http://blogs.band.com.br/marcondesbrito

Sidebar
22
DE novembro
DE 2010

Atenas04 sofre com a ressaca olímpica

postado por Marcondes Brito em Reportagens

22
DE novembro
DE 2010
10

Comentários

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars
Loading ... Loading ...

Cena 1 - Parque Aquático do Complexo Olímpico: um senhor aparentando mais de 70 anos nada lenta e calmamente naquela manhã de sexta-feira. O local  (onde Michael Phelps ganhou 8 medalhas) está aparentemente bem conservado, mas completamente desabitado, sem vida.

Cena 2 - Pista de Atletismo do Complexo Olímpico: um jovem, meio gordinho, queima calorias numa corrida descompromissada. Com certeza não é atleta nem está em busca de grandes performances.

Cena 3 - Estádio Olímpico: máquinas aparam cuidadosamente a grama onde o Panathinaikos (time do pentacampeão Gilberto Silva) e AEK Atenas, dois dos clubes mais populares da Grécia, disputam as suas partidas oficiais.

O Complexo Olímpico de Atenas-2004 – que tive a curiosidade e oportunidade de conhecer na semana passada -  impressiona pela beleza e pela imponência. Impossível não lembrar de um elefante branco. Tudo lá é branco como nuvem e meio paradão como um grande elefante.
Para início de conversa, é bom lembrar que toda a grandeza do maior acontecimento esportivo do mundo começou na Grécia, na cidade de Olímpia, em 776 antes de Cristo. Os livros de história contam que os Jogos surgiram para resolver esportivamente o que as armas não conseguiriam, além de uma homenagem aos deuses e um momento de confraternização dos cidadãos.
A partir de 1896,  graças ao empenho visionário do francês Pierre de Frédy, o Barão de Coubertin – idealizador do renascimento dos Jogos existentes na Grécia Antiga, mentor do movimento olímpico e fundador do Comitê Olímpico Internacional – começaram a ser disputados os chamados Jogos Olímpicos da Era Moderna. Em 6 de abril de 1896 – ou 26 de março, segundo o antigo calendário Juliano vigente na Grécia -, um reformado estádio Panathinaiko foi palco da abertura, com a participação de 241 atletas – todos homens – de 14 países, competindo em nove esportes (atletismo, ciclismo, esgrima, ginástica, levantamento de peso, luta grec o-romana, natação, tênis e tiro).
Em 1996, quando se comemorou o centenário dos Jogos, a comunidade olímpica internacional acreditava ser direito de Atenas, uma das cidades-candidatas e berço do olimpo tanto na antiguidade quanto na Era Moderna, de sediar novamente a competição. Entretanto, os delegados do COI – no Congresso de 1990, em Tóquio – elegeram Atlanta como sede para 1996, com 51 votos contra 35 para Atenas. A escolha provocou protestos, acreditando-se que os executivos do Comitê Organizador de Atlanta haviam usado o poder financeiro da cidade – sede mundial da Coca Cola, principal patrocinador do evento. Nunca se provou nada.
O Barão de Coubertin tinha uma mentalidade oposta a dos atuais dirigentes do esporte olímpico. Ele esperava que os Jogos invertessem, ja naquela época, a onda a que assistia em todo o mundo, da crescente comercialização do desporto. Hoje, sem dissimular, o presidente do COI, o belga Jacques Rogge, trabalha para reforçar as finanças do órgão, como declarou em recente entrevista publicada no jornal “Lance”:
“Quando fui eleito presidente, em 2001, encomendei um estudo para saber quanto a entidade conseguiria sobreviver sem os rendimentos dos Jogos Olímpicos. Imagine uma situação em que a Olimpíada fosse cancelada. O estudo apontou que o COI conseguiria sobreviver 18 meses. Depois disto, eu fecharia as portas e diria adeus a todo mundo porque não existiria o COI nunca mais. Eu disse a mim mesmo que isso era inaceitável, e criei um projeto para acumular reservas para sobreviver quatro anos. Passamos de uma reserva de aproximadamente US$ 98 milhões para mais de R$ 500 milhões. Então, conseguiremos sobreviver. Mas, ao mesmo tempo, aumentamos o repasse de dinheiro aos Comitês Olímpicos Nacionais e Federações Internacionais, algo em torno de 40%, o que é substancial”.
A exuberância financeira do COI não guarda a menor relação com a realidade de Atenas. Os locais vazios, muitos dos quais dominam áreas renovadas da costa do mar Egeu, se tornaram as mais visíveis lembranças da era de gastos excessivos da Grécia. Eles vão de um estádio vazio de softbol e área para a prova de caiaque até um estádio de praia para voleibol e uma marina para vela.
A Grécia tenta, até hoje, lidar com os escombros financeiros causados pela enorme dívida pública causada pelos Jogos de Atenas em 2004. Eles custaram aproximadamente US$ 14 bilhões. Só o complexo esportivo consumiu US$ 213 milhões aos contribuintes, incluindo estádios para esportes com poucos ou sem praticantes no país. Segundo o jornal esportivo Fanatik, de Atenas, o abandono do complexo olímpico causa prejuízos de cerca de US$ 12,3 milhões por ano.
Com exceção do Estádio Olímpico, as demais instalações são pouco ou quase nunca utuilizadas profissionalmente. Também conhecido como Estádio Spiridon “Spiros” Louis, em homenagem a Spiridon Louis, 1º vencedor da Maratona em Jogos Olímpicos, em 1896), foi inaugurado originalmente em 1982, e sede dos Jogos Mediterrâneos de 1991 e do Campeonato Mundial de Atletismo de 1997.

