Os 25 anos do Macintosh

Janeiro 24th, 2009

Há exatamente 25 anos chegava ao mercado o Macintosh, o computador pessoal que revolucionou o conceito de computação e vem estabelecendo o padrão de usabilidade e ergonomia no mercado desde então. Foi o primeiro computador pessoal a utilizar mouse e uma interface gráfica baseada em ícones e pastas, ao invés da velha e complicada linha de comandos digitados. O primeiro Mac chegou às lojas dos EUA no dia 24 de janeiro de 1984. Sua apresentação oficial aconteceu dois dias antes, na noite do dia 22 de janeiro, em cadeia nacional de TV, através de um antológico comercial veiculado na final do Superbowl. Essa propaganda, um dos clássicos da publicidade e ícone dos macmaníacos, foi criada pelo diretor de cinema Ridley Scott pouco tempo depois de ele lançar seu longa-metragem “Blade Runner, o Caçador de Andróides”. A um custo de US$ 1,5 milhão, continua sendo um dos anúncios mais caros de todos os tempos.

Dirigido por Ridley Scott e produzido logo após o lançamento de seu filme “Blade Runner”, o comercial “1984” foi ao ar no dia 22 de janeiro de 1984. Sua narrativa acabou moldando o imaginário dos “geeks” apaixonados por tecnologia nas décadas seguintes. Ele mostra uma platéia de seres pálidos e inexpressivos, com o olhar fixo numa tela gigantesca onde o Grande Irmão da ficção de George Orwell fala, hipnotizando as massas. De repente, uma bela atleta com uma camiseta com o desenho do Mac estampado surge correndo no meio do auditório, perseguida pelos seguranças e girando um martelo que ela lança contra a tela, causando uma enorme explosão. A platéia sai de seu encantamento, enquanto uma voz em off dispara: “No dia 24 de janeiro a Apple Computer vai lançar o Macintosh. E você vai descobrir porque 1984 não será como “1984”.” Veja o comercial no vídeo abaixo.

Naquela época, depois de algum sucesso no final dos anos 70, a Apple começava a ser eclipsada pela gigante IBM e seus PCs rodando DOS. O “Big Brother” do comercial do Macintosh é uma referência direta ao poder da IBM, fabricante de mainframes de grande porte que, durante muito tempo, ignorou o desenvolvimento dos computadores pessoais, muito mais democráticos, tentando manter seu virtual monopólio no mercado de computadores grandes, caros e que centralizavam todas as informações. Apesar do sucesso da mensagem, a Apple não continuou veiculando o filme “1984”. E, ainda que tenha ganhado muitos dos principais prêmios da propaganda, o filme nunca foi veiculado novamente. Um ano depois, devido a uma disputa interna com o então presidente da Apple, John Sculley, o próprio Steve Jobs deixaria a empresa, para voltar somente 12 anos depois.

O Macintosh original era uma peça única de plástico bege que acomodava a unidade de processamento e um monitor monocromático de 9 polegadas. Ele não possuía disco rígido: para rodar os programas era necessário carregá-los através de disquetes de 3,5 polegadas. O preço à época era de US$2,495, ou US$ 5 mil a valores de hoje. Nos primeiros três meses após o lançamento o Mac vendeu mais de 70 mil unidades. Veja no vídeo abaixo Steve Jobs apresentando o Macintosh original em 1984.

Dois dias depois da veiculação do famoso comercial “1984”, no dia 24 de janeiro, o Macintosh finalmente chegou às lojas. Além do sistema operacional ele vinha com dois programas aplicativos que aproveitavam os recursos da sua interface gráfica: o processador de textos MacWrite e o software de pintura MacPaint. A máquina ganhou imediatamente uma legião de fãs. Como era totalmente desenvolvida a partir de sua interface gráfica, os programas então existentes tiveram que ser totalmente reescritos para ela. Isso era complicado e caro, e acabou afastando muitos desenvolvedores de software no princípio. Aos poucos, entretanto, foram surgindo aplicativos criados especialmente para o Macintosh. Em abril de 1984 a planilha Microsoft MultiPlan, que então só rodava em DOS, foi lançada para o Mac. Em janeiro de 1985 foi a vez do Microsoft Word. Ironicamente, os dois primeiros aplicativos de sucesso para o Mac foram criados pela empresa que, anos mais tarde, desenvolveria o sistema operacional Windows, que roubou market share do Mac System e se tornou arqui-rival da Apple.

Nos primeiros meses de 1984, para alavancar as vendas de seu novo computador, a Apple criou a promoção “Test Drive a Macintosh”. Nela compradores em potencial com um cartão de crédito podiam levar um Macintosh para casa por 24 horas, experimentar e devolver o equipamento para a loja no dia seguinte caso não quisessem compra-lo. Com mais de 200 mil inscritos, a promoção desagradou os lojistas. Os estoques de computadores não puderam atender à demanda e muitos voltavam danificados e não podiam mais ser vendidos. Mas a campanha de marketing mostrou que havia muita gente interessada no produto, o que fez o presidente da Apple à época, John Sculley, subir o preço do Macintosh original de US$ 1.995 para US$ 2.495 (o que daria uns US$ 5 mil a valores de hoje). Reza a lenda que essa foi uma das razões que levou à briga entre Sculley e Steve Jobs e à saída do último da empresa, para onde só voltaria no final dos anos 90 para criar novos produtos revolucionários.

