha ido ao ar e o processo ,então, se invertia e o “transgressor” é que tinha de comparecer à censura, ou ao quartel, para se explicar, como ocorreu em várias ocasiões com Vicente Leporace, apresentador de O Trabuco, na rádio Bandeirantes. Nos arquivos do CEDOM – Centro de Documentação e Memória da rádio Bandeirantes, encontrei uma dessas intimações que aconteceu no dia 31 de agosto de 1968 por causa de um pequeno comentário feito durante o programa por Leporace, com as pitadas de humor, coragem e sarcasmo que lhe eram peculiares. Ouça e avalie se era caso de censura:

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Vida de repórter: nos tempos de Pedro Collor, haja paciência!

domingo, novembro 20th, 2011

Pedro Affonso Collor de Mello

Vida de repórter não é fácil, pricipalmente quando se antepõem, entre ele e o entrevistado, os clássicos blindadores, figuras remuneradas, ou bajuladoras simplesmente, que fazem de tudo para preservar seus clientes, ou ídolos, de situações embaraçosas diante da imprensa. Nos arquivos do Centro de Documentação e Memória da rádio Bandeirantes – CEDOM – existem centenas de flagrantes que atestam as dificuldades que os repórteres enfrentam, e não é de hoje, para exercer o seu trabalho.
No dia 26 de junho de 1992 a repórter Vera Fiordoliva conseguiu a duras penas se aproximar de Pedro Collor que havia feito pesadas acusações contra o presidente da República, que era seu irmão, Fernando Collor de Melo e também contra o seu tesoureiro de campanha Paulo César Farias, mais conhecido por PC Farias. Tudo teria transcorrido às mil maravilhas não fôsse a obstinada intromissão do advogado de Pedro, Paulo José da Costa Júnior que protagonizou, naquele dia, uma das cenas mais patéticas de todo o episódio que culminou com a queda de Fernando Collor, ouçam:

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Pelé e Neymar: só o Santos consegue tais proezas

quarta-feira, novembro 16th, 2011

Divulgação

E o Santos conseguiu segurar o melhor craque do Brasil na atualidade, Neymar. Considerado um dos melhores do mundo seu salário será o 8° no ranking dos jogadores com melhores salários do universo. No passado o Santos, sem gastar um décimo do que investiu agora, conseguiu segurar Pelé por quase toda a sua carreira.

Aliás, a comparação acabou sendo inevitável, embora despropositada, sobre a qualidade de futebol dos dois. Neymar é um ótimo goleador e ótimo armador de jogadas enquanto que Pelé era mais que ótimo, simplesmente excepcional e em todas as posições, inclusive no gol.

Na Paraiba, em 1969 num jogo amistoso, ao se machucar o goleiro ele foi para a meta, contra sua vontade, porque estava para marcar seu milésimo gol. Anteriormente já tinha substituido goleiros de seu time, sempre com destaque, como ocorreu no dia 19 de janeiro de 1964, no Pacaembú, numa partida histórica entre Santos e Grêmio de Porto Alegre. O jogo estava em sua segunda etapa e o Santos vencia por 4 a 3, tendo sido dois dos gols alvinegros marcados pelo próprio Pelé, quando o árbitro Teodoro Nitti expulsou o goleiro do Santos, o extraordinário Gilmar dos Santos Neves.

Faltando pouco mais de 10 minutos para o término da partida, o Grêmio encurralou o Santos promovendo um bombardeio avassalador em busca do empate.

Sabe quem foi que impediu que isso ocorresse? Ouça na narração de Flávio Araújo:

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E então, gostaria de sua opinião. Pelé e Neymar estão no mesmo plano?

República: agradeça a Deodoro pelos 4 dias de folga

sexta-feira, novembro 11th, 2011

Feriadão de 15 de novembro. A maioria sabe quantos dias vai folgar, porém, poucos conseguem explicar a razão do feriado e a importância do fato que se deu nesse dia no ano de 1889.  Para quem se interessa por história do Brasil, o programa Memória do próximo dia 19 (Bandeirantes AM, sábados 23hs00 reprise aos domingos 05hs00) vai contar como é que se deu a Proclamação da República e os fatos que marcaram cada período de governo desde então, incluindo o de Getúlio Vargas que deixou a presidência do Estado do Rio Grande do Sul, em 1930, para assumir a chefia do governo provisório da Nação que havia derrubado o presidente Washington Luiz. O que era para ser provisório durou 15 anos:

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Embora fosse um político de formação tradicional, ao assumir o poder Getúlio Vargas se diferenciou dos políticos da República velha ao buscar o apoio das massas trabalhadoras, antes mantidas à margem da vida política,  dando, assim, início ao chamado POPULISMO no Brasil

Nelson Gonçalves, show de profissionalismo e solidariedade

sexta-feira, novembro 4th, 2011

Cantor durante entrevista realizada na capital paulista em 1975.