Um carrinho de supermercado largado no complexo: o cenário olímpico de Atenas 2004 ganha ares de abandono

O estádio foi completamente renovado para os Jogos de 2004, e é, seguramente, o espaço mais utilizado do Complexo Olímpico. Talvez o único que não pode ser chamado de “elefante branco”, expressão  popular que surgiu na Índia.  Contam que os antigos rajás ofereciam um elefante branco a determinadas pessoas. Por ser tão raro e distinto, este animal não servia para trabalhar, nem para a caça por causa da cor que inspirava também grandes cuidados com a sua limpeza. Resumindo, o elefante não servia para rigorosamente nada, a não ser para deleite visual, o que implicava a ruína do novo proprietário.
Impossível não temer que o Brasil sofra consequências semelhantes. Tão logo foi anunciada a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, diversos setores da sociedade já alardearam a neces sidade de realização de inúmeros projetos de adequação da infraestrutura. De fato, a cidade deve passar por uma completa reformulação para receber o mais importante evento esportivo do planeta.
Mas – além do complexo – na opinião do Comitê Olímpico Internacional, o Brasil precisa enfrentar (e vencer) dois enormes e prioritários desafios:
“O desafio número 1, que vem desde a Olimpíada de Munique-1972, é segurança. Este é o maior problema. É necessário ter uma boa segurança nos Jogos. Não estou dizendo que o Rio não é capaz. Eu acredito que o Rio é capaz de providenciar uma boa segurança para 2016. Mas, enfatizo, a segurança é fator número 1. Estamos falando de vidas humanas. O segundo grande problema, e também digo que se trata de algo generalizado em Olimpíadas, com raras exceções, é o transporte. Não é fácil mover milhares de pessoas em uma cidade já lotada. Então, segurança e transporte são os dois grandes problemas”, diss e o presidente Jacques Rogge.
Certamente que não haveria adjetivo mais apropriado para a “Cidade Maravilhosa” se o Rio de Janeiro pós-Olimpíadas se transformasse numa cidade realmente segura para os seus habitantes e visitantes.
Mas, afinal, o Complexo Olímpico do Rio corre o risco de ficar abandonado como o de Atenas? Se olharmos para o exemplo do Pan-Americano de 2007, sim.  A estrutura do Pan foi superdimensionada, quase suficiente para abrigar as Olimpíadas. Poderia ser realizado com menos obras, adaptando a estrutura já existente no Rio de Janeiro. E o pior: o orçamento federal foi dez vezes maior que o inicialmente proposto.
Em todo caso, é melhor pensar positivamente e imaginar o melhor dos mundos. O Brasil quer ser uma potência olímpica e essa virada pode acontecer a partir dos Jogos do Rio em 2016.
Do ponto de vista de infra-estrutura, podemos buscar exemplos em outras cidades-sede, com resultados diametralmente opostos. Dezesseis ano  separaram os Jogos de Montreal, em 1976, da edição olímpica de Barcelona, em 1992, mas um abismo explica a realidade das duas cidades após terem abrigado os Jogos. A conta da transformação e da revitalização na infraestrutura de uma contrasta com o rombo nos cofres imposto a outra.
No caso de Atenas, a explicação para o abandono das instalações olímpicas pode ser cultural. Diz a lenda que os gregos sempre gostaram de esportes – desde mais de 700 anos a.C -  mas, hoje em dia, eles gostam mais é de fumar.


* RECEBA POR E-MAIL AS ATUALIZAÇÕES DESTE BLOG

* SIGA O BLOG “FUTEBOL ETC” NO TWITTER

04
DE novembro
DE 2009

Uma aventura na India

postado por Marcondes Brito em Reportagens

04
DE novembro
DE 2009
0

Comentário

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars
Loading ... Loading ...

Ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Nova Délhi,  o turista pode sentir, em poucos minutos, o desafio de viver e de se aventurar por um país com quase 1,2 bilhão de habitantes.
Preste atenção nos números: o Brasil, nosso país de dimensões continentais, representa só uma vírgula numa comparação populacional com a Índia. Pois bem, logo no desembarque,
um batalhão de taxistas luta pela oportunidade de conduzi-lo ao seu destino. No aeroporto, sem sala vip ou qualquer outro luxo aparente e com obra para todo lado, dezenas de placas alertam: “Obrigado pela sua compreensão e paciência”. (mais…)

Criação de Sites e Comunicação Digital: Agência Qualitare