Uma obra de arte?

Às vezes entender o valor de uma obra de arte nos tempos modernos não tarefa das mais fáceis. Muita gente, por exemplo, está encontrando dificuldade em interpretar o sentido desta torre, ArcelorMittal Orbit, inaugurada no Parque Olímpico, de autoria do artista Anish Kapoor.

O jornal The Guardian fez uma matéria especial onde você pode conferir como é a experiência de subir na torre e também escutar a opinião de moradores que moram nos arredores da obra. Eu achei muito apropriada a comparação do repórter com o trabalho do holandês Hieronymus Bosh, que gostava de retratar o mundo sob uma ótica um tanto quanto caótica.

Confira o vídeo aqui

Ahh.. o cidadão comum que quiser subir na torre e admirar Londres dos seus 115 metros de altura deverá estar preparado para desembolsar 15 libras.

ArcelorMittal Orbit
Postado em Sem categoria | Deixe um Comentário

Por dentro do Parque Olímpico

Estádio Olímpico tem capacidade para 80 mil pessoas, mas pode ser reduzido para até 25 mil após os jogos. A torre, chamada "A Órbita", foi constuída com 40% de material reciclado e continuará recebendo turistas após os Jogos

Ontem visitei o Parque Olímpico de Londres. O local que abrigará a maioria das competições durante as Olimpíadas está praticamente pronto. Um passeio guiado de aproximadamente uma hora me apresentou uma gigantesca área com diversos, e belos, complexos esportivos. De dentro do acanhado ônibus com quase 20 convidados, uma guia um tanto quanto simpática nos contou um pouco da história do local e dos jogos.
Os ingleses estão batendo bastante na tecla da reestruturação da área onde o Parque Olímpico foi levantado. Stratford, na região nordeste da cidade, era considerada uma região abandonada e pobre. Além de toda evolução imobiliária da região, um dos destaques da chegada dos jogos à região foi a construção de um imenso shopping centre e a estação de Stratford Internacional. Os organizadores esperam até 800 mil pessoas utilizando o transporte público diariamente durante a competição.
Também se fala muito em sustentabilidade e no legado que o evento deixará para a cidade e à todo o Reino Unido. Ia escrever mais sobre gastos e números, mas prefiro fazer algo que penso ser mais interessante. Vou colocar diversas fotos contando sobre cada um dos ginásios e o que será feito com eles após a disputa dos jogos.
Tá chegando a hora…

Todo veículo é revistado antes de entrar no Parque Olímpico. Cães farejadores ajudam no trabalho para manter o local longe de ataques terroristas

Assim como a maioria dos locais de prova, o centro aquático terá acentos removidos ao término das competições olímpicas e paraolímpicas. A capacidade será reduzida em 15 mil lugares, passando de 17.500 para 2.500. O centro será utilizado pela comunidade e por atletas de elite ao final dos Jogos

Neste complexo serão disputadas as partidas de handebol masculino e feminine. Também será a casa do GoalBall durante as Paraolimpíadas. Após os Jogos se transformará numa arena multiuso para esporte, cultura e negócios

O velódromo receberá as provas do ciclismo. E como ciclismo aqui na Inglaterra é coisa séria, eles vão utilizar a área para formar novos atletas. Tem capacidade para seis mil pessoas e o formato do prédio foi criado para que ele pudesse colher e reutilizar a água da chuva, assim como os raios solares

A Arena do Basquete receberá também o basquete e o rugby de cadeiras de rodas. Nos jogos Olímpicos a capacidade será de 12 mil lugares, enquanto nos Paraolímpicos sera reduzida à 10 mil. O local também vai servir de concentração para os atletas durante as cerimônias de abertura e encerramento. Após os jogos a arena, móvel, será desmontado

A Arena de Pólo Aquático fica próxima ao centro aquático e será removido ao final dos jogos.

Vista da vila olímpica. Este é o local onde os atletas estarão alojados durante as competições. De acordo com os organizadores, aproximadamente 23 mil pessoas, entre atletas e dirigentes ficarão alojados nestes prédios. O governo ingles divulga mais de 2.800 novas casas à população

IBC. Serão mais de 20 mil jornalistas e profissionais de imprensa neste local. O local possui 80 mil metros quadrados, que serão transformados em espaço comercial ao final dos Jogos

Arena do Hóquei está em construção. A estrutura tubular será desmanchada após os Jogos

