campo lavanda

a cor da estação

mil-folhas de frutas vermelhas (veja receita)

Se há um vinho feito para a primavera, é o rosé. Não só pela cor, que lembra as flores que estão brotando. Ele é ideal para o clima que começa a esquentar. Deve ser bebido fresco. Vai bem com alimentos nem tão leves nem tão encorpados. Claro que isso não é uma regra. tomo tinto no verão, branco no inverno. mas, na semana passada, fiquei feliz quando recebi um email anunciando uma degustação cuja principal atração era a nova safra de rosés da Provence (França) que está chegando ao Brasil. Achei que era uma bela maneira de comemorar a entrada da estação. No próximo post, falo um pouco dos rosés da Provence.

Agora, quero anunciar que amanhã será lançado em São Paulo o livro Os Vinhos da Provence, o rosé e suas harmonizações, de François Milo, Editora Boccato. ´Foi Milo quem conduziu a degustação de quarta-feira passada. Ele é um dos maiores especialistas no assunto. Ainda não tenho o livro, mas já estou com um PDF. Tem uma série de receitas que parecem ótimas. Vou adiantar uma para vocês. antes, só gostaria de comentar que o lançamento será na Livraria Gourmet.  Tenho até vergonha de contar, mas ainda não fui a essa livraria. Há tempos estou curiosa a respeito, mas a correria sempre vence. Então, amanhã, tenho duplo motivo para ir ao lançamento. Aliás, triplo, porque vai ter uma série de rosés da Provence para degustar. Lá vai a receita. Reparem que ela não tem lista de ingredientes. Então, façam o favor de, antes de pensar em começar a cozinhar, ler a receita inteira e anotar os ingredientes.

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mundo pequeno

BOLINHOS DE TOMATE (veja receita)

O mundo é realmente mínimo. Durante as minhas férias em Santorini, na Grécia, fui visitar uma vinícola. Na boutique dessa vinícola, um livro de receitas me chamou a atenção: Aegean Cuisine, Great Foods and Flavors from the Cycliades and the Dodecanese (Cozinha Egeia, Grandes Comidas e Sabores das Cycliades e do Dodecaneso), de Diane Kochilas. Santorini é uma das ilhas Cycliades, arquipélago a sudeste do território grego, bem no meio do Mar Egeu. E o Dodecaneso é o arquipélago ao lado, já mais próximo da Turquia. Como era um livro de cozinha regional, comprei. Afinal, tinha amado a comida da ilha. Para falar a verdade, compro livro de comida regional em minhas viagens mesmo quando não tenho nenhuma paixão especial por ela.  Para mim, trazer para casa um livro da culinária local é uma forma de carregar um pouco do espírito do lugar comigo.

Não sabia se o livro era bom ou ruim. Não tinha nenhuma referência sobre a autora. Como estou pensando em fazer um jantar grego, sábado passado resolvi mostra o livro para o meu irmão, Marcos, que também cozinha (e escreve sobre comida). Ele olhou o livro e disse: “Ah!, é da minha amiga!”, como se isso fosse muito normal. Que coincidência absurda! Compro um livro lá do outro lado do mundo, de uma autora de quem nunca ouvi falar, e a mulher é amiga do Marcos! Fala sério!

Diane Kochilas, autora do livro

Diane, segundo Marcos, é a principal escritora gastronômica da Grécia. Ele a conheceu durante uma viagem que fez a Atenas, há quase dez anos, para uma reportagem sobre o azeite de oliva grego. Ela recebeu o grupo formado por jornalistas de vários países e os cicerone ou por alguns dias. Marcos conheceu também o seu marido, o fotógrafo Vassilis Stenos, autor das fotos do livro. O casal tem uma escola de culinária na ilha de Ikaria, no Nordeste do Mar Egeu.

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tanto mar

Sempre achei que as ilhas gregas fossem uma muito pertinho da outra e nada muito longe de Atenas. Ledo engano! As ilhas se dividem em grupos: Jônicas, Dodecaneso, Ciclades, tec. Podem ser horas e mais horas de barco entre duas ilhas de um mesmo grupo. Quando comecei a planejar minha viagem pela Grécia, percebi que não daria para fazer “as ilhas gregas”. Teria de me restringir a um grupo. E, logo, decidi que melhor ainda seria fazer apenas uma ilha, com tempo para conhecê-la direito.

