Arquiva no mês setembro, 2011

DOIS BRIGAM E O TERCEIRO É QUEM GANHA

sexta-feira, setembro 30th, 2011

 

Lula e Leonel Brizola nunca definiram bem o que nutriam um pelo outro.  Numa hora estavam de boa, no momento seguinte de nariz torcido, de forma que nem mesmo seus correligionários sabiam definir se eram amigos ou saudáveis inimigos. Na campanha presidencial de 1989, por exemplo, Lula resolveu hostilizar Brizola afirmando que ele só gostava de trabalhador “se trabalhase para ele”. Ouça:

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   Leonel Brizola, língua afiada e raciocínio rápido, não era de engolir desaforo e para baixar o nível também não precisava muito. A resposta foi imediata, direta, sem sutileza alguma:

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   Curiosamente nenhum dos dois ganhou. Trocaram farpas durante toda a campanha e Fernando Collor de Melo, correndo discretamente por fora, foi quem venceu a eleição presidencial em 1989.

NEM ELA SABIA PORQUE A CHAMAVAM DE “MENININHA”

quarta-feira, setembro 28th, 2011

 

 

A mais famosa mãe de santo do Brasil, Maria Escolástica da Conceição Nazaré, não sabia porque a chamavam de Menininha, “talvez por ter um físico miúdo”, me disse numa ocasião. No Alto do Gantois, que fica no bairro da Federação, em Salvador, foi onde viveu grande parte de sua vida, porisso a chamavam com carinho e reverência de Mãe Menininha do Gantois.
Sua casa, e o terreiro que era anexo, viviam repletos de pessoas, uma autêntica e diária romaria integrada por gente humilde misturada a artistas famosos, intelectuais, esportistas e políticos.     Depois de sua morte em 1986, aos 92 anos, de causa natural, os aposentos onde vivia foram mantidos intactos, com seus objetos de uso pessoal e ritualísticos e lá foi montado o Memorial Mãe Menininha.
Estive com Mãe Menininha quatro ou cinco vezes, uma delas em março de 1978,  e sua memória não revelava que se tratava de uma senhora já com 84 anos de idade.

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Talento imenso, compensa sua pequena voz

quarta-feira, setembro 21st, 2011
Um talento, sem dúvida. Vale a pena relembrar.

O baiano, de Juazeiro, João Gilberto, aos 80 anos já não tem a mesma paciência dos tempos em que fui apresentado à ele por Nara Leão, nos bastidores da TV Record durante um dos festivais de MPB promovido pela emissora nos anos 60. Nem me deu a entrevista que pedi e, a bem da verdade, nem tomou conhecimento de minha presença o que fez Nara me pedir um milhão de desculpas como se fosse ela a culpada.  João Gilberto é assim, sempre foi, e não é agora que vai mudar. Hoje, quase recluso num apartamento alugado no Leblon, de 130 metros, onde raramente recebe visitas, não tem empregada, não tem amigos no condomínio e quando alguém o desagrada pode esperar que a reprimenda será forte.  Aqueles que o conhecem mais de perto o consideram uma pessoa encantadora, a começar pelos funcionários do restaurante Degrau aos quais chama pelo  diminutivo de seus nomes e sempre os gratifica com gorjetas entre 10 e 20 reais.  Lá ele faz suas refeições quase diariamente. Esse artista emblemático, considerado o papa da Bossa Nova, depois de longa ausência tem nova temporada marcada para São Paulo e os ingressos já estão sendo vendidos a partir desta semana. Se ele não atrasar, e não faltar que é pior, certamente será daqueles momentos inesquecíveis.  Seus colegas o adoram e no Centro de Documentação e Memória da Rádio Bandeirantes – CEDOM – temos vários depoimentos, alguns muito divertidos como o de Caetano Veloso.

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Mazzaropi, um caipira que deu certo

segunda-feira, setembro 19th, 2011

Amácio Mazzaropi foi um dos artistas que mais atraiu público nos cinemas do Brasil.  Durante 30 anos, a partir de 1950 quando rodou “Sai da Frente”, até sua morte em 1981, aos 69 anos de idade, Mazzaropi produziu 32 filmes deixando o 33° inacabado. Além de produzir, roteirizar e escrever, ele  também fazia o principal que era estrelar os próprios filmes.  Pode se dizer que o cinema brasileiro começou a dar lucro depois de Mazzaropi porque até então, por falta de público, de incentivos governamentais e de investidores o cinema brasileiro era muito deficitário.  Pois foi justamente essa personalidade  que o Festival Internacional do Cinema, realizado em São Paulo em 1954, descriminou tendo se esquecido inclusive de convida-lo para a sessão de abertura.  A rádio Bandeirantes estava lá e registrou a bronca de Mazzaropi, ao seu estilo, bem humorada.

