02 de Julho de 2009
Como eu sei que meu leitor é um ser versátil e como você sabe que meu tempo é apertado, especialmente na quinta-feira, dia sagrado de coluna para a Folha, apresento aqui quatro artigos da Constituição de Honduras em inglês.
Peço desculpas se não traduzi, mas estou correndo.
O que importa é que esses artigos mostram claramente que os militares não poderiam ter tirado o protótipo de Fidel Castro do poder como tiraram.
Sinta só:
ARTICLE 69.- Personal liberty is inviolable and can only be restricted or suspended temporarily through modification of the laws.
ARTICLE 71.- No person can be detained or held incommunicado for more than twenty-four hours, without appearing before a competent authority for trial.
ARTICLE 78.- The freedoms to assemble and meet are guaranteed, as long as they are not contrary to public order and good custom.
ARTICLE 81.- Every person has the right to circulate freely, leave, enter and remain in the national territory.
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02 de Julho de 2009
Para o vil internauta que andou deixando comentários neste mocó espinafrando o adorável deputado Celso Russomano, tome esta:
Documentos unificados
CPF, identidade, passaporte, habilitação e carteira de trabalho poderão ter o mesmo número
A CCJ do Senado aprovou projeto que prevê a unificação da numeração do CPF, da Carteira de Trabalho e Previdência Social, da CNH, do passaporte e de quaisquer outros documentos necessários ao cidadão, para que todos passem a ter o mesmo número do Registro da Identidade Civil, à medida que forem sendo expedidos.
De autoria do deputado Celso Russomano (PP/SP), o PLC 46/03 também exige que a carteira de identidade contenha o tipo e o fator sanguíneo do titular. Pela proposta, também poderá constar no documento, a pedido do titular, carimbo comprobatório de deficiência física, desde que esta seja atestada por autoridade de saúde competente.
O relator, senador Almeida Lima (PMDB/SE), apresentou voto pela aprovação do projeto. No relatório, o senador afirma que a medida dificultará a ocorrência de fraudes e propiciará o aperfeiçoamento do sistema de identificação civil.
Almeida Lima afirma também que a informação sobre o tipo e o fator sanguíneo na carteira de identidade pode facilitar o atendimento médico emergencial. Já a declaração de deficiência física, segundo o senador, poderá criar facilidades ao titular do documento e evitar transtornos, especialmente na utilização do transporte público, “pois determinadas deficiências, como a auditiva ou a visual, podem não ser constatadas de maneira tão clara como outras mais evidentes”.
O relator manifestou-se contra emenda apresentada por Lúcia Vânia (PSDB/GO) e Tasso Jereissati (PSDB/CE) determinando que o Registro de Identidade Civil também passasse a conter expressamente o seu órgão expedidor, com o respectivo endereço, a fim de facilitar a devolução em caso de perda. Para Almeida Lima, esses dados não são imprescindíveis para a recuperação de documentos perdidos. Além disso, afirma ele, poderia haver o risco de tornar os documentos desatualizados em razão da mudança de endereço dos órgãos expedidores. A matéria será ainda votada pelo Plenário.
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02 de Julho de 2009
Já deu.
O encerramento do “Jornal da Globo” misturou imagens de Ronaldo Fenômeno com a música “Billie Jean”.
É castigar demais alguém como eu, que comeu macarrão com pesto no jantar…
Ugh!
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01 de Julho de 2009
Farah Fawcett morreu no mesmo dia que Michael Jackson e já está enterrada e descansando em paz desde terça.
Mas enquanto a família Jackson não tiver negociado os direitos de tudo aquilo que dá para ser comercializado em relação ao funeral do rei do pop, data e local do enterro não serão fechados…
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01 de Julho de 2009
da Folha Online:
De acordo com site TMZ, o testamento de Michael Jackson afirma que a guarda dos três filhos do cantor deve ficar com Katherine Jackson, mãe do artista.
Caso Katherine viesse a morrer, as crianças deveriam ficar sob a tutela da cantora Diana Ross, grande amiga do astro pop.
EU:
Se isso for verdade -e a esta altura a gente não sabe mais se dança o moonwalk ou compra uma bicicleta-, para o bem das crianças, tomara que nada de ruim aconteça à mãe de Michael.
Olha só: uma grande amiga minha recebeu Diana Ross para jantar em casa. E, para fazer uma gentileza, colocou uma música da cantora para tocar.
Sei que pode não ter sido a ideia mais feliz do mundo, mas minha amiga não conhecia Diana Ross muito bem e não era obrigada a saber que ela não gosta de ouvir seus hits.
Pois assim que ouviu a própria voz, a ex-Supreme teve um chilique monumental, alegou que o incidente a fez passar mal, ameaçou ir embora, enfim, deu um piti completamente desproporcional ao tamanho do acontecimento.
Uma pessoa dessas, atualmente com 65 anos, teria estabilidade e paciência para criar três crianças que não são suas e que ela não pediu para criar?
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01 de Julho de 2009
Alô, estudante de direito!
Alô, advogado!
E até você, rábula que foi afastado da PF e agora ocupa seu tempo de palanque em palanque!
Preste atenção:
O professor Goffredo da Silva Telles Jr. trabalhou nos últimos tempos na edição de uma obra inédita: “Três Discursos – Spencer Vampré, Rui Barbosa e Saudação aos Calouros”.
E faleceu faltando poucos dias para o livro ir para a gráfica. Apesar de divulgada postumamente, trata-se da última obra em vida do professor.
