Alimentação saudável fez mais um aniversário

O Gabriel fez quatro anos longe de refrigerantes, balas, pirulitos, bolacha recheada, salgadinhos e tantas porcarias que surgem no mercado todos os dias. Como registrei nos anos anteriores, é possível uma criança ser feliz comendo alimentos saudáveis. E acreditem: mantê-lo longe dos alimentos de caloria vazia, sem nutrientes, e ricos em sódio, gordura e açúcar não exige nenhum grande esforço. É só não experimentar. A criança nem sabe que essas coisas existem e, portanto, não sente falta.

Para o refrigerante, que aparece o tempo todo e em qualquer lugar, a explicação é a mesma que usamos para bebidas alcoólicas: não faz bem para crianças. E logo chega um copo com um belo suco de laranja ou de melancia para deixar o refrigerante para trás. Mas o mais bonitinho é quando ele pede para o garçom: – uma água sem gás!

Sem as guloseimas e refrigerantes para competir com o paladar, ele continua satisfeito comendo frutas, verduras e legumes todos os dias. E por mais que essa alimentação esteja estruturada nesses quatro anos de vida, ainda acho estranho quando me pego falando essas coisas quase todos os dias: – Chega de chuchu, Gabriel! – Já comeu muita cenoura, agora coma a carne. – Depois eu dou mais brócolis, precisa comer as outras coisas. – Não é só couve-flor, Gabriel, coma o resto. – Você não vai aguentar toda essa beterraba!

E por aí ele vai, com o prato sempre colorido, comendo tomate, couve, escarola, alface, milho, grão-de-bico, ervilha, lentilha, abobrinha, beringela…

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Olhando o tempo

Quase quatro anos! O aniversário dele está chegando e tenho pensado muito no que acontecia quando o Gabriel estava para nascer. Do meu apartamento enxergo o flat onde fiquei esperando o dia do parto. Tenho olhado tanto para lá, o pensamento voa. Que tempo bom! Uma pausa na entediante morada em Brasília, a Nara chegando quase todo final de tarde nublada com pão de queijo quentinho. Era um novembro assim, tempo fechado, friozinho ameno.

Na contagem semana a semana, pressionada pelos meus 44 anos, seguia as recomendações médicas de estar pronta para receber um filho com alguma deficiência, mas a alegria da gravidez e da possibilidade de ser mãe mais uma vez era maior do que tudo.

Que alegria quando ele nasceu saudável. Um bebezão lindo! Mamou vigorosamente desde a primeira pegada. Foi tudo tão perfeito! O conforto da bela maternidade do Hospital Albert Einstein depois de dois filhos com serviço público de saúde foi só um dos pequenos detalhes dessa jornada maravilhosa. Sair dali para o improviso do flat foi uma farra. É bom lembrar, afinal, começava ali a nova vida de uma família cada vez mais unida em torno de um menininho adorável que veio para alegrar os nossos dias desde então.

E de novidade em novidade temos vivido. Nada mais gostoso do que ver o desenvolvimento de uma criança. Às vésperas de completar quatro anos, ele já faz perguntas tão complexas que mal consigo responder. E a cada dia tropeço mais nos meus conhecimentos insuficientes sobre a vida dos animais e no meu precário vocabulário de inglês para satisfazer tanta curiosidade. Preciso de muita saúde física e mental para dar conta desse menininho tão alegre e cheio de energia. E daquele tempo, do cheirinho e do chorinho de bebê, sentirei saudade para sempre…

Cinema e livro são bons aliados no estímulo à leitura

Estimular as crianças para que gostem de ler e de estudar é muito gostoso. Com o meu filho de três anos, vejo que o incentivo que recebe em casa tem um ótimo efeito no jeito como ele lida com o mundo das palavras. Com um vocabulário muito bom, ele conta histórias com ritmo, riqueza de detalhes, começo, meio e fim.

Ontem, ele foi ao cinema e adorou O Rei Leão. Hoje, logo cedo, quis ouvir a história e eu li o livro da coleção Contos Disney. Relembramos cenas e diálogos do filme, comentamos detalhes da história, foi uma delícia. E sei que esse passeio ainda vai render muita coisa em torno do tema essa semana.