DIVIRTA-SE OUVINDO

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O casamento inusitado de Roberto Carlos e Nice

segunda-feira, setembro 12th, 2011

Milton Parron acompanha casamento de Roberto e Nice na Bolivia

Nunca vi um casamento tão cheio de imprevistos como o de Roberto Carlos com Cleonice Rossi, realizado em 1968 em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia.  Tudo conspirava para não dar certo, mas acabou dando. O ambiente na cidade era sombrio, repleta de soldados do exército por causa da morte de Che Guevara ocorrida naqueles dias numa região próxima dali. Vagas nos poucos hotéis custavam os olhos da cara, o local do casamento foi no espaço acanhado de uma suite de  hotel onde dezenas de jornalistas tiveram de se espremer, faltou um dos padrinhos sendo substituido por um de nós escolhido em tumultuado sorteio.

Para coroar, acredite, na hora de botar a aliança no dedo da noiva cadê a aliança? Roberto Carlos a tinha deixado cair e justamente na hora em que por excesso de consumo de energia elétrica causada pelos spots de tv, tudo ficara às escuras. Fósforos e isqueiros acesos e meio mundo de cócoras atrás da aliança, incluindo Roberto Carlos.

Nice perplexa, não acreditando, sorria encabulada. Registrei o fato e mostro pra vocês, 43 anos depois, ouçam:

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Quem se lembra do que fazia no dia Onze de Setembro de 2001?

quinta-feira, setembro 8th, 2011

Essa é uma data inesquecível para milhões de pessoas em todo o mundo.  Você, o que fazia no exato momento em que fanáticos seguidores de Osama Bin Laden jogaram os dois Boeings que pilotavam, contra as torres gêmeas do World Trade Center?  Cento e cinquenta e sete passageiros saíram da vida para entrar na história. As gigantescas torres pouco mais de uma hora após os choques vieram abaixo arrastando consigo cerca de 3 mil vidas.

Faça uma digressão e procure recordar onde é que você estava naquele momento trágico?

Eu, de minha parte,  estava… bem eu estava onde tenho estado nos últimos 50 anos, no torvelinho dos acontecimentos, ora no palco, ora nos bastidores mas sempre em contato com a notícia e essa era mais uma, porém, com contornos muito mais trágicos que tudo aquilo que já havia visto.

Apesar das intensas imagens televisivas, vale destacar que o rádio se fez presente na cobertura do 11 de setembro de 2001 de maneira intensa.  A  Bandeirantes, também, claro, e para variar, irrepreensível na cobertura como é de sua tradição.

Meu programa, Ciranda da Cidade,  ia ao ar das duas às cinco da tarde e me recordo bem, com a ajuda da memória de minha esposa  Débora Raposo, produtora do meu  e  de outros programas da emissora, que naquele dia ela já estava debruçada sobre outra tarefa, também grave  mas de alcance restrito,  que era a morte do prefeito de Campinas, Toninho do PT. Dois repórteres tinham sido destacados para cobrir aquele assassinato,  André Luiz Costa e Agostinho Teixeira.  Apesar de incumbidos de permanecerem o dia todo em Campinas,  a eles coube tão somente  breves registros  dos fatos no Primeira Hora e no começo do Jornal Gente porque, também eles, foram atropelados,  por volta das 9 horas,  com os surpreendentes atentados que ocorriam nos EUA.

Com as dramáticas  imagens transmitidas pela CNN a redação da  rádio Bandeirantes, por assim dizer, entrou em ebulição.  Toda a produção se movimentando  em busca de detalhes e  à “caça” de   quem pudesse repercutir os fatos. Os dois repórteres, lá de  Campinas, cumprindo o que lhes havia sido determinado, queriam entrar com detalhes das investigações para apurar a morte do prefeito e eis que aconteceu, então, o primeiro daqueles chamados “cacos de bastidores”, que nem sempre chegam ao conhecimento do ouvinte.  Na coordenação de  estúdio estava Fátima Morais,  doce figurinha  muito querida de todos pela forma  carinhosa como trata as pessoas usando quase sempre os diminutivos. Na primeira vez  explicou a eles que era impossível  interromper a programação naquele momento: “Fofo,  não dá para você entrar no ar neste momento porque um aviãozinho bateu no alto de um prédio em Nova York”.

Naquela época a rádio Bandeirantes  contava com um repórter permanentemente em Washington, Eduardo Castro,  jornalista já bem experiente,  e, me lembro claramente, foi ele quem nos deu a dimensão de que o atentado era muito mais sério do que as imagens de televisão mostravam. Aos apresentadores do  jornal Gente, José Paulo de Andrade e  Salomão Esper, Castro descreveu a fumaça que estava enxergando do alto do prédio onde se encontrava, incrível a ousadia dos criminosos:

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Também não me sai da memória que, durante a passagem do programa  Jornal Gente  para o Manhã Bandeirantes, a produtora Adriana Muniz  conseguiu contatar o advogado Cláudio Maurício Fredo que estava a tão somente quatro quadras do World Trade Center e no momento em que ele descrevia, pelo celular para os ouvintes da Bandeirantes  as cenas que estava presenciando, por causa do primeiro avião que havia se chocado com uma das torres gêmeas, eis que o segundo foi jogado contra a outra torre e o forte ruído inclusive foi captado durant e a sua transmissão chegando até nós :

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Impossível esquecer!   Uma emoção que só o rádio consegue passar, registrando com precisão a surpresa, o medo e o nervosismo vivido pelas pessoas no exato momento dos fatos.

