Prefeitura de Campinas cancela Carnaval 2017

7 de dezembro de 2016

O caráter persistente da crise econômica acaba de provocar um novo efeito colateral. O secretário de Cultura, Ney Carrasco anunciou ontem que o poder público não terá condições de organizar o Carnaval do ano que vem. Assim, a prefeitura vai deixar de patrocinar escolas de samba ou oferecer apoios para os blocos de rua.

A retirada da prefeitura da organização do evento vem sendo feita de forma gradativa, desde 2014, quando os primeiros sinais da crise começaram a aparecer com mais força.
Até então, a Administração garantia recursos para as escolas; oferecia apoio aos blocos – com o fornecimentos de banheiros químicos e aparelhos de som – e respondia por estruturas de mobilidade.

No ano passado, foi suspenso o suporte às escolas, e o apoio aos blocos foi reduzido à instalação de banheiros. Desta vez não haverá qualquer participação do poder público.
Carrasco diz que o custo da prefeitura com a festa nem chega a ser um valor relevante. Está em torno de R$ 1 milhão, segundo ele.

“O caixa está vazio e neste momento, qualquer economia é importante”, justifica. “Nós temos prioridades e precisamos pensar nos serviços essenciais”, afirma. “O funcionamento de postos de saúde, a coleta de lixo, são essenciais”, acrescenta.

Antes do Carnaval, a prefeitura já havia decidido deixar de fazer a decoração de Natal. Os enfeites e atrações deste período do ano estão sendo articulados pela Acic – a associação que reúne representantes do comércio e indústria.

Em outubro, a prefeitura anunciou parcelamento de salários; o corte de 100% das horas extras e a demissão de 20% dos comissionados.

No mesmo pacote, o prefeito Jonas Donizette (PSB) anunciou a suspensão da chamada execução orçamentária. Assim, toda nova despesa só pode ser feita com autorização da Secretaria de Finanças.

TExto: Tote Nunes

Auditores radicalizam e Ciesp teme atraso na liberação de cargas

7 de dezembro de 2016

A regional Campinas do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) vai recorrer à Justiça para que as indústrias da RMC (Região Metropolitana de Campinas) não tenham cargas barradas na operação Canal Vermelho – nova ação dos auditores fiscais que deve começar até o final desta semana no aeroporto de Viracopos e tem como objetivo verificar todas as mercadorias que chegam nas aduanas, aumentando o processo de liberação das cargas de 10 para 30 dias. Desde o dia 14 de julho, os auditores realizam operações nos portos e aeroportos brasileiros para cobrar reajuste salarial de 21,3% e melhores condições de trabalho.

O terminal de cargas de Viracopos movimenta 17,3 mil toneladas de mercadorias mensalmente. Desse total, segundo a assessoria de imprensa do aeroporto, o canal vermelho corresponde a aproximadamente 4% do volume. Segundo o diretor do Ciesp Campinas, José Nunes Filho, 90% das 500 indústrias da RMC serão prejudicadas com o início da operação Canal Vermelho.

“Todos os segmentos que dependem de importação de componentes eletrônicos, mecânicos e farmacêuticos seriam impactados com essa operação. Dependemos disso [da liberação rápida das cargas] para tocar a nossa empresa e também atrasaríamos as exportações porque não teríamos matéria-prima para produzir. Temos uma liminar para conseguirmos liberação das cargas em caso de greve dos auditores. Agora vamos atrás de medidas jurídicas cabíveis para defender o nosso setor diante da operação Canal Vermelho”, disse o representante do Ciesp.

No mês de agosto, 30 dias após o início dos protestos dos auditores em Campinas, a indústria da RMC teve prejuízo de R$ 7 milhões com as paralisações.
“A partir do momento que você segura a carga, o capital de giro fica parado no depósito do aeroporto. Você paga por esse armazenamento e deixa de vender. É um prejuízo imenso. É quase mortal esse negócio”, diz Nunes.

O Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) disse que a operação Canal Vermelho ocorre desde domingo em Guarulhos e chegará em Campinas até sexta-feira.
A Receita Federal disse que não vai se pronunciar a respeito do assunto.
Viracopos tem 120 auditores fiscais, com salários que variam de R$ 15 mil a R$ 22 mil.\


Otimista, indústria prevê retomada no próximo ano

Mesmo enfrentando dois anos seguidos de crise, a indústria da RMC acredita que vai apresentar sinais de retomada a partir do próximo ano. De acordo com sondagem realizada pelo Ciesp, 37,5% dos 500 associados preveem impulso no primeiro semestre de 2017 e 41,7% acreditam que vão aquecer o movimento das fábricas no segundo semestre.
Segundo os empresários, o crescimento será impulsionado por medidas econômicas tomadas pelo governo e aumento da demanda.
Entre os meses de janeiro a outubro deste ano, as indústrias da RMC demitiram 2,6 mil funcionários. “Estamos otimista com o próximo ano. Esse otimismo é porque já chegamos no fundo do poço. Não temos mais onde cortar gastos. Tudo já foi feito. Agora é torcer para o movimento mudar”, explica José Nunes Filho.