O legado do Macintosh

Após o seu lançamento, e ao longo de toda a segunda metade da década de 80, a posição da Apple só cresceu no mundo dos computadores pessoais. O Mac se transformou na plataforma que viabilizou a explosão do desktop publishing, ou editoração eletrônica, graças ao surgimento de programas como o Page Maker e o Quark Xpress. Foi nos Macs, também, que nasceram as primeiras aplicações multimídia interativas, combinando imagens, video, audio e animações no computador. Entretanto, no começo dos anos 90, com o surgimento do Windows 3.1, que trouxe todas essas novidades para o computadores compatíveis com IBM PC, o Mac começou a perder terreno rapidamente. Muito mais baratos e com uma arquitetura mais aberta, os PCs rodando Windows foram a plataforma do boom da computação pessoal em escala planetária. Aos Macs ficou reservado um nicho mais elitista, formado por profissionais das áreas de editoração eletrônica e produção de vídeo, entre outros.

A raiz dessa divisão é o fato de que a Apple centralizava totalmente a produção dos Macintosh, que já vinham inclusive carregados com seu sistema operacional proprietário de fábrica. Em contraste, os computadores compatíveis com o IBM PC eras produzidos por inúmeros fabricantes, e rodavam sistemas operacionais desenvolvidos por terceiros ¬- com destaque para a Microsoft. A Apple também tinha exclusividade na produção do hardware de seus computadores, definindo seus sistemas internos, design e preço. A empresa utilizava componentes produzidos por terceiros: os primeiros processadores eram da Motorola, depois substituídos pelos PowerPC da IBM, e mais recentemente pelos mesmos processadores Intel que movem todas as máquinas rodando Windows.

Steve Jobs e o futuro da Apple

Nenhum nome está mais ligado ao do Macintosh do que o de Steven Paul Jobs. Norte-americano, nascido no dia 24 de fevereiro de 1955, fundador da Apple com Steve Wozniak e criador de um dos primeiros computadores pessoais, o Apple I, de 1976, Jobs não foi, de fato, o criador do Macintosh. O projeto nasceu no final dos anos 70 quando Jef Raskin, um empregado da Apple, começou a projetar um computador fácil de usar e de baixo custo, voltado para o consumidor comum. Ele queria dar ao computador o nome de suas maçãs preferidas, McIntosh, mas por razões legais teve de alterar um pouco a marca, que acabou sendo grafada como Macintosh. Foi somente em 1981 que Jobs começou a se envolver pessoalmente no projeto. Em pouco tempo ele e Raskins entraram em conflito. O empregado deixou a empresa e Jobs assumiu o projeto daí em diante.

Um ano depois do lançamento do Mac, em 1985, devido a novos conflitos, agora com o presidente da Apple, John Sculley, Jobs deixou a empresa. Nos anos seguintes criou uma nova firma de computação, a NeXT, e em 1986 comprou a divisão de computação gráfica da Lucasfilm Ltd, que ganhou o nome de Pixar Animation Studios. Com a perda de espaço do Macintosh para os PCs rodando Windows nos anos 90, a Apple entrou em crise. Steve Jobs foi novamente chamado para assumir a direção da empresa em 1997 e lançou uma série de produtos que colocar a marca da maçã novamente na vanguarda da indústria da computação e do entretenimento. O primeiro deles foi o iMac, um Mac com total integração às redes e em particular à internet. Em outubro de 2001 ele apresentou o iPod, aparelho que transformou a música digital em um fenômeno de massas. Em 2007 foi a vez do revolucionário iPhone.

Com a compra da Pixar pelos studios Disney em 2006, Jobs tronou-se o maior acionista individual da Walt Disney Company, da qual é um dos diretores. A revista “Fortune” escolheu Steve Jobs como o homem de negócios mais
poderoso do ano de 2007. Hoje a Apple está em posição totalmente diferente da que ocupava à época do lançamento do Macintosh. No último trimestre de 2008 vendeu 10 vezes mais iPods e iPhones do que Macs. Ciente dessa transformação, Steve Jobs anunciou, em janeiro de 2007, a mudança no nome da empresa, de Apple Computer para Apple Inc. Parece claro que o iPhone é o futuro da Apple. Na primeira semana de 2009 Jobs anunciou seu afastamento do comando da empresa por seis meses, para tratar de graves problemas de saúde. A especulação de que ele estaria com câncer derrubou as ações da empresa, apesar de seu excelente desempenho no ano fiscal de 2008.

5 Responses to “Os 25 anos do Macintosh”

  1. Bobeda Says:

    E bem que a Apple poderia fazer algo pra animar sua marca neste momento, heim… Com Jobs indo pro backstage, meio forçado, eles terão que se mexer pra seguir inovadores e bacanas… Abraço!

  2. Rosalia Lerner Says:

    Que máximo,ouvi no rádio, cheguei em casa corri para e fiquei impactada !!!
    Muito legal.
    Obrigada
    Rosália

  3. Mario Imaguire Says:

    A mulher que corre e joga o machado é a mesma da música Nikita do Elton John.
    Chama-se Anya Major.
    Engraçado é que Nikita é nome de homem (ex: Nikita Khrushchev, http://en.wikipedia.org/wiki/Nikita_Khrushchev).
    Mario

  4. wendel Says:

    Ae, ouço vc pela Band News!
    parabens pelas materias e assuntos abordados!

  5. Matheus de Paula Medeiros Says:

    Grande Assunto… A Microsoft roubou a ideia de interfaçe grafica e mouse da apple, mas não podemos esquecer que apple roubou a mesma ideia da Xerox, Para Maiores Detalhes Assista o Filme “The Pirates Of Silicon Valley”, neste filme existe a historia da Apple e Microsoft.

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