Ele recebeu os estímulos por meio da linguagem cinematográfica e reforçou com a leitura do livro. Além de fortalecer o vinculo afetivo com a família em um gostoso passeio de domingo, ele aprendeu muita coisa que será importante na vida dele lá na frente, na alfabetização, por exemplo.

É muito comum fazermos isso com ele em casa. Ele vai ao teatro e ao cinema e depois contamos a mesma história lendo um livro. Ele assiste a um DVD com um filme ou um episódio do Cocoricó e depois ouve a história do livro que ele mesmo procura na estante.

Encantado com as histórias, ele transforma os seus bonequinhos em personagens de uma peça de teatro e encena os enredos repetindo diálogos e ações ou inventando novas situações. Ele mesmo é o ator em muitas montagens improvisando roupas e acessórios com o que encontra pela frente. Uma coisa leva a outra, em um processo de criação sem fim.

Aos 3 anos e 9 meses, muito mais importante do que conhecer algumas letras e saber ler e escrever o próprio nome é o fascínio que ele tem pelos livros e a facilidade com que conta uma história. Ele interpreta o texto e discute o papel dos personagens e as ações marcantes do enredo. Em uma brincadeira inventada pelo pai, mostrou que sabe elencar os trechos que gosta e que não gosta das muitas histórias que conhece. Essas habilidades o ajudarão muito na escola, no trabalho, na vida.

Filhos precisam contar com o pai tanto quanto com a mãe

Saber para onde correr quando precisa de proteção ou de ajuda, ter um colo aconchegante quando está doente ou machucado, tanto faz se quem está por perto é o pai ou a mãe, o importante para a criança é acreditar que pode contar com o carinho e a atenção dos dois a qualquer momento. Com as mudanças no estilo de vida das mulheres, os homens cada vez mais assumem funções importantes na educação e cuidados com os filhos e podem muito bem fazer isso.

Para o psicólogo Florival Scheroki, é fundamental oferecer proteção, segurança e um ambiente propício para a criança explorar o mundo e se desenvolver, e tanto os pais como as mães têm esse papel. Para o bom desenvolvimento infantil é importante que a criança identifique o adulto como um porto seguro em qualquer situação da vida.

As cenas da criança correndo para os braços do pai quando se machuca no parque, ou choramingando no colo do pai enquanto aguarda atendimento no pronto-socorro mostram que os homens podem manter uma relação de proximidade com o filho para desempenhar bem a função de cuidador.

Segundo o psicólogo, a criança precisa de figuras de apego com as quais se identifica e conta sempre. É sob essa segurança e proteção que ela vai desenvolver as suas habilidades até se tornar autônoma. O pai e a mãe precisam se mostrar disponíveis em situações novas e ameaçadoras para que a criança desenvolva dentro dela essa certeza de que tem um refúgio seguro para onde pode correr sempre que precisar.

As mulheres sempre estiveram mais disponíveis, mas cuidar e suprir as necessidades das crianças não precisa ser exclusividade delas. Muitos homens abriam espaços internos e estão mais disponíveis para os filhos, conseguindo desempenhar a dupla jornada – trabalhar e cuidar dos filhos – a exemplo do que as mulheres já fazem há muito tempo.

Amamentação alimenta a relação entre mãe e filho

Semana Mundial de Amamentação

Um ato de amor, um ato de proteção, um passo importantíssimo na formação e no fortalecimento do vínculo entre a mãe e o bebê: amamentar é ser mãe plenamente.

Amamentei os meus três filhos, as duas primeiras por menos tempo do que eu gostaria. Fui mal orientada pelos pediatras e o leite acabou antes do sexto mês. Fiquei muito triste nas duas ocasiões, tentei continuar, mas não encontrei profissionais competentes que me ajudassem a manter o aleitamento materno. Hoje, sei que teria sido possível, mas, naquela época, a amamentação não era valorizada e as jovens mães como eu sabiam muito pouco a respeito para encontar uma alternativa sozinhas.

Com o terceiro filho, mais de 20 anos depois, foi tudo diferente. Mesmo passando por uma mastite, sentindo fortes dores, não precisei interromper a amamentação porque tive a orientação necessária para contornar o problema.

