Conta bancária teria sido operada em segredo
terça-feira, junho 19th, 2012“Cada armário que abro, tem um esqueleto”, a frase é do prefeito de Campinas Pedro Serafim (PDT) que, esta semana, acordou com mais uma herança do governo Hélio de Oliveira Santos (PDT): a informação de que entre 2005 e 2010, o ex-diretor de Finanças da prefeitura, Haroldo Veras, teria movimentado secretamente uma conta do município no banco Santander, em que girava entre R$ 2 e R$ 3 milhões mensais de arrecadações.
Veras integrava o chamado grupo do Mato Grosso, o mais influente no governo Hélio, e que tem parte dos seus integrantes sendo processada por corrupção na prefeitura e na Sanasa.
O ex-secretário de Finanças Paulo Mallmann afirma que não houve qualquer desvio de dinheiro, mas admite que houve problemas porque ele havia determinado que a conta fosse zerada diariamente e que o dinheiro fosse movimentado apenas com o seu conhecimento. Veras, no entanto, teria desobedecido e mantido o dinheiro lá para pagar fornecedores. Mallmann disse que assim que soube da desobediência, em 22 de outubro de 2010, demitiu o diretor. O fato ocorreu um mês após operação do Gaeco – grupo do Ministério Público que combate o crime organizado – levar empresários que tinham contratos suspeitos de fraude com a Sanasa para a prisão.
Ontem, ao saber da conta que seria operada em segredo, a prefeitura inquiriu a Secretaria de Finanças e obteve como resposta que a conta hoje é zerada diariamente. Na época, diferentemente do que ocorre hoje, não havia decreto que obrigava o secretário de Finanças a assinar todo documento de pagamento. Para movimentá-la, bastava as assinaturas do diretor e do coordenador.
A secretaria confirma que Veras, por ter tido um comportamento considerado inadequado, foi demitido após ter sido descoberto.
A Secretaria de Finanças atesta também que todos os valores pagos foram baixados da contabilidade e que não foi encontrada irregularidade formal em auditoria realizada nos últimos três meses da gestão de Veras.
O atual secretário de Receitas da prefeitura, Antônio Caria Neto, à época secretário de Assuntos Jurídicos, disse que quando Veras foi demitido ouviu falar da existência da conta operada secretamente. No entanto, de acordo com ele, não houve por parte do Executivo pedido para que fosse instalado procedimento para investigar a movimentação dessa conta. Valores ou fornecedores que teriam sido pagos com os recursos tampouco foram averiguados.
“Eu não fui informado oficialmente sobre o assunto. Mas o fato é que o diretor não poderia ter movimentado a conta”, disse Caria. Veras não foi localizado ontem pelo Metro para comentar o assunto.
