Em junho, a ¨Four Four Two¨ preconizou que o futebol brasileiro estava decadente, acabado. Por aqui, a gritaria foi geral. A revista inglesa é uma das mais respeitadas publicações do mundo, e sua reportagens repercutem no meio futebolístico. A capa tinha ilustração com um escudo da CBF com a sigla trocada. As iniciais RIP no escudo significam, em inglês, ¨descanse em paz¨, numa alusão à morte do nosso futebol.
E agora que estamos vivenciando uma ameaça de crise, especialmente na seleção brasileira de Mano Menezes, vale a pena refletir sobre essa suposta decadência. Particularmente não concordo com a ¨Four Four Two¨. Prefiro dar razão ao ex-jogador Tostão, que escreve hoje em sua coluna na Folha de S. Paulo:
“Tenho esperança no jogador brasileiro. Em 1968, o Brasil levou também um baile da Alemanha. Eu estava em campo. Todos diziam que o futebol brasileiro estava ultrapassado. Dois anos depois, na Copa de 1970, o Brasil encantou o mundo”.
Na verdade, deveríamos estar muito mais preocupados com outros assuntos do nosso cotidiano e tratar o futebol apenas como lazer. O futebol não pode e não deve ser levado tão a sério. O Brasil sempre foi e sempre será um celeiro inesgotável de craques. Até a Copa de 2014 teremos tempo de formar um time competitivo para brigar pelo hexa. Não que isso seja uma obrigação. Não é não. Mas acredito que vamos brigar pelo título, apesar de estamos, hoje, apenas em 4º lugar no ranking da Fifa. Aliás, a perda da liderança nesse ranking do futebol também é motivo de uma certa histeria por parte dos especialistas.
Eu não vejo, por exemplo, a mesma preocupação da população brasileira em relação à avaliação de risco financeiro do nosso País. Esta mesma que foi feita pela Standard and Poor’s (S&P) e que reduziu a nota da dívida pública dos Estados Unidos, algo inédito na história. A qualificação do crédito americano de longo prazo passou da nota máxima “AAA” para “AA+”, diante da crescente dívida e do pesado déficit no orçamento.
O Brasil, por esta classificação, tem a nota “BB+”. Isto significa dizer que não temos motivos para tripudiar da crise norte-americana. O Brasil ainda está longe das grandes potências mundiais. Isto, sim, pode afetar a minha, a sua, a nossa vida .
No futebol, não. Nessa brincadeira de jogar bola, nós somos “Primeiríssimo Mundo”. Os ingleses da revista ¨Four Four Two¨ podem cornetar, torcer contra, fazer o que quiserem, mas logo, logo daremos a volta por cima, apesar de Ricardo Teixeira e Mano Menezes.
Veja abaixo a Classificação da S&P e o Ranking da Fifa. Perceba que há pouca relação entre os países “bons de grana” e os “bons de bola”:
CLASSIFICAÇÃO STANDARD AND POOR’S
| País |
Classificação |
| Austrália |
AAA |
| Áustria |
AAA |
| Canadá |
AAA |
| Dinamarca |
AAA |
| Finlândia |
AAA |
| França |
AAA |
| Alemanha |
AAA |
| Reino Unido |
AAA |
|
|
| EUA |
AA+ |
|
|
| Brasil |
BB+ |
O RANKING DA FIFA
| País |
Pontuação |
| Espanha |
15880 |
| Holanda |
15420 |
| Alemanha |
13050 |
| Brasil |
12021 |
| Uruguai |
11561 |
| Inglaterra |
1146-2 |
| Portugal |
10766 |
| Itália |
1059-2 |
| Croácia |
1033-1 |
| Argentina |
10136 |