Muito mais do que oferecer o melhor leite para o bebê, sempre entendi a amamentação como uma oportunidade de alimentar a relação com os meus filhos. Além de ingerir muita água e manter uma alimentação saudável e variada para garantir a quantidade de leite necessária, repeti com o meu caçula o ritual de amor e afeto que tinha com as meninas.

Sempre fiz questão de ficar sozinha com eles para trocar olhares e carinhos enquanto amamentava: um ambiente silencioso, sem televisão, sem nada para interferir. Mesmo quando tinha visitas, me retirava para o quarto para amamentar tranquilamente. Nas sete ou oito mamadas do dia, o ritual era o mesmo: parava tudo para amamentar e curtir intensamente os meus bebês. Esses momentos vividos com eles estão entre as melhores lembranças da maternidade.

Amamentando, sentia-me mais mãe do que nunca! E com o passar do tempo, com tudo o que aprendi, sei que agi corretamente, pois é assim que os bebês começam a desenvolver a linguagem e podem aprimorar a comunicação com a mãe.

OMS: Menos de 40% dos menores de 6 meses são alimentados exclusivamente com leite materno

No primeiro dia da Semana Mundial da Amamentação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou hoje (1º) que menos de 40% das crianças menores de 6 meses em todo o mundo são alimentadas exclusivamente com leite materno.

De acordo com o órgão, mais de 170 países – incluindo o Brasil – celebram a data em uma tentativa de aumentar os índices. O aleitamento materno exclusivo constitui uma estratégia eficaz na redução da mortalidade infantil entre crianças menores de 5 anos.

De acordo com a diretora-geral assistente da OMS, Flavia Bustreo, a introdução ao leite materno logo nos primeiros dias de vida do bebê, o regime exclusivo nos primeiros seis meses e a permanência do alimento na dieta até pelo menos os 2 anos de idade podem reduzir em um quinto a morte de menores de 5 anos.

Fonte: Agência Brasil

Os dois primeiros anos são a melhor época para ensinar à criança a comer de tudo

Uma conversa com a nutricionista Isa Maria de Gouveia Jorge

Até os dois anos de idade, a criança recebe de bom grado tudo o que é oferecido para comer, sem rejeitar as novidades. É a fase de levar tudo à boca, inclusive os alimentos que pode manusear.

A primeira oportunidade que a criança tem de se acostumar com os sabores diversos de uma boa alimentação é a amamentação. O sabor do leite materno muda de acordo com o que a mãe come. Por isso, se ela tiver uma alimentação variada, o bebê entrará em contato com sabores diferentes e irá desenvolver um rico paladar. A recomendação da Organização Mundial de Saúde é o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade. A partir daí, a criança passa a receber outros alimentos que devem ser variados e saudáveis.

Segundo a nutricionista Isa Maria de Gouveia Jorge, supervisora de saúde e nutrição das creches e pré-escolas da Universidade de São Paulo (USP), as mães não devem desanimar diante das caretas dos bebês quando experimentam um legume, uma verdura ou uma fruta pela primeira vez. O ser humano nasce gostando de doce e salgado e precisa aprender a apreciar o azedo e o amargo. A careta é só um estranhamento e não um sinal de que ele não gostou e não vai gostar nunca. Um alimento precisa ser oferecido 10 vezes para a criança se acostumar com o sabor.

Nesse período inicial, de introdução dos novos alimentos, é aconselhável evitar os produtos industrializados, com sabores mais fortes alcançados com o excesso de sal, açúcar e gordura. A criança não deve experimentar uma bolacha recheada, deve ser acostumada aos biscoitos tipo Maria ou Maizena, que não interferem negativamente no paladar.

“É preciso uma atenção da família para não introduzir precocemente alimentos industrializados. Tanto no Brasil como no exterior, as crianças entram em contato com alimentos ricos em sal, gordura e açúcar antes de um ano de idade. Essa alimentação precisa mudar. A prevenção começa com a mãe oferecendo o leite materno”, afirmou.