E foi naquele instante, quando o outro  avião se chocou com a segunda torre, que  a Fátima Morais,  para nós simplesmente Fafi , protagonizou mais um capítulo engraçado no meio de tanto estresse, ao explicar aos repórteres que novamente chamavam de Campinas para informar sobre o assassinato do prefeito:  “Fofinhos, não dá para entrar no ar, um outro aviãozinho bateu na outra torre!”.

Compartilho com vocês, internautas, estes  registros da Bandeirantes  que comprovam a importância do  rádio em momentos decisivos de nossas vidas.   Aliás esta é, também,  uma oportunidade para destacar a importância do CEDOM – Centro de Documentação e Memória da rádio Bandeirantes onde, estou certo, está armazenado o maior arquivo sonoro do rádio brasileiro e eu quero aproveitar o meu blog para divulgar documentos sonoros impressionantes contidos nesse acervo, cuja recuperação  eu tenho o orgulho de coordenar.

O Hino Nacional

terça-feira, setembro 6th, 2011

Quando entra setembro no nosso hemisfério, as pessoas imediatamente associam o mês à estação e, consequentemente, às flores.  No Brasil setembro também é reservado para as comemorações de um episódio emblemático ocorrido no dia 7 do longínquo 1822, ou seja, nossa Independência – ou ela ou a morte, como bradou Dom Pedro I.

Tão emblemática quanto a Independência é a figura de D. Pedro I, que pertencia às duas Casas Imperiais, os Orleans e os Braganças.  Seu nome completo, quem sabe para matar o tempo como fazem aqueles que se dedicam a fazer palavras cruzadas hoje em dia, deve ter tomado de seus pais muitas horas de reflexão e provavelmente nem o próprio D.Pedro I sabia dizê-lo completo, composto de 18 identificações. Certamente ele andava com uma “cola” no bolso para quando fosse necessária a assinatura de documentos oficiais.

D. Pedro notabilizou-se pela declaração da Independência do Brasil e também nas artes de “pular a cerca”, tendo sido um prevaricador com histórico conhecido inclusive no além-mar. E era também um artista interessante, tendo composto várias peças clássicas infelizmente muito pouco conhecidas e menos ainda divulgadas dando a impressão, para muitos, de que somente musicou o Hino da Independência, que tem a letra de Evaristo da Veiga. O Credo, de D. Pedro é lindíssimo, e o que dizer do Te Deum, um Ato de Glória a Deus? Ele compunha, cantava e executava vários instrumentos.

Mas já que estou no campo musical e discorrendo sobre a figura de D. Pedro I, é oportuno contar um fato interessante e pouco revelado, também.

Quando D. Pedro I resolveu voltar à Portugal para restabelecer o trono de lá que estava sendo usurpado de sua filha, Maria da Glória, pelo próprio marido, que também era seu tio, teve de abdicar ao trono brasileiro em favor de seu filho Pedro II.

Nessa ocasião, como era comum em todas as datas especiais, fizeram um hino para registrar o episódio e este foi escrito por Ovídio Saraiva, com música de Francisco Manuel da Silva. Chamado Hino da Abdicação, extremamente longo, em algumas estrofes destacava que “os bronzes da tirania/ Já no Brasil não rouquejam/ Os monstros que a escravizam/ Já entre nós não vicejam/ Eis se desata/ do Amazonas/Até o Prata“.  Uma série de versalhadas cheias de arroubos e bravatas, mas a melodia pegou em cheio no coração do brasileiro desde o primeiro instante.

Ouça parte do hino no player abaixo, certamente você se dará conta de que a conhece e também se emocionará ao escutá-la na interpretação da cantora de câmara Luiza Sawaia acompanhada do pianista Aquile Pich.

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Ao ser proclamada a República aqueles que derrubaram a monarquia quiseram logo varrer seus vestígios e começaram  pelo Hino da Abdicação que D. Pedro II, ao assumir, oficializou como canto oficial da côrte, justamente porque homenageava seu pai Pedro I.  Assim no dia 20 de janeiro de 1890, uma comissão reuniu-se e entre quatro finalistas escolheu o novo hino do Brasil.

Ocorre que não ele caiu no agrado e em todas as solenidades o velho Hino da Abdicação é que o povo entoava. Não restou ao presidente da República Rodrigues Alves,  em 1906, criar outro concurso para escolha de uma nova letra mantendo-se porém a velha melodia do Hino da Abdicação. Ganhou o concurso que durou três anos, já no governo de Epitácio Pessoa em 1909, a letra de Osório Duque Estrada que, sem ter conhecido Francisco Manuel da Silva, tornou-se seu parceiro muitos anos depois de sua morte.