Já que ia conhecer uma só ilha, queria algo que correspondesse totalmente às minhas expectativas, algo com muita cara de Grécia. Escolhi Santorini, uma das ilhas ciclades. Foi uma ótima escolha. É a típica ilha grega, com casinhas brancas de telhados azuis incrustadas em penhascos que dão no mar extremamente azul. É lindo.

Santorini é a terra do vin santo e produz alguns dos melhores brancos da Grécia, com a uva assyrtiko. A comida também é muito boa. Peixe pescado no dia, vegetais frescos e muito azeite de oliva. Nos próximos posts,  dicas de lugares para comer na ilha e receitas regionais.

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churrasquinho grego

Não fui a nenhum restaurante sofisticado em Atenas. Mas, em qualquer biboca se come bem por lá. Comi uma carne com beringela bem boa em uma taverna de Plaka, o bairro turístico, da qual não lembro o nome. O que me divertiu mais, no entanto, foram os gyros. O  gyro é o famoso churrasquinho grego, tão popular no centrão velho de São Paulo. Sempre achei que tinha cara apetitosa, mas sempre ouvi falar que é carne de quinta. Então nunca experimentei por aqui. Já tinha comido gyros nos EUA e na Espanha, mas em Atenas tem gyro de carne de porco. Muito bom. Em um pão pita, tipo pão sírio, vem a carne fatiada (pode ser também de carneiro, de vaca ou de frango), com cebola, alface e tomate. Por cima de tudo, vai um molho tradicional chamado Tzatziki (veja receita abaixo), uma mistura de iogurte com pepino que eles usam com tudo. Custa quase nada e é uma delícia. Um lugar onde comi um muito bom foi no Sabbas alí perto de Plaka.

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flores e abobrinhas

flores de abobrinha

Como disse no post anterior, a cozinha grega me surpreendeu positivamente. Conhecia pouco a seu respeito. Como sempre no Acrópoles do Bom Retiro, em São Paulo, mas eles têm pratos que são receitas deles. Têm moussaka, purê de batata com alho, mezes (entradas) de beringela e pepino. Contudo, não representam (e nem precisariam representar) toda diversidade da cozinha desse país. Comi também uma meia dúzia de vezes em gregos na França e nos Estados Unidos. Sabia que era uma comida da qual gostava, mas nunca tinha prestado a devida atenção a ela. Tanto que, alguns meses antes de sequer pensar em ir para a Europa, comprei o livro Grécia, da coleção Cozinha do Mundo (Editora Abril) e nem tirei do plástico.

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uma bela surpresa

De volta à minha viagem pela Europa. Depois de um dia em Lisboa, peguei um voo para Atenas. Fui com o Gledson, o amigo que estava morando em Lisboa. Como corri muito com o trabalho dias antes da viagem, deixe a reserva do hotel em Atenas por conta dele. Sugeri apenas que ele buscasse no Trip Advisor. Nunca tinha usado esse serviço, mas sempre ouvi falar bem. E realmente deu muito certo.

Gledson escolheu um hotel bastante simples, de duas estrelas, no centro de Atenas, perto da estação de metro Omonia: o Athens Moka Hotel. Fiquei com medo de que fosse um muquifo. Mas era ótimo. Super limpo e com atendimento super gentil. E, o que é melhor, baratíssimo. Pagamos os dois 48 euros. Depois passei uma noite sozinha por 30 euros. Os lençóis eram novos de algodão branco, o que para mim é fundamental. O quarto era pequeno, mas OK. O bairro era como qualquer centro de metrópole, agitado, com ônibus passando na rua, mas não era ruim. Recomendo.