Não comi e não gostei

Muitas crianças dizem que não gostam do alimento quando nem conhecem. Para se familiarizar com mais facilidade, é bom que seja colocada em contato com uma grande variedade de alimentos saudáveis logo no início da alimentação, antes de os dois anos de idade. A educação alimentar começa antes de engatinhar. O bebê aprende a segurar com as mãozinhas as frutas e os legumes para estimular a mastigação e conhecer um alimento novo. “O bebê tem apetite voraz. Ele chega a crescer 30 centímetros em um ano, por isso precisa comer muito. É mais fácil aceitar nessa fase de apetite voraz.”

A nutricionista recomenda não oferecer para a criança apenas laranja lima. É bom dar laranja pêra e lima da Pérsia para a criança se acostumar a novos sabores. É nessa época que a chance de gostar de jiló e escarola é maior. Depois de conquistado o paladar da criança para alimentos saudáveis, ela carregará isso para a vida toda.

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Alimentos industrializados roubam o paladar das crianças

Uma conversa com a nutricionista Isa Maria de Gouveia Jorge

Quanto mais cedo as crianças entram em contato com alimentos industrializados menos elas gostam de frutas, verduras, legumes, carnes e todos os tipos de produtos in natura. Uma boa educação alimentar mantém a criança longe das guloseimas, refrigerantes, salgadinhos e fast food pelo maior tempo possível para permitir que ela desenvolva um bom padrão alimentar que levará para a vida toda. Em geral, o que a criança come até os quatro anos idade é o que deverá comer até adulta. A partir dessa idade, a criança introduz novos alimentos à dieta, mas com pequena variação em relação ao que aprendeu e ao paladar que desenvolveu nos primeiros quatro anos de vida.

Para a nutricionista Isa Maria de Gouveia Jorge, supervisora de saúde e nutrição das creches e pré-escolas da Universidade de São Paulo (USP), depois que a criança experimentou, não é possível recuar. Não adianta proibir o consumo de algo que ela já conhece e gosta, o melhor é não comer pela primeira vez.

Segundo Isa Jorge, as crianças entram em contato muito cedo com alimentos industrializados, ricos em gordura, sódio e açúcar, que ganham o paladar da criança, e os sabores mais leves dos produtos in natura vão perdendo espaço na alimentação. “O excesso de gordura, açúcar e sal melhora o sabor dos alimentos. Os alimentos industrializados são altamente palatáveis.”

O exagero de sódio é uma armadilha para pegar as crianças. Dos vários tipos de macarrão instantâneo existentes no mercado, os que são associados a personagens infantis são os que mais contêm sódio: o sabor tomate tem 1.700 miligramas de sódio e o sabor galinha e carne tem 1.900 miligramas de sódio. A necessidade diária de sódio de um adulto é 1.500 miligramas de sódio. Ou seja: se a criança come um pacote do chamado “miojo” infantil está consumido mais do que a necessidade diária de sódio de um adulto.

Em pesquisa realizada para o doutorado, Isa Jorge levantou os dez alimentos preferidos das crianças e apenas três deles, os últimos colocados da lista, podem ser considerados saudáveis. As crianças escolheram: batata frita, pizza, salgadinho de pacote, salsicha, biscoito recheado, refrigerante, chocolate, frango, iogurte e melancia. “Essa alimentação precisa mudar”, afirmou.

Namorar é coisa de gente grande

Uma conversa com a professora do Instituto de Psicologia da USP Walkiria Grant

O que pretende um adulto quando pergunta para uma criança se ela tem namorado? Quem não viu essa cena várias vezes? Meninos e meninas constrangidos acham que se estão perguntando é porque deveriam ter. É comum as pessoas que não têm assunto com as crianças apelarem para conversas de gente grande com elas.

O pior é quando a confusão entre o que é de criança e o que é de adulto parte dos próprios pais. Muitos acham engraçadinho quando as crianças falam que têm namorados, trocam beijinhos e declarações de amor. Também é comum falarem que o menino vai ser pegador ou brincarem de oferecer os bebês como pretendentes para os filhos dos amigos.

Essa conversa toda contribui para a erotização precoce e aumenta as chances de essas crianças se tornarem adultos com problemas relacionados à sexualidade e dificuldades para estabelecer bons relacionamentos amorosos. Mas os problemas podem começar ainda na infância. Com o pensamento voltado para o próprio corpo, as crianças podem ter o aprendizado prejudicado. Elas não têm um bom desempenho na escola porque estão ocupadas com assunto fora de hora. É papel dos pais separar o que é do mundo adulto e do mundo infantil e não misturar tudo como muitos vêm fazendo.