Postado em Sem categoria | 1 Comentário

Tá chegando a hora…

Vista do estádio em julho de 2011

A cada dia que passa Londres respira mais os Jogos Olímpicos. Hoje foram colocados à venda os bilhetes para um grande evento de teste do estádio Olímpico. No dia cinco de maio, um sábado, a partir das 19h (horário da Inglaterra), um festival denominado por eles como “uma noite de esportes e entretenimento” acontecerá no local de abertura da Olimpíada de Londres. Um total de 40 mil ingressos foram disponibilizados.
Aparentemente todos já foram vendidos, pois o link do site oficial não funciona. Não há, porém, uma confirmação oficial. A data foi escolhida por faltar 2.012 horas para o pontapé inicial dos Jogos. Estrelas do esporte olímpico e paraolímpico são esperados na data.
Haverá ainda um sorteio bastante interessante. Um dos espectadores será escolhido para participar no gramado, junto com os organizadores, da abertura oficial do estádio.
Além da data, haverá também mais alguns testes nos demais locais de provas durante a semana de 2 a 6 de maio. Com preços a partir de três libras, o torcedor poderá acompanhar Sincronizado Natação, Hóquei, Ténis de Cadeira de Rodas, Pólo Aquático e Paraolímpicos de Atletismo.
Assim como o uso do estádio, este será o primeiro teste de domínio comum do Parque Olímpico. Para o dia cinco, por exemplo, os organizadores esperam mais de 70.000 espectadores passando pelo local.
Postado em Sem categoria | Deixe um Comentário

Jornal destaca “The wall of shame” para a Copa do Mundo 2014

Na edição de hoje do jornal Metrô, aqui de Londres, duas páginas são dedicadas ao Rio de Janeiro por conta da recente visita do príncipe Harry ao Brasil. Em sua reportagem, o repórter Graeme Green deu voz a quem se considera “escondido” ou àqueles que o governo brasileiro acha mais conveniente tornar “invisível”. Neste caso, estávamos falando da abissal desigualdade social brasileira, um fato evidente no Rio de Janeiro. O texto fala sobre os jovens que fazem parte do projeto Luta pela Paz, existente há 12 anos no Rio. O repórter entrevistou jovens que afirmaram que, se não fosse este projeto, provavelmente eles estariam portando armas e trabalhando para o tráfico de drogas. Além disso, o texto também trata das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) que estão mudando a tensa relação entre comunidade e polícia.

Contudo, em um texto complementar – o famoso box ou retranca no jargão jornalístico – fala do “The wall of shame” que, de acordo com o jornal, nada mais é do que uma longa parede junto à Linha Vermelha com imagens icônicas da Cidade Maravilhosa durante o caminho do aeroporto interacional do Galeão à capital fluminense. O texto explica que atrás dessa parede estão 37 favelas, entre elas o complexo do Alemão e a Cidade de Deus, e que o muro foi construído há dois anos, assim que o Brasil foi confirmado como sede da Copa do Mundo de 2014. Segundo o repórter “acredita-se que o muro foi erguido para esconder o lado pobre do Brasil dos visitantes de outros países”. O jornal ainda informa que foram gastos R$ 30 milhões para erguer o tal muro.

Fora isso, o Metro traz estatísticas sobre os crimes no Rio, como, por exemplo, que a polícia mata três vezes mais do que nos EUA e que 20% da população da cidade vive em favelas. Como se vê, os antigos problemas sociais ainda persistem e vão ganhar ainda mais destaque mundial com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos em 2016. É importante lembrar que estes eventos, além de tudo, também precisam deixar um legado positivo para a população em vez de servir para aumentar ainda mais a gritante barreira social brasileira.

Postado em Copa do Mundo, Jogos Olímpicos | Deixe um Comentário

Estreando em uma première de Londres: Payback Season

Assim como acontece na principais cidades do mundo, Londres também é palco de várias premières, aquelas sessões de cinema realizadas apenas para convidados antes do lançamento oficial do filme para o público. Nestes dias exclusivos, é normal encontrar fãs na entradas dos cinemas – como o Odeon, por exemplo – no centro da cidade.

Nas premières geralmente atores, diretores, produtores e as pessoas envolvidas marcam presença no tapete vermelho em frente à entrada repleta de fotógrafos – neste caso, na frente do Odeon, em Covent Garden. Um pouco antes do filme, você pode comprar uns drinques – caso não seja uma estrela do filme – e, antes da exibição, o diretor e alguns atores falam à plateia sobre suas impressões do trabalho.

Nesta semana, na última terça-feira, tive o privilégio de participar da première de Payback Season, filme que está estreando hoje nos cinemas aqui em Londres. A obra trata de alguns problemas que os ricos e famosos jogadores de futebol enfrentam fora de campo. A obra rendeu ao ator principal Adam Deacon (que interpreta o jogador de futebol Jerome Davies) o BAFTA Rising Star (revelação) em fevereiro. Também participam David Ajala (Batman – O Cavaleiro das Trevas), Leo Gregory (Tristão & Isolda) e Anna Popplewell (Crônicas de Nárnia). A direção é de Danny Donnelly.