Foto: AE/Arquivo

Nelson Gonçalves, um dos maiores cantores do Brasil, vendeu 75 milhões de discos até sua morte em abril de 1998 e perdia apenas para Roberto Carlos que à época tinha vendido 100 milhões de cópias. A volta do boêmio, Doidivana, Hoje quem paga sou eu, Vermelho 27, Maria Betânia, Normalista, Caminhemos, Deusa do asfalto, Renúncia, Escultura, Última seresta, Meu vício é você, Flor do meu bairro são apenas algumas das dezenas de gravações de Nelson que venderam milhões. Seus shows por todo o Brasil lotavam os locais de apresentação. Houve apenas uma exceção em toda sua carreira e não por sua culpa e sim por causa da irresponsabilidade de radialistas rivais na cidade de Natal, Rio Grande do Norte onde Nelson deveria se apresentar.

O show foi em 1977, no Palácio dos Esportes, daquela Capital, com previsão de 60 mil cruzeiros de bilheteria, mas foram tantos os boicotes, tantas as informações mentirosas de que Nelson não compareceria, de que se tratava de um golpe do promotor e coisas do gênero, que menos de 20 mil cruzeiros foram vendidos em ingressos.

Chegado o momento do espetáculo, nem mesmo aqueles que se encontravam na platéia acreditavam que Nelson Gonçalves compareceria. Ocorre que ele cumpriu sua palavra, se fez presente e junto com seu principal compositor Adelino Moreira, porém, creiam, os músicos contratados para acompanha-lo é que sumiram do mapa. Solidário com o promotor do evento e para não decepcionar a minúscula platéia sabem o que fez o maior vendedor de discos e um dos melhores cantores do Brasil de todos os tempos? Ouçam para não julgar que se trata de uma piada:

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Lá pelas tantas conseguiram trazer um camarada que tocava violão e morava nas p roximidades do local onde Nelson estava cantando “a capela”. Não era um exímio violonista e, à par disso, tomado pela emoção de se ver frente a frente com seu ídolo e ainda por cima ter a honra de acompanha-lo, esse conjunto de fatores deu a todos a certeza de que, melhor seria, se Nelson tivesse continuado o show sem ninguém para acompanha-lo.

Nos próximos dias 26 e 27 deste mês de novembro no programa Memória que vai ao ar aos sábados as 23 horas com reprise às 05 da manhã no domingo, pela Bandeirantes AM, apresentaremos na integra esse show, absolutamente inusitado, de um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos e, de quebra, um outro show, também inédito, que Nelson Gonçalves e Angela Maria apresentaram mais ou menos na mesma época, inesquecível para os privilegiados que puderam assisti-lo.

Vasp: Fim melancólico

quarta-feira, novembro 2nd, 2011

Fundada no dia 4 de novembro de 1933 , com um capital de 400 contos de réis reunido por 72 empresários, a Viação Aérea São Paulo – VASP – já foi a melhor, mais bem equipada e mais pontual empresa aérea brasileira. No início enfrentou muitas dificuldades e para poder decolar foi preciso que o Interventor do Estado à época, Armando de Salles Oliveira, autorizasse o governo do Estado a assumir 90% do contrôle acionário da companhia o que se deu em 1936.

Aos poucos a VASP foi se agigantando e ganhando a preferência dos passageiros, mas, infelizmente, as suas administrações, a partir da década de 70, não acompanharam a sua grandeza e ela acabou indo a leilão no dia 4 de setembro de 1990 por deter minação do então governador Orestes Quércia.

Preferiu o preço irrisório pago por um empresário seu amigo, ao trabalho de sanear as dívidas da empresa. O arremate de 60% das ações, por 43 milhões de dólares, foi de Wagner Canhedo que já tinha acumulado uma fortuna como empresário do ramo de transporte rodoviário de carga e de passageiros. Ele recebeu uma VASP endividada, porém, com um patrimônio avaliado em 700 milhões de dólares e uma frota de 32 aviões, sendo 29 Boeings e 3 Air Bus. No dia que tomou posse na sua presidência, 1° de outubro de 1990, ouvido pelo repórter Pedro Luiz Ronco, da rádio Bandeirantes AM, Canhedo prometeu para a VASP e seus funcionários um futuro promissor, muito diferente do que viria a cumprir transformando-a num amontoado de sucatas.

Aos empregados nada restou além de uma montanha de protocolos referentes a ações que se arrastam morosamente na Justiça do Trabalho.

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