O meu filho de três anos chegou da escola, um dia desses, contando que uma amiguinha “já tem namorado!” Até ele sabe que é cedo para namorar porque falou “já”. Expliquei que criança não tem namorado, ele teimou que sim, eu insisti que não.

Para a professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Walkiria Grant, o namoro é a vivência da sexualidade, da atração pelo corpo do outro, portanto, não é assunto de criança. A atitude dos pais deve ser de provocar as crianças para pensarem em outras coisas. Apenas na adolescência, por volta dos 14 anos, o corpo sofre transformações e responde pela linguagem. Antes disso, qualquer iniciativa para erotizar as relações ou fantasias infantis deve ser evitada. O que os pais e a sociedade falam promove mudanças precoces interferindo negativamente no desenvolvimento infantil.

Segundo ela, os pais que introduzem precocemente esse tema na vida das crianças podem estar enfrentando problemas com a própria sexualidade. Os pais que têm uma vida sexual reprimida vivem a sexualidade pelo prazer dos filhos. “Quanto mais comprometida estiver a vida sexual, mais escorregam. Os pais são o grande nó: ou impedem o adolescente de namorar ou empurram o filho para a sexualidade precoce”.

Crianças precisam ter obrigações desde pequenas

“Mamãe, você gosta de mim sempre, né?” O meu filho de três anos disse isso com um sorriso delicioso quando reparou a cara de mãe babona encantada com o jeitinho dele enquanto comia. Respondi com uma risada gostosa e expliquei: “Às vezes, não gosto do que você faz, não gosto de má-criação, mas continuo gostando de você sempre. Eu fico brava quando você faz coisa errada, mas não paro de gostar de você.”

Vivi essa situação pouco tempo depois de ler uma entrevista com o psiquiatra Içami Tiba, sobre o seu novo livro, “Pais e Educadores de Alta Performance”, no qual alerta para os riscos de uma educação que oferece tudo às crianças sem exigir nada em troca. Ele critica a cultura de criar as crianças para ter prazer na vida e afirmou: “É exigir que ela (a criança) faça o que é necessário. Os pais dão tudo e depois castigam os filhos porque estes fazem coisas erradas. Mas não é culpa dos filhos. Afinal, eles não querem estudar porque estudar é uma coisa chata, mas alguma vez ele fez algo que é chato em casa?”

Para Içami Tiba, “a educação é um projeto de formar uma pessoa com independência financeira, autonomia comportamental e responsabilidade social.” Além de concordar, não acho difícil de fazer, de exigir que os filhos tenham responsabilidade desde pequenos para aprender a viver em casa e fora dela. As crianças precisam ter obrigações de acordo com a idade. São pequenas tarefas que vão entrando na vidinha delas conforme vão crescendo. Os pais devem exigir respeitando a capacidade da criança para exercer tarefas e assumir responsabilidades.

É como afirmou o psiquiatra, os pais não podem fazer pelos filhos o que eles são capazes de fazer sozinhos. “É preciso impor a obrigação de que o filho faça, isso cria a noção de que ele tem que participar da vida comunitária chamada família.”

A criança percebe relação de amor

Em casa, costumamos viver momentos deliciosos durante as refeições. Conversamos e brincamos muito o tempo todo enquanto comemos. E muitas vezes chegamos à mesa, como aconteceu ontem, depois de umas broncas para juntar os brinquedos. Ele recolhe as coisas esparramadas pelo chão enquanto eu sirvo à mesa, para não cair comida nos brinquedos. Vira e mexe, fica enrolando, brincando em vez de guardar, mas eu insisto a cada prato ou travessa que levo no vaivém da sala para a cozinha. Para ajudar, vou orientando, “pega aquele carrinho ali, coloca esses na cestinha…”, para que ele não se perca no meio da bagunça e consiga cumprir a tarefa. Quando não obedece de jeito nenhum, tem bronca.  Se tem coisa demais, recolhemos juntos. Depois, é lavar as mãos e sentar para comer. Recebendo atenção e sendo exigido, um menino de três anos percebe que é amado pela mãe sempre, como ele mesmo disse.