Outro destaque do elenco é o ex-jogador Geoff Hurst, que interpreta o empresário de Jerome Davies. Hurst foi o herói da vitória inglesa na final da Copa do Mundo de 1966, por 4 a 2, no estádio de Wembley, contra a Alemanha Ocidental. Ele fez três gols no jogo, dois deles na prorrogação. Hurst é o recordista de gols marcados em uma decisão de Copa do Mundo, embora seu segundo gol seja alvo de discussões por conta de polêmica bola que bateu no travessão e que não teria cruzado a linha do gol. Contudo, o tento foi validado pelo auxiliar Tofik Bakhramov.

Assista ao trailler do filme

Voltando ao filme, a história é sobre um jogador de sucesso, Jerome Davies. O filme não faz muita menção ao clube ou ao campeonato que o time disputa. Na verdade, o que menos se vê são cenas de futebol, já que a ênfase da trama está em como antigos “amigos”, da época em que o jogador ainda não era famoso, podem levar uma carreira à ruína.

Se no Brasil geralmente este passado dos atletas está relacionado aos velhos amigos das comunidades carentes, muitas delas afetadas pelo tráfico de drogas, aqui em Londres o problema são as gangues. E esta é a questão envolvendo o personagem Davies. Em nome da “velha amizade”, ele ajuda os amigos com generosas quantias de dinheiro. De início, esta relação é vista com inocência por Davies, mas, aos poucos, o cenário muda e o jogador sente que os integrantes da gangue se aproximam do seu irmão mais novo, Anton, com o objetivo de atraí-lo para o crime. Desta maneira, no começo, o que era festa com os “antigos amigos”, torna-se um pesadelo para Davies. Ele começa a beber, chegar atrasado aos treinos e vê que sua família e conhecidos podem sofrer nas mãos de uma gangue. Além disso, de repente, seu próprio futuro como jogador pode estar ameaçado. Para quem conhece a história do jogador Adriano, é possível enxergar muitas coisas em comum no filme, salvo as devidas proporções.

A produção, execução e atuação dos atores em Payback Season são pontos fortes no filmes, mas parte do roteiro ficou um pouco previsível e, às vezes, a história se arrasta demais. Contudo, o final do filme mudou esta minha impressão.

Postado em Sem categoria | 2 Comentários

Possível falta de água

Feriado, praias lotadas e problema no abastecimento de água. Esse cenário é bem conhecido dos brasileiros em determinadas épocas do ano.

Mas a falta de água pode atrapalhar também o cotidiano de Londres durante os Jogos Olímpicos. Nesta semana, a porta voz da Anglian Water, maior companhia de distribuição de água e coleta de esgoto da Inglaterra, afirmou que os reservatórios estão bem abaixo do nível normal, em alguns casos até 20%.

A moça disse que se não houver um aumento das chuvas é capaz que haja restrições quanto ao uso de água durante o verão, o que afetaria a cidade em plenos Jogos.

As regiões mais afetadas até o momento são: Londres, Cardiff (País de Gales), Birmingham, Leeds e Norwich.

Ontem choveu bem. Vamos ver se nós próximos dias a situação muda, mas se depender de hoje, vai ter muita gente tomando banho de caneca durante a Olimpíada.

Postado em Sem categoria | Deixe um Comentário

Saúde é o que interessa

A dor nas costas é um problema que atinge milhões de pessoas diariamente no mundo todo. Infelizmente, eu sou a vítima da vez. Já são duas noites que não consigo dormir direito aqui na terra da rainha. Mas apenas hoje tive a ideia de marcar uma consulta no posto de saúde próximo de casa.

O sistema de saúde aqui funciona da seguinte forma. A pessoa deve se dirigir ao posto de saúde do seu bairro e fazer um cadastro. Neste dia é realizado um exame de urina, medição de dados como pressão, altura, peso e resposta de algumas questões em relação à vida social. Tudo muito bem organizado e rápido. Em cerca de dez minutos o enfermeiro te libera.

Feito isso, em menos de dez dias chegou aqui em casa uma carta do sistema público de saúde (NHS, sigla em ingles) com uma cartirinha informando meu número de cadastro e instruções em caso de emergência, além do telephone de contato. A partir daí, qualquer problema que possa acontecer o posto tem todo o histórico da pessoa, o que pode ser útil em casos de emergência, principalmente.

Enfim, voltando à dor nas costas, hoje peguei meu cartão e liguei lá no posto, exatamente às 17h07, solicitando o agendamento de uma consulta. Obtive uma resposta seca e direta. “As consultas são agendas entre 8h e 17h”. Perguntei se poderia ir lá ver algum médico. A moça disse que em caso de emergência eu deveria seguir para o hospital de Peckham, o mais próximo do posto citado.