Ela pode ser adquirida via este link:
migalhas.com.br/tresdiscursos
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01 de Julho de 2009
Não sei muita coisa sobre Honduras, mas está na cara que esse Manuel Zelaya vale tanto quanto seu sósia tapuia, o presidente do Senado que agora sofre pressão até de aliados para deixar o cargo.
Mas, do momento em que os militares o colocaram, de pijamas, num avião e o mandaram embora para a Costa Rica, eles abriram o flanco para serem chamados de golpistas pelo mundo inteiro.
Se queriam se livrar do protótipo de tiranete instalado por Chávez, eles que o fizessem passar por um processo de legal impeachment como manda o figurino.
Afinal, Zelaya só faltou limpar o fiofó com a Constituição hondurenha.
O que não tem o menor cabimento, em pleno 2009, é depor presidente do cargo dessa forma, mesmo um imbecil como esse aí.
Os militares terem dado uma de república das bananas acabou dando nisso: todo mundo e seu vizinho agora sente-se no direito de condenar o ato e pedir a volta do populista…
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01 de Julho de 2009
O queridíssimo Mauricio Stycer, que já foi meu editor no caderno Cotidiano da Folha, tece considerações em seu blog sobre o cansaço de Ronaldo:
“Há dois dias, Ronaldo fez uma ótima observação sobre o excesso de concentração no Corinthians. Disse ele: ‘Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio venceria sempre. Temos que fazer o máximo para conseguir esse título e passar o resto do ano mais tranquilo, porque eu, particularmente, estou cansado’.
A frase teve muita repercussão, mas pouca discussão - e não lembro de ter lido nenhuma menção ao seu autor original, o jornalista João Saldanha (1917-1990), que disse: “Se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão invicto.” Desde o final da década de 60, Saldanha defendia a idéia que os excessos da concentração eram desnecessários e que os jogadores de futebol, em sua maioria, tinham consciência que o desempenho em campo estava relacionado ao bom estado físico.
Estou com Saldanha e Ronaldo: acho que concentração não ganha jogo”.
Em seguida, Mauricio convida o seu internauta a opinar. E eu não posso deixar de dar o meu pitaco.
Veja: sou partidária de uma variação mais amena da escola Oswaldo Brandão. O técnico era conhecido por fazer a turma correr curto na base da cintada. Isso mesmo. Ele tirava o cinto e dava nos jogadores.
Não chegaria a tanto, mas jogador precisa, sim, de disciplina para que a combinação falta de estrutura emocional + muito dinheiro na mão não cause estragos.
Se concentração não fosse um mal necessário, a experiência da democracia corintiana, dos anos 80, teria sido tentada, até mesmo pelos jogadores, outras vezes.
A bola agora está com você, doce internauta.
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01 de Julho de 2009
Hélio Schwartsman, na Folha de hoje:
Percepção sobre gorjeta pode mudar
Por que damos gorjeta? A resposta a esse problema não é trivial e já mobilizou diferentes escolas de economistas.
Diz a lenda que, originalmente, clientes satisfeitos com os serviços oferecidos recompensavam o prestador saindo com ele para juntos molharem a garganta -daí que, em português, “gorjeta” vem de “gorge”, o termo francês para “garganta”. A mesma ideia se repete nas palavras francesa e alemã para designar a prática: “pourboire” (para beber) e “Trinkgeld” (dinheiro da bebida).
Partindo do pressuposto de que apenas hábitos que promovem a eficiência são conservados, economistas de correntes mais clássicas como Kenneth Arrow (Stanford) postularam a tese de que a gorjeta é uma excelente forma de os patrões controlarem a qualidade dos serviços prestados por seus funcionários: se estes obtêm boas gratificações é porque estão agradando aos clientes.
Essas teorias, entretanto, apresentam dificuldades. Para começar, elas não explicam diferenças entre países. Enquanto nos EUA a gorjeta é uma instituição fortíssima -um negócio de US$ 5 bilhões anuais-, na Austrália e na Nova Zelândia ela é vista com desconfiança, como “coisa de americano”.
As abordagens clássicas tampouco explicam por que o freguês deixaria voluntariamente a gratificação -em especial quando ele sabe que nunca mais vai voltar ao local.
Esses e outros problemas levaram economistas comportamentais como Ted O’Donoughue (Cornell) e Ofer Azar (Ben-Gurion) a propor um modelo alternativo, no qual a gorjeta é descrita também como uma norma social. O freguês pagaria um preço ao infringi-la.
Quando o cliente sai de barriga cheia do restaurante sem deixar a caixinha, não apenas prejudica sua reputação externa (todos gostamos de parecer generosos), como também perde pontos na autoimagem. A atitude é vista como uma violação a conceitos que já internalizamos, em especial o de justiça.
O risco de propostas como a que agora tramita no Congresso é que elas provoquem mudanças de percepção. Se as pessoas passarem a ver a gorjeta como menos justa -o projeto explicita a apropriação de parte dela pelos patrões-, poderão simplesmente abandonar a prática. Eu, pelo menos, só deixava a caixinha devido à crença, ingênua, agora eu sei, de que os empregados ficavam com tudo.
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01 de Julho de 2009
Um projeto do deputado Gilmar Machado (PT-MG), que tramita no Congresso, regula a destinação da gorjeta e prevê que os donos de restaurantes só fiquem com um quinto dela, percentual que deverá ser usado em despesas com encargos sociais e previdenciários.
É simples.
Com os preços dos restaurantes nas alturas como estão em São Paulo, a gorjeta que eu dou é para o garçom e não para o estabelecimento. Se eu sei que minha gorjeta não está indo para o garçom, como agora a gente percebeu que não vai, eu não dou mais o adicional e pronto acabou.
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