Texto: Hidaiana Rosa

Aumento do câncer de mama faz prefeitura antecipar em 10 anos o exame de mama

7 de dezembro de 2016

O aumento na incidência dos casos de câncer de mama levou a Secretaria de Saúde de Campinas, a antecipar os exames de mamografia para mulheres na faixa de 40 a 50 anos.

Levantamento feito pelo órgão mostrou uma “incidência significativa da doença na faixa compreendida entre a quarta e quinta décadas”, informa a portaria da secretaria publicada ontem no Diário Oficial e que formaliza a mudança de parâmetro.

De acordo com os dados, foram 11 mortes nesta faixa de idade, entre os 70 óbitos por câncer de mama registrados em Campinas em 2014.

O número de óbitos nesta faixa caiu para oito no ano passado, quando foram registradas 69 mortes – mas voltou a subir de forma preocupante este ano, quando a secretaria identificou 13 casos de morte na faixa de 40 a 50 anos, entre os 52 óbitos registrados na cidade até agora.

A médica Celina Sollerno, coordenadora da área de saúde da mulher da secretaria, diz que a mudança foi provocada pelo prática. “Conversando com profissionais, eles nos mostraram que as clínicas já adotam como norma pedir exames para esta faixa. Diante disso, decidimos implantar também na rede”, disse ela.

O Ministério da Saúde faz o repasse para os exames da população acima dos 50 anos. A partir de agora, a prefeitura vai se responsabilizar pelo pagamento da faixa entre 40 e 50.

A secretaria informa que estudos mostraram que o rastreamento reduziu a mortalidade por câncer de mama em 28%, daí a necessidade de ampliação do serviço. Afirma ainda que muitos cânceres aparecem uma década mais cedo em países desenvolvidos.

De acordo com dados da secretaria, 369 mulheres morreram vítimas de câncer de mama em Campinas desde 2011.

Justiça cassa o registro do prefeito de Louveira

6 de dezembro de 2016

O prefeito reeleito de Louveira, Nicolau Finamore Jr. (PTB) teve o registro eleitoral cassado por abuso de poder econômico e neste momento, está impedido de assumir o cargo em janeiro do ano que vem.

A decisão – do juiz Juan Paulo Haye Biazevic, da 345ª zona eleitoral de Vinhedo – acatou a ação movida por uma chapa de oposição, que alegava ter havido abuso na campanha eleitoral deste ano. A cassação do registro atinge também a vice de Finamore, Neusa Orestes de Oliveira. Os dois ficam inelegíveis por oito anos.

Para o juiz, Finamore promoveu a distribuição gratuita de grande quantidade de jornais e revistas, numa ação que acabou provocando desequilíbrio na disputa. A justiça salientou ainda ter havido exorbitância nas contas.

O PTB informou que vai recorrer da decisão. “Os atos apontados no processo estão sub júdice e serão recorridos, uma vez que dizem respeito à prestação de contas e se limitaram a informar a população dos atos do partido, em período legal que antecedeu em três meses o início da campanha eleitoral”, diz o partido em nota oficial.

Texto: Tote Nunes

Senado desafia Supremo e mantém Renan na Presidência

6 de dezembro de 2016

Um oficial de Justiça deixou o Senado no começo da tarde de hoje (6/12) sem conseguir que o presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), fosse notificado sobre a decisão liminar proferida ontem (5/12) pelo ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando o seu afastamento da presidência.

Renan se recusou a assinar a notificação depois que a Mesa Diretora do Senado divulgou uma deliberação na qual concede ao presidente da Casa um prazo regulamentar para que ele apresente a sua defesa. A decisão objetiva viabilizar a deliberação da Mesa sobre as “providências necessárias ao cumprimento da decisão monocrática” do ministro Marco Aurélio. Trocando em miúdos – não irá cumprir a decisão da Justiça.

Em declaração à imprensa no meio da tarde, Renan disse que iria “atender a decisão da Mesa, porque ela observa o princípio da separação dos Poderes”. Ele criticou o ministro Marco Aurélio “por tomar uma decisão monocrática a apenas nove dias de acabar o ano legislativo”.

“Eu acho sinceramente que isso não se vê em nenhuma democracia. Eu já me obriguei a cumprir liminares piores de Marco Aurélio. Entre elas, a que nos impedia de acabar com os supersalários no Senado. Ele me obrigou e eu tive que citar um a um os funcionários que recebiam a mais do que o teto, para só então acabar com os supersalários. O ministro Marco Aurélio, aliás, parece que treme na alma toda vez que ouve falar em supersalário”, disse Calheiros.

A Mesa Diretora do Senado decidiu ainda aguardar a deliberação final do STF sobre um possível afastamento de Renan. A decisão foi tomada hoje com base em onze pontos, entre os quais o de que a Constituição estabelece a observância dos princípios de independência e harmonia entre os Poderes e considerando que a decisão de Marco Aurélio determinou a concessão de prazo para a apresentação de defesa do presidente do Senado.

Na prática, a decisão da Mesa – assinada por pelo menos oitos dos seus membros – e a negativa de Renan em assinar a notificação do STF significam que o presidente do Senado não se afastará do cargo.

Fonte: Com Agência Brasil

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