Sete minutos de atraso na ligação e terei que esperar até amanhã para fazer o agendamento. Espero que a dor passe nesse meio tempo, mas acho pouco provável, visto que nas duas noites anteriores ela chegou num nível além do suportável. O jeito é correr na farmácia antes que ela feche para comprar um relaxante muscular.

Fui!

Postado em Sem categoria | 2 Comentários

Amém!

Sábado, 10h27, toca a campainha. Abro a porta e duas senhoras, entre 30 e 40 anos, abrem um sorriso e perguntam se quero saber como encontrar o caminho para um “lugar melhor”. Naquele instante me lembrei dos vários e vários minutos conversando com os religiosos que passam em nossas casas no Brasil para tentar mostrar “o caminho”.

Falei que já tinha religião e agradeci. Mas a moça começou a puxar papo. Contou que já tinha passado em “n” residências antes da minha, falou que hoje o dia estava lindo (e realmente está), enfim. Ia falar pra ela que o que elas estavam fazendo era comum nas cidades brasileiras, mas foi só ouvir a palavra “Brasil” que ela cortou minha fala no segundo seguinte e já voltou a falar de religião. “Potuguese? I have a brochure in Portuguese”, falou ela, enquanto abria a bolsa e procurava o papel.

Mexe daqui, mexe de lá, ela me entrega um folheto: “Gostaria de aprender mais a respeito da Bíblia?”. Apenas após me entregar o folheto eu consegui concluir minha frase. Antes de partir ela ainda me advertiu que todos os contatos caso eu queira entrar em contato estão disponíveis na contracapa do folheto.

Resumindo: em Londres, até a oferta de religião é globalizada!

Folheto entregue pelas religiosas

Postado em Sem categoria | 1 Comentário

Todo cuidado é pouco

Policiais e voluntários participam da ação na estação de Aldwych (foto: EPA)

Não é de hoje que a segurança nos eventos esportivos é um assunto guardado a sete chaves. Quando se trata dos Jogos Olímpicos então, mais atenção ainda. Centenas de milhares de pessoas aglomeradas em um mesmo espaço e diversas etnias diferentes juntas criam um misto de celebração pelo esporte e atenção no ar.

Aqui em Londres não é diferente. A cidade que viveu um grande ataque terrorista em 2005, quando 52 pessoas morreram em atentados no metrô e no ônibus, está tomando todo o cuidado para as Olimpíadas. Recentemente, foi feito um teste para a segurança no que diz respeito a ataques terroristas em embarcações pelo rio Tâmisa.

Ontem e hoje, por outro lado, as ações foram feitas no metrô da cidade. Os organizadores simularam uma ação terrorista em uma estação de metrô, com a participação de aproximadamente 2.500 voluntários. A ideia era criar um ambiente bastante movimentado, como o que é esperado para os dias 8 e 9 de agosto deste ano, quando Londres deverá receber o maior número de visitantes durante os Jogos.

As autoridades utilizaram a estação de Aldwych para os testes. Ela está fechada desde 1994, e é usada esporadicamente em gravações de filmes ou em ações como esta da Polícia.

Postado em Sem categoria | Deixe um Comentário

Fechando as portas

Uma cena bastante comum no metrô londrino é ver pessoas correndo para tentar entrar nos vagões quando as portas estão fechando. Comum e engraçado. Os trens passam rapidamente, às vezes em menos de um minuto já se pode pegar outra composição. Mas mesmo assim, quando soa o apito que informa o fechamento das portas, um bando de malucos sai em disparada para conseguir chegar um pouco mais cedo ao destino final. O final, às vezes, é cômico.

Algumas pessoas são como ninjas. Quando parece que não é mais possível, impressionantemente surge alguém. Mas muitos dão, literalmente, com a cara na porta. Alguns ficam presos e outros conseguem entrar, após muito sufoco, e ficam olhando para o lado com uma feição meio envergonhada, pois sabem que o vagão inteiro está olhando para ele (a).

Mas esses dias reparei que numa campanha para diminuir esses inconvenientes e um número me chamou a atenção. No ano passado, quase 200 pessoas ficaram feridas de alguma forma tentando entrar ou sair dos trens depois de ouvir o alerta sonoro. Se contarmos o número de usuários diários do metrô nem parece tanta gente, mas o que é divertido ficar assistindo quando se está na estação (dentro ou fora do trem) na verdade é bem perigoso.

Portanto, quem vier para Londres nos Jogos deve tomar cuidado para não virar estatística. Mas, se quiser aventura, faça pelo menos um treinamento antes.

Aviso na estação

Postado em Sem categoria | Deixe um Comentário