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FAROFA DE PÃO

comida de avó

Angela, minha sobrinha de 16 anos, filha de meu irmão Marcos, vai fazer um intercâmbio em Vancouver, no Canadá. Parte no dia 29 de agosto. Vai ficar 6 meses por lá. E começa a demonstrar sintomas  de saudades antecipadas, típicos de quem vislumbra um período razoavelmente “longo” no exílio. Saudades da comida da avó é um dos mais comuns.

Há alguns dias, Angela pediu a minha mãe que lhe ensinasse a fazer feijão e uma receita familiar de farofa. Isso me fez pensar que eu não sabia fazer a tal farofa, que não sabia sequer de onde vinha essa receita, da qual gosto tanto desde muito criança.

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tradição reinventada

Li o livro Alentejo, Além-Mar, Influências e Tradição na Cozinha, do chef português Vitor Sobral (Editora Senac São Paulo).  Gostei ainda mais do que eu esperava. Por vários motivos. Antes de dizer por que, gostaria que vocês lessem a receita abaixo:

CAMARÃO SALTEADO

creme de manga e poejos

(10 porções)

ingredientes

camarão

25 unidades de camarão 21/30

2 dentes de alho grosseiramente laminado

1 dl de azeite virgem extra

1 folha de louro

1 unidade de pimenta-malagueta

sal marinho tradicional, q.b.

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livro vitor sobral

feijão com sotaque

                                                             Hoje tem lançamento do livro Alentejo, Além-mar – influências e tradição na cozinha (Editora Senac São Paulo), de Vitor Sobral. O autor é um dos chefs mais importantes de Portugal e acaba de abrir uma filial de seu Tasca da Esquina em São Paulo, onde, por sinal, será a noite de autógrafos. é uma ótima oportunidade de conhecer o local.

Acabo de receber o livro, não vou ter tempo de ler e fazer resenha. Digo apenas a que ele se propõe. “a obra remonta a trajetória profissional do chefe e sua ligação com a cozinha dos países de língua portuguesa. Apresenta também 79 receitas, muitas delas com grande influência brasileira”, de acordo com a editora. Traz pratos da Tasca, como o bacalhau com gema de ovo e creme de cebola, e novidades, como o nhoque com creme de banana abacate e coentro. O texto é do jornalista Dias Lopes. O preço, R$ 90.

Amanhã ou depois, conto mais. Por enquanto, fica a dica do lançamento e aproveito para dar uma receita que me pareceu muito simpática.

CREME DE FEIJÃO PRETO

abacate e tomate seco

10 porções

ingredientes

1kg de feijão preto cozido

250g de cebola picada

5 dentes de alho

0,5dl de azeite virgem extra

300g de tomate fresco pelado em cubos

1l de caldo de galinha

50g de bacon cortado em cubos

1 folha de louro

sal marinho tradicional, q.b.

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a primeira refeição

Seguindo com minha viagem a Portugal, quero falar mais do dia da minha chegada e passar para vocês uma receita de Bacalhau a Lagareiro. No post passado, contei sobre a noite de Santo Antônio em Lisboa. Vamos fazer um flashback: na tarde desse mesmo dia, fiz a primeira de uma série de grandes refeições em terras portuguesas. O dia em Lisboa estava lindo e muito quente. Gledson e eu saímos para andar pelo Bairro Alto. Nossa idéia era comer por lá mesmo. Mas, como passava das três da tarde e todos os restaurantes dessa vizinhança boêmia estavam se preparando para virar a noite, não encontramos nada aberto. Alguém nos sugeriu, então, que fossemos à Cervejaria Portugália, no Cais do Sobré, a cinco minutos de táxi dali.

Foi uma ideia feliz. O restaurante, que faz parte de uma grande rede, mas tem qualidade.  Fica de frente para o Tejo e tem mesas ao ar livre. Pedi um bacalhau a lagareiro acompanhado de batatas ao murro e couve, que estava bastante bom. Apesar das cervejas da casa serem das mais tradicionais na cidade, pedi meia garrafa do vinho verde Quinta da Avelleda colheita Selecionada 2009, que é fresco e mineral, e combinou perfeitamente com o prato, o clima e, pelo menos para mim, o ambiente. Não iria pedir outra coisa. Queria sentir que tinha pisado